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domingo, 18 de maio de 2014

OS DEUSES DA CIDADE DO MÉXICO POR VITOR MANOEL ADRIÃO

DE AZTLÁN A MÉXICO
Próximo do Zócalo, a principal Praça da Constituição da Cidade do México, e junto à Catedral Metropolitana estão as ruínas da cidade azteca de Tenochtitlán, as quais ainda hoje deslumbram o visitante pela sua grandiosidade ficando pairando no ar um halo mistério e segredo.
Aqui é o berço da actual capital do México. Por que Tenochtitlán foi construída numa ilha praticamente inexpugnável e com fama, nos seus tempos áureos, de ser a “Cidade dos Deuses” emergida das funduras da Terra com o Lago Texcoco à sua volta? Que deuses e que homens divinos eram esses cuja memória perdura até hoje e cujo mistério teima em permanecer inviolável? Afinal, que há de verdade em tudo isso?…
Tenochtitlán foi fundada em 1325 por um ramo azteca provindo do norte do continente, possivelmente da área actualmente correspondente ao Arizona, os chamados mexicas dirigidos pelo seu deus-guia Tenoch ou Huitzilopochtli que os instalou nessa ilha do lago salgado de Tezcoco, no que agora compreende o Planalto Central Mexicano. A ilha estava ligada à terra firme por quatro vias dispostas nas quatro direcções cardeais (norte, sul, este e oeste, ou sejam, TepeucaXoloc,Tenochtitlán Tacuba) que eram atravessadas por canais e decoradas por jardins flutuantes. A povoação possuía estradas estreitas e sinuosas, interceptadas por canais labirínticos, palácios e templos, e a disposição dos bairros residenciais reflectia a estratificação social, onde a classe mais elevada residia próxima do templo central em palácios sumptuosos, templo esse que era o centro da urbe chamado Teocalli onde se cultuava o deus agrário Xipe-Totec que muito não escusam ser um dos nomes e atributos do Deus Supremo do panteão azteca, Kulkulcan ou Vorakan. Sobre esse templo supremo construiu-se depois a catedral metropolitana que ainda hoje triangula com as duas pirâmides do Sol e da Lua mais adiante no que resta da primitiva Tenochtitlán, correspondendo o pirâmide do Sol ao templo dos homens e a da Lua à das mulheres, unidos numa espécie de androginia mística no templo central, frequentado por ambos os sexos.
Tenochtitlán
Em 1519, quando os conquistadores espanhóis chegaram à Mesoamérica, Tenochtitlán possuía cerca de 300.000 habitantes, sendo a cidade foi conquistada por Hernán Cortés em 1521, depois um um cerco prolongado onde os requintes crueldade dos sitiantes foi imitado pelos sitiados. De Tenochtitlán sobrou pouco mais do que hoje se vê, e já nesses tempos registava-se a decadência moral e dos costumes de uma civilização que primou na influência intelectual estendida a toda a América Central. É desses tempos de decadência civilizacional que vêm os sacrifícios humanos e a própria antropofagia, coisa desconhecida na sua época áurea.
O nome Tenochtitlán provém do nahuatl e significa lugar do fruto do cacto, a própria ilha onde Tenoch fixou esse ramo azteca, mas também significa Tenoch de Aztlán
Ora, os aztecas consideravam-se o povo de Aztlán, o primitivo paraíso perdido que um dia foi engolido pelas águas do oceano desaparecendo para sempre nas funduras do Atlântico, motivo diluviano cuja universalidade remete para o mito da primitiva Atlântida. O que humanamente sobrou de Aztlán uma parte foi recolhida nas profundezas subterrâneas da Terra pelo seu guia-deus Aatzin Ahal, e outra trasladou-se para o sul do continente em vagas sucessivas ao longo de milhares de anos, a última dos mexicas já no século XIV conduzida por Tenoch para aqui. Este, dizem as tradições aztecas, fundou Tenochtitlán como reprodução fiel do que fora Aztlán, a “cidade dos telhados de ouro e das ruas de prata” que os conquistadores espanhóis procuraram ambiciosamente como o Eldorado que nunca encontraram, apesar dos seus esforços e maltratos sobre os povos autóctones sul-americanos tentando arrancar-lhes as informações para chegarem ao cobiçado metal. 
