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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012 - PREFEITOS ELEITOS EM MANAUS (AM)



ASSEMBLÉIA DE DEUS APÓIA VANESSA GRAZZIOTIN EM MANAUS



A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), candidata à prefeitura de Manaus, vai disputar o segundo turno no dia 28 de outubro. Grazziotin vai enfrentar Artur Neto do PSDB, que liderou o primeiro turno com 40,55% dos votos válidos. A candidata do PCdoB ficou com 19,95%.

Durante sua campanha à prefeitura de Manaus, Vanessa Grazziotin, causou polêmica ao receber o apoio do pastor Jonatas Câmara, líder da Assembléia de Deus e da Convenção do Estado do Amazonas desde 9 de fevereiro de 1997. Vanessa foi uma das parlamentares que apoiou o Projeto de Lei do Senado 122 que criminaliza a opinião contra a prática homossexual.
O líder da AD em Manaus tentou justificar seu apoio aos fieis e além de criticar o candidato Artur Neto, o líder pregou contra a descriminalização do aborto, as relações homoafetivas e a criminalização da homofobia. Enquanto a candidata concordava com a cabeça e aplaudia.
Apesar do pedido do pastor Silas Malafaia para que o líder não apoiasse a candidata Vanessa Grazziotin por causa do PLC 122, minutos antes de discursar no “Café da Comunhão” promovido pelo Conselho dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), no dia 9 de agosto,  ainda assim o pastor Jonatas Câmara resolveu apoiar Vanessa Grazziotin. O Conselho dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) tem como presidente o pastor Abner Ferreira da Assembléia de Deus em Madureira, Rio de Janeiro. Silas Malafaia é vice-presidente.
A Vanessa tem atuação contra a gente lá no Senado, nos ajuda pouco. Não podemos esperar por ela aqui”, disse o pastor Silas Malafaia durante o café no Diamond Convention Center em conversa reservada com Jonatas Câmara e Renê Terra Nova, líder da igreja Restauração. A conversa durou 15 minutos.
De acordo com o Censo 2010, os evangélicos são 35,5% da população da capital. Somente a Assembléia de Deus tem mais de 208 mil fiéis em Manaus.
Ao receber o apoio da Assembléia de Deus, no início da campanha, Vanessa assinou uma carta afirmando que é contra o aborto e que não votará a favor de artigos que contrariam a igreja no projeto de criminalização da homofobia.
FONTE: GOSPEL PRIME

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

IGREJA ACUSA PREFEITO DE PERSEGUIÇÃO E DÁ BÊNÇÃO A RUSSOMANNO


Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo
Candidato à Prefeitura de São Paulo favorito dos evangélicos, segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (PRB) recebeu ontem o apoio de uma ala da Assembléia de Deus que acusou o prefeito Gilberto Kassab (PSD) de perseguição por fechar templos evangélicos sem alvará.
Russomanno subiu ao púlpito do Ministério de Santo Amaro da igreja, recebeu uma bênção diante de um público de 500 pastores e prometeu que, se eleito, não fechará nenhum templo.
Líder político dessa ala da Assembléia de Deus, o evangélico Renato Galdino pediu a seus pastores “renovação” na cidade.
“Quando nós chegamos a um departamento da Prefeitura, muitas vezes somos desprezados. Subentende-se que é preciso uma mudança na qual possamos ter o nosso templo”, disse.
O presidente estadual do PRB, Vinícius Carvalho, que é pastor da Igreja Universal, fez coro. “É o momento de tirarmos esse espinheiro que tem dominado o povo e de colocarmos para governar a cidade uma pessoa temente a Deus”, afirmou.
Russomanno disse aos líderes religiosos que “não quer e não vai” fechar nenhuma igreja. “A política deve ser de orientação aos pastores para que regularizem sua situação – não perseguindo, não fechando as igrejas, porque isso é um absurdo”, disse ao Estado, após o culto.
Vacina. O discurso de Russomanno é uma vacina contra líderes evangélicos que suspeitam que sua eleição vá prejudicá-los, e beneficiar apenas a Igreja Universal, que tem integrantes na direção do PRB. A Igreja Mundial e as alas da Assembléia de Deus que apóiam Serra disputam fiéis com a Universal em São Paulo.
Russomanno lidera as pesquisas de intenção de voto entre a população evangélica, superando José Serra (PSDB) no primeiro turno por 31% a 27%, segundo o último levantamento Ibope/TV Globo/Estado. Considerando todo o eleitorado, os dois estariam empatados, com 26% cada.
Na sondagem espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado, Russomanno tem 16%, ante 15% de Serra na população total, mas vence por 20% a 12% entre os evangélicos.
No segundo turno, o candidato do PRB aparece na frente do tucano por 42% a 35% na pesquisa geral, mas teria maior vantagem entre a população evangélica: 50% a 33%.

terça-feira, 24 de julho de 2012

META DA ASSEMBLEIA DE DEUS É ELEGER MAIS DE 5.500 VEREADORES


No embalo do crescimento do número de evangélicos do país, a Assembléia de Deus cada vez mais se mete em política, inclusive com metas eleitorais. 


Por favor click no selo TOP BLOG (ao lado) e vote neste blogl! É  seguro, simples e rápido! Obrigado!  Adson Lins



Nas eleições de outubro deste ano pretende eleger 5.565 candidatos (de diferentes partidos) a vereador ou um candidato para cada cidade. Dos 42 milhões evangélicos brasileiros, 12 milhões são da Assembléia de Deus.
A AD está para religião evangélica assim como o PMDB está para a política. Ambos congregam várias “tendências”, por assim dizer, sob um comando nacional. No caso da denominação religiosa são dois comandos: CGADB (Convenção Geral das Igrejas Assembléia de Deus no Brasil) e Ministério de Madureira. Juntos possuem mais de 100 mil pastores no país. Ou cabos eleitorais.
Temos igrejas em 95% das cidades”, disse Lélis Marinhos, presidente do conselho político nacional da CGIADB. “Isso favorece a divulgação dos candidatos." 
Pesquisa feita pelo Datafolha com integrantes da Marcha para Jesus deste ano de São Paulo revelou que para 65% deles a pregação dos pastores terá influência em seu voto. Do total, 31% já tinham decidido que vão votar em quem a igreja mandar, independentemente de quem sejam os candidatos. 
O pastor Abner Ferreira, da CGIADB, reconheceu que a denominação mudou. "Antes, ouvir rádio ou ver TV era pecado, mas hoje entendemos que são veículos extraordinários para pregar o evangelho", afirmou à Folha de S. Paulo. 
Também antes a presença da AD e de outras denominações evangélicas na política não era tão visível como é hoje. A Frente Parlamentar Evangélica tem 76 deputados e, destes, 24 são da AD. 
Para Frente, conforme tem ficado demonstrado em questões envolvendo os direitos dos homossexuais, por exemplo, a lei mais importante é a divina, a da Bíblia, não a da Constituição. 
Talvez a AD não consiga cumprir a sua meta nas eleições deste ano. Mas não resta dúvida de que ela tem um projeto político para médio e longo prazo, assim como outras "legendas" evangélicas, como a Igreja Universal. O que é motivo mais do que suficiente para que a sociedade leve a sério a discussão sobre a importância da laicidade do Estado.

Com informação da Folha.

FONTE: PAULO LOPES

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

QUANDO A ASSEBMBLÉIA ERA DE DEUS...


Por Nelson Gervoni

        Sou de família assembleiana, quando nasci meus pais eram da Madureira, tenho dois primos e um tio pastores no Ministério do Belém, um segundo tio é pastor de Madureira, meu sogro é presbítero e dirigiu diversas congregações da Assembléia, minha esposa nasceu e foi criada nesta igreja e atualmente me vejo pastor ligado à CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus) através do Belém.


        Meu espírito livre me levou a sair da Assembléia de Deus ainda jovem, fiz minha formação teológica num Instituto Batista e por último pastoreei uma igreja anabatista de origem alemã. Por algumas razões há três anos retornei à Casa onde nasci.



        Não demorou muito e percebi que a igreja à qual retornara não era mais aquela de onde saíra. Senti-me como alguém que deixa a pátria onde nasceu e ao retornar se sente como um estrangeiro da terra natal.



        As diferenças eram tantas que me lembrei de uma frase inúmeras vezes repetida por meu avô materno (nascido em 1901 e convertido ainda jovem na Assembléia de Deus da Missão). Quando via algum absurdo da parte da liderança da igreja, o velho dizia: “Quando a Assembléia era de Deus, isso não acontecia”. E acrescentava, dizendo: “os homens se juntaram e tomaram de Deus a Assembléia de Deus, que agora é dos homens...”