Eles confundiram Tenochtitlán com Aztlán, a cidade inviolável dos deuses sedotes das tradições aztecas, maias, toltecas e olmecas, todas unânimes em situá-la no seio da Terra onde se chega por sete cavernas ou embocaduras principais esparsas pelo mundo, uma delas aqui mesmo na capital distrital do México, apontado como escondida sob as galerias subterrâneas Tenochtitlán e sobretudo da Catedral Metropolitana. Mitos ou lendas, o facto é que tudo isso reveste ainda mais de mistério este lugar já de si completamente insólito, que os hindus e tibetanos de bom grado decerto chamariam Lugar Shamano ou Lugar Jina, isto é, Mágico.
Mapa do Vale de Tenochtitlán
Seja como for, após a conquista do México e ante o escasso ouro e prata conseguidos desdizendo os relatos acerca dos “rios de ouro e prata e fortunas incomensuráveis que os aztecas possuíam”, a história de Aztlán ganhou importância entre os espanhóis desiludidos, sobretudo pelo relato recolhido junto dos autóctones por Diego Durán em 1581, dizendo tratar-se de um Paraíso Terreal igual ao Jardim do Éden livre de doenças e da morte e existir algures no Norte longínquo. Essas histórias impulsionaram as expedições espanholas à actual Califórnia, sendo escusado dizer que nunca encontraram tal Terra Edénica apodada por alguns de Eldorado.
Segundo a Crónica Mexicáyotl, o nome Aztlán ou Aztatlán significa Lugar de Alvura ou Pureza, e segundo as lendas nahuatls eram um verdadeiro Paraíso Terreal que um dia desapareceu da face para o interior da Terra na região de Chicomoztoc, significando precisamente “lugar das sete cavernas”. Cada caverna representava um diferente grupo nahua: xochimilca, tlahuica, acolhua, tlaxcalteca, tepaneca, chalca e mexica. Essas tribos acabaram por abandonar Aztlán e espalharam-se por toda a Mesoamérica com uma origem linguística comum, motivo de também serem chamadas nahuatlacaou “povos nahuas”, sendo o último ramo dos mexicas a origem antropológica dos actuais mexicanos.
Aztlán
A lenda principal da fundação primitiva de Tenochtitlán, cujos elementos inclusive figuram hoje nas Armas Nacionais do México, conta que Tenoch ao chegar aqui viu uma enorme e majestosa águia de asas abertas apanhando sol pousada num cacto e tendo nas garras uma enorme serpente. Isso foi considerado bom augúrio e logo ali, naquele chão pantanoso, começou-se a lançar as fundações da grande cidade depois dos sacerdotes terem erguido um altar junto ao cacto e conjurado o deus das águas,Tlaloc, para lhes permitir fundar a urbe sem perigo de inundação. As prerrogativas divinas de Tlaloc são hoje as mesmas da Virgem Maria, padroeira da Cidade do México, e desse altar de pedra nasceria o Teocalli e deste urgiria a Catedral Metropolitana.
Águia heráldica do México - Codex Mendoza
A águia sobre a flor e fruto do cacto chamada tuna, representa o Sol da Abundância, esta que é garantida pela própria serpente símbolo das forças geradoras e nutrientes da Mãe-Terra. Esta ficaria assinalada na cor vermelha da Bandeira do México e a águia na cor verde, indicativa da força celeste, enquanto o branco central, cor feminina e sintética das cores do prisma, é a indicativa da Paz e Pureza que um dia distinguiu a civilização azteca e ainda hoje é a mensagem maior da cidade e país do México.
CABALA NA CATEDRAL METROPOLITANA
Catedral Metropolitana da Cidade do México é sem dúvida uma das mais singulares da América do Sul. Consagrada à Assunção da Virgem Maria, é a sede da Arquiodiocese do México e foi construída em 1571 sobre a primitiva, entretanto derrubada, que o conquistador espanhol Hernán Cortés mandara construir após a conquista da cidade aos aztecas em 1521.
Ainda restam vestígios da presença azteca neste lugar sagrado que antes de ser igreja católica era o templo de Xipe-Totec, o deus agrário e da caça que desde o Oriente presidia às estação anuais dando força e saúde aos crentes. Era a divindade azteca do Levante, motivo que os conquistadores aproveitaram para orientarem o seu primeiro templo de Poente para Oriente com a sua porta principal chamada do Perdão, que leva ao Altar do Perdão, todo folheado a ouro, cujo retábulo é obra de Jerónimo de Balbás (1735). Foi assim que os atributos e licenças de perdão e saúde (física e moral) do deus Xipe passaram a ser os mesmos de Cristo.