        Por ser criança não compreendia ao certo o que o levava meu avô a afirmar isso. Entretanto, esses três anos de Assembléia de Deus me levaram a uma compreensão empática do velho. Ou seja, não somente compreendo, mas sinto o que ele sentia. Havia na expressão do meu avô uma vanguarda profética.



        Hoje, não chego a afirmar que a Assembléia não é de Deus, pois ainda há nela um povo caminhante que, não obstante sua liderança, serve a Deus com sinceridade e aguarda a volta do seu Redentor. Mas talvez esta seja uma das poucas características que ainda lhe assegure o nome que tem. A Assembléia não é dos homens. É de Deus. Mas não há dúvida de que os homens – suas lideranças – estão tratando-a como os sacerdotes dos tempos proféticos tratavam a Casa de Deus. Se não, vejamos.



Centralização do poder econômico



        A Assembléia de Deus perdeu sua característica de comunidade simples e é uma das igrejas mais ricas do Brasil. Isso a torna semelhante ao Clero Romano que tanto criticamos por sua centralização de poder. Se parece com o sacerdócio do Antigo Testamento tão criticado pelos profetas de então.




        Em nível nacional sua riqueza se concentra principalmente na CGADB – que tem como uma das principais fontes financeiras a CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus), cuja arrecadação se assemelha a de grandes editoras, como por exemplo, a Abril – e no Ministério do Belém, hegemônico entre os demais ministérios ligados à Convenção.



        Estrategicamente esse império, formado principalmente pela CGADB e Belém, se concentra nas mãos de pouquíssimas pessoas, lideradas pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, na presidência simultânea das duas entidades há mais de duas décadas.



        Em níveis regionais o poder econômico é distribuído favorecendo os mesmos presidentes de Campo que em nível nacional apóiam e se locupletam com José Wellington. A gestão dos Campos reproduz a administração regional, com centralização de poder e de dinheiro.



        É canalizada para a Sede do Campo toda a renda das congregações que em virtude disso perdem a autonomia para realizações descentralizadas. Para citar só um exemplo, a Congregação onde ajudei ultimamente necessita de manutenção das suas dependências, de infra-estrutura para a Escola Dominical das crianças e de instrumentos musicais. Tem uma arrecadação mensal estimada entre R$ 5 mil e R$ 8 mil (digo estimada, pois não se tem acesso à informação da sua arrecadação), mas como deve encaminhar integralmente seus ingressos à Sede, não pode atender suas necessidades locais. Com isso, os departamentos fazem malabarismo para arrecadarem algum dinheiro. Por exemplo, o Círculo de Oração (departamento feminino) faz pizzas e nhoque e vende para os membros, que já contribuem com seus dízimos e ofertas.



Hereditariedade do poder



        Outro fenômeno que vem se reproduzindo nas últimas décadas, em especial nas AD do Estado de São Paulo, é a hereditariedade de poder nas esferas regionais. É comum pastores presidentes de Campo prepararem seus filhos para os sucederem ministerialmente. Por exemplo, no Campo de Presidente Prudente/SP o pastor presidente atual é João Carlos Padilha, filho do ex-pastor presidente Carlos Padilha. No Campo de Indaiatuba/SP o pastor presidente é Raimundo Soares de Lima que tem como vice-presidente e sucessor estatutário o próprio filho, pastor Rubeneuton de Lima, mais conhecido como Newton Lima. No Campo de Araçatuba o presidente é o pastor Emanuel Barbosa Martins e o vice-presidente é seu filho, Emanuel Barbosa Martins Filho. No Campo de Limeira o ex-presidente, pastor Joel Amâncio de Souza, fez como seu sucessor o próprio filho, pastor Levy Ferreira de Souza. Medida que foi pivô de considerável divisão na igreja.



        Há uma grande possibilidade da hereditariedade de poder se aplicar em nível nacional, pois é de conhecimento dos pastores da CGADB que o pastor José Wellington prepara sua sucessão para um dos filhos, José Wellington Costa Junior, vice-presidente da AD em São Paulo, Ministério do Belém e presidente do Conselho Administrativo da CPAD.



        Cabe uma pergunta em relação a isso: É Deus ou o homem quem escolhe o sucessor da presidência da igreja? Penso que a possibilidade de Deus escolher tantos filhos de presidentes como seus sucessores está descartada.



        As igrejas do Novo Testamento não eram assim. As congregações escolhiam seus oficiais (Atos 6.1-6, 14.23) e não tinham um pastor presidente que dominava sobre elas.



Sem transparência financeira



        Outra coisa que me intrigou ao retornar para a Assembléia de Deus foi descobrir que não é dado saber – senão a duas ou três pessoas da diretoria da Sede – nada sobre a movimentação financeira do Campo. Estima-se que num Campo como o de Campinas, por exemplo, a receita gire em torno R$ 1,5 milhão por mês. Não se sabe ao certo quanto entra e como é gasto o dinheiro; quanto ganha por mês o pastor presidente, pastores regionais e distritais. Recentemente ouvi de uma liderança leiga que o custo de manutenção do pastor presidente, no caso do Campo de Campinas, beira os R$ 60 mil mensais.



        Sabe-se, no entanto que as congregações das periferias são pastoreadas por homens simples, que mal recebem ajuda de custo. Assim, muitos têm seus empregos para se sustentarem e os que não conseguem se empregar chegam a passar por privações e apuros financeiros.



        A explicação para a ocultação orçamentária é a segurança. Afirmam que não divulgam suas contas para evitarem assaltos. Isso não é verdadeiro, pois qualquer assaltante bem informado sabe que igrejas movimentam rios de dinheiro. E uma coisa é divulgar aos quatro cantos o quanto a igreja arrecada, expondo-a a riscos de roubos, outra coisa é manter seus membros informados do total coletivo das suas contribuições. Afinal, igreja não é empresa privada, que somente o dono tem acesso às suas informações financeiras.



        Do ponto de vista legal as igrejas são associações civis regidas pelo Código Civil e como tais, segundo a legislação, devem prestar contas de sua movimentação financeira aos associados, que no caso da igreja são os seus membros. Por exemplo, o Artigo 59, Inciso III do Código Civil diz que “Compete privativamente à assembléia geral (...) aprovar as contas” da instituição. Como poderão aprovar (ou reprovar) as contas sobre a qual pouco ou nada se sabe? Ou como aprovarão se sequer participam das assembléias, em cuja pauta não se coloca em votação a aprovação financeira?



        Do ponto de vista bíblico não há nada que se pareça com isso. Não há no Novo Testamento uma associação de igrejas com um presidente arrecadando os ingressos das congregações para administrá-los centralizadamente, se beneficiando de altos salários.


        Entretanto, a falta de transparência financeira não é um “privilégio” exclusivo das igrejas e dos Campos. Recentemente o pastor Antonio Silva Santana, eleito em 2009 primeiro tesoureiro da GADB, renunciou alegando falta de acesso às principais informações de caráter fiscal e financeiro da instituição.


        Quando não se lança luz sobre uma questão tão importante como esta, obscurece-se a verdade, dando margens a dúvidas. Por exemplo, pode-se perguntar se o dízimo dos contribuintes não foi usado nas últimas eleições para financiar campanhas políticas de pastores candidatos a cargos eletivos.



        Esse questionamento nos leva ao próximo assunto.



Vínculo com a política partidária



        Não é preciso fazer nenhum esforço mental para perceber que estas características (centralização do poder econômico, hereditariedade do poder e falta de transparência financeira) são próprias das instituições contaminadas pelo abuso de poder, pela ganância, pelo nepotismo, etc. Trata-se de um quadro muito comum nas esferas da política partidária. Assim sendo, como “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7), era de se esperar que a Assembléia de Deus refizesse (pelo menos tenta refazer), através de sua atuação político-partidária, o casamento entre a Igreja e o Estado, união responsável pelo apodrecimento da fé e cujo divórcio custou o sangue de mártires na História do Cristianismo.



        Há atualmente em algumas igrejas a idéia de que “o povo de Deus precisa de representantes na política”. Particularmente tenho uma opinião desenvolvida sobre isso, exposta em recente artigo que escrevi, “Por que não voto em ‘irmão de igreja’”, publicado em meu blog pessoal. Mas, opinião individual a parte, o que mais assusta é o pragmatismo com o qual essa questão vem sendo tratada nas Assembléias de Deus ligadas à CGADB.



        A 33ª assembléia geral ordinária da CGADB, realizada em Belo Horizonte em 1997 – e portanto presidida pelo pastor José Wellington – aprovou uma resolução que recomenda aos pastores titulares não se candidatarem a cargos eletivos. Para se candidatar deve o ministro se desvincular de seu cargo pastoral. A resolução é sábia, pois visa, entre outras coisas, poupar a igreja de envolvimento com escândalos políticos que nela respingam, como ocorridos em episódios conhecidos.


        Entretanto, não obstante a resolução, recentemente o pastor José Wellington esteve em Campinas e, numa reunião com pastores num hotel, pediu a estes o apoio à candidatura a deputado federal de seu filho Paulo Roberto Freire da Costa – presidente do Campo de Campinas – sem sequer tocar no assunto da desvinculação proposta na resolução que ambos ajudaram a aprovar. Paulo Freire foi eleito e continua presidente da Assembléia Campinas, como se a resolução não existisse.


        Ironicamente, a igreja de Campinas foi envolvida num escândalo político quando pastoreada por Marinésio Soares da Silva, antecessor de Paulo Freire. O escândalo foi protagonizado por uma filha Marinésio, na ocasião deputada federal, tendo causado muitos sofrimentos à igreja.



        O equivoco de se misturar poder político e igreja foi esclarecido por Cristo numa conversa com seus discípulos, narrada em Marcos 10. Tiago e João reivindicaram o direito de assentar-se com Jesus, um à direita e outro à esquerda do seu trono. Eles não haviam compreendido que o reino de Cristo não se daria na dimensão da política terrena. Para esclarecê-los Jesus lhes disse: “Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Marcos 10.42-44, com grifo do autor).



        A fala de Cristo (grifada acima) sempre será atual. Alerta contra a centralização do poder econômico, a hereditariedade do poder, a falta de transparência financeira e outras mazelas. As instituições mundanas agem dessa forma, “Mas entre vós não é assim”.



O fenômeno da naturalização



        Chama a atenção em todo esse processo o fenômeno da naturalização. Ou seja, todas essas características são vistas e vividas como muito naturais, pela liderança e pela chamada “membresia”. A centralização e a hereditariedade do poder, a falta de comunicação e clareza sobre as contas e o relacionamento – fisiológico, inclusive – com a política, são encarados como algo muito normal e, portanto, sem a necessidade de qualquer questionamento.



        Todas essas peculiaridades geralmente são justificadas pela “unção” recebida pelo “homem de Deus”, inclusive com uma equivocada interpretação do texto bíblico que diz “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal” (1 Crônicas 16.22 e Salmo 105.15). Assim, um “ungido” centraliza o poder e designa-o a quem bem entende – geralmente aos filhos – e os demais ungidos e profetas aceitam sem nada dizer. Da mesma forma, se ele é um “ungido de Deus”, tem autonomia, à custa da heteronomia dos demais, para administrar as finanças da igreja sem delas ter que prestar contas. Por outro lado, os membros se isentam da responsabilidade de fiscalizar, pois acreditam que seu papel é apenas trazer os dízimos (Malaquias 3.10) sem se preocupar com o que será feito dele.


        As semelhanças desse modelo com a política fisiológica, voltada para projetos pessoais, são muitas. Isso explica o casamento da igreja com a política partidária.


Será que não estamos diante da síndrome de Eli?



***

Nelson Gervoni é pastor da Assembléia de Deus filiado à CGADB, é Coordenador de Projetos Educacionais do Instituto Souza Campos – Pólo Educacional da Universidade Luterana do Brasil em Campinas, SP e integrante do GEPEM da Faculdade de Educação da Unicamp. Artigo enviado pelo autor, para colaboração no Púlpito Cristão

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

MORRIS CERULLO - Quem é realmente?







“Você não está vendo Morris Cerrulo. Você está vendo a Deus. Você está vendo a Jesus”
Morris Cerullo
Por Leonardo Gonçalves

Certa vez, durante uma de suas pregações, Cerrulo se dirigiu aos ouvintes da seguinte forma: “Vocês dariam suas carteiras a mim – Diz “Deus” (sic) – e me deixariam ser o Senhor das suas carteiras? (...) Sim? Entao tragam suas carteiras e sejam obedientes à minha voz” (Morris Cerullo, Una palabra de Dios en la Convención Mundial de la Vida más profunda, marzo de 1982, p. 15).

Morris diz ter 
encontrado Deus aos oito anos de idade, quando foi guiado do orfanato por anjos, para encontrar o Senhor cara a cara no céu. Nesta ocasião, Deus lhe teria revelado que seria profeta e anunciaria o futuro. Foi ordenado ao ministério na Assembléia de Deus (EUA), e ficou conhecido por suas cruzadas de cura e milagres. No entanto, a autenticidade dos milagres produzidos é duvidosa. Sobre estes eventos de cura, o Evangelical Times, publicação de setembro de 1992, dizia o seguinte:

“A jovem Audrey Reynolds foi à cruzada de Morris Cerrulo em Londres.
Ela creu que foi curada de uma anomalia no cérebro, deixou de tomar o medicamento e faleceu, vítima de um ataque cerebral. Sir Montague Levine, investigador de mortes violentas de Southwark, disse: ‘Foi uma tragédia ela ter ido a essa reunião e acreditar na cura. Fatalmente, isso a levou à morte”.

Talvez alguém possa dizer que o erro está na moça, por acreditar na cura antes de recebê-la. No entanto, é exatamente este tipo de fé que Morris e os demais pregadores da “Confissão Positiva” ensinam. Eles afirmam que todos os crentes já foram curados através do sacrifício de Cristo na cruz, e tudo que temos que fazer agora é rejeitar a enfermidade e decretar a bênção, mas o resultado nem sempre é encorajador.

Suas declarações são as mais heréticas possíveis. Ele defende, por exemplo, uma doutrina semelhante a dos mórmons, a qual afirma que os homens estão em um processo de evolução cujo ápice é se transformar em Deus

Deus quer que sejamos como ele, e estamos crescendo em divindade. Deus é a meta da evolução [...] Você não está vendo Morris Cerrulo – Você está vendo a Deus. Você está vendo a Jesus”. (Morris Cerullo, “The End Time Manifestation of the Sons of God”, San Diego: Morris Cerullo World Evangelism, n.d.)

No ano passado, Morris desafiou os telespectadores a enviarem uma oferta de 900 reais para o ministério de Silas Malafaia, sob promessa de uma mega-unção financeira que entraria em vigor no primeiro dia do mês de Janeiro. De “brinde”, o generoso colaborador receberia a Bíblia da Batalha Espiritual e Vitória Financeira, cujos comentários são de sua autoria, e que basicamente ensinam como ficar rico ofertando grandes somas de dinheiro a destacados “pregadores” do evangelho.

De volta este ano, o profeta 
Cerrullo diminuiu o valor da “semente” (pois é assim que ele se refere às contribuições financeiras) para 610 reais, mas também retirou o “brinde”, com a intenção – segundo ele – de que o ofertante possa fazer a contribuição com uma fé legítima. A promessa desta vez é de que os ofertantes serão abençoados com riquezas e o Brasil entrará em um período de seis anos de grande abundancia.

Informações ainda não confirmadas dizem que Morris esteve recentemente pregando na Assembléia de Deus em Belém – a “igreja mãe”, à convite do pastor Samuel Câmara

Ao contrário do que pensam alguns pastores da Assembléia de Deus que defendem sua candidatura à presidência da CGADB, Samuel não é muito diferente de Silas Malafaia no que diz respeito a crenças heterodoxas e predileção por profetas de prosperidade.

Morris Cerrullo é dono de uma mansão avaliada em mais de 12 milhões de dólares, um gigantesco edifício onde ele mora em companhia da esposa. Seu meio de locomoção é um humilde Gulstream G4, aeronave avaliada em 300 milhões de dólares, e é certo que ele possui pelo menos três outros semelhantes. Mas ao contrário do que ele diz, sua riqueza não é resultado de uma semeadura milagrosa. Na verdade, Cerrulo assumiu os negócios de Jim Bakker, um evangelista televisivo que foi acusado de estupro e sentenciado à prisão em 1988.

Leonardo Gonçalves é pastor, missionário e editor do blog Púlpito Cristão
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Aborto diga não!

Aborto diga não!
1999 - Um fotógrafo que fez a cobertura de uma intervenção cirúrgica para corrigir um problema de espinha bífida realizada no interior do útero materno num feto de apenas 21 semanas de gestação, numa autêntica proeza médica, nunca imaginou que a sua máquina fotográfica registaria talvez o mais eloquente grito a favor da vida conhecido até hoje.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal.

Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX).

Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença".

Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias.

Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Fonte:www.apocalink.blogspot.com