Também se observa que as pedras com que foram feitas as colunas exteriores da catedral metropolitana haviam sido originalmente pedestais de ídolos aztecas, conservando na sua parte inferior os primitivos relevos de serpentes e colibris que não foram apagados por os seus lados terem ficado ocultos debaixo de terra. Em 1881, quando se escavou defronte à actual catedral para fazer os jardins que adornam o pátio oriental do templo, encontraram-se várias bases de colunas lavradas em pedra ordenadas em linha recta, demonstrando a orientação do templo primitivo que ali houvera. Por detrás das bases e fragmentos dessas colunas desenterradas foi colocada uma placa com a legenda: “Pedras do Teocalli sangrento de Huitzilopoxtli utilizadas depois no primeiro templo que os espanhóis erigiram neste sítio à fé cristã – 1881”. A placa já não se encontra nesse lugar, porém os fragmentos de colunas e as suas bases do templo primitivo ainda podem ver-se no ângulo esquerdo do átrio da catedral. Outras tantas pedras lavradas foram levadas para o Museu do Templo Maior onde também podem ser admiradas.
Catedral da Cidade do México
Ainda sobre a Catedral Metropolitana da cidade do México, fontes esotéricas informam que na sua feitura estiveram presentes mestres d´obras, verdadeiros maçons operativos que sob o aspecto cristão deixaram nela os sinais da Tradição Primordial não deixando de respeitar os símbolos do culto azteca com isso demonstrando maior respeito e tolerância religiosa do que acaso Hernán Cortés terá demonstrado ao imperador Moctezuma da primitiva Tenochtitlán, actual cidade do México. Essa plêiade secreta de verdadeiros Iniciados, segundo as fontes esotéricas, constituiu-se em Ordem dos Aztecas Cabalistas e à mesma pertenceram os arquitectos Claudio de Arciniega (que traçou o projecto original) e Juan Miguel de Agüero, além de Juan Gómez de Mora, José Damián Ortiz de Castro (projectista da fachada barroca), Isidro Vicente de Balbás e Manuel Tolsá (encarregado de finalizar as obras da catedral em 1793, só concluídas em 1813), de entre uns poucos mais.
Dever-se-á a essa Ordem Iniciática Secreta dos Aztecas Cabalistas a “caixa do tempo” descoberta em 2007 dentro do remate em forma esférica da torre oriental da igreja, quando se concluiu a dita estrutura. Na cantaria do remate inscreveu-se a data 14 de Maio de 1791 e o nome Tibursio Cana. Dentro da caixa de chumbo havia medalhas religiosas, moedas da época, um relicário, uma cruz de palma e diversas imagens de santos. Mas a curiosidade mais significativa dentro da catedral é estar no seu centro, pendendo da cúpula, um grande pêndulo medindo num gráfico fixado no chão qual é a inclinação da cúpula, já que a pesadíssima estrutura afunda lentamente no terreno lodoso do leito do antigo Lago Texcoco sobre o qual a cidade foi construída. Mas esse pêndulo possui igualmente significado esotérico ou iniciático que perpassa largamente o sentido imediato de simples medição acauteladora da estrutura, como se verá de seguida.
Idêntico ou herdeiro do fio-de-prumo – elemento importante no simbolismo maçónico – o pêndulo representa evidentemente o eixo cósmico (áxis mundi) que marca a direcção da actividade celeste e aqui tem uma função religiosa. Mais que simples metáfora ou símbolo, é a prova material da existência de “um Ser que se move sem ser movido, Eterno, Essência Pura e Permanência Absoluta”, preenchendo todos os termos pelos quais a Filosofia tem definido Deus, como se observa em Aristóteles, Giordano Bruno ou Pascal, relação que vem a ser explicitamente afirmada.
Apontando para o subsolo, o pêndulo direcciona-se ao lago subterrâneo que os antigos aztecas tinham como um cenote, isto é, um hipógeo cavernoso por onde circulavam águas que levavam ao fabuloso reino subterrâneo dos deuses sedotes, iconografados como semi-serpentários por a serpente ser símbolo do telurismo terrestre, tal qual o era o primitivo deus Xipe-Totec deste lugar. Assim, o pêndulo assume a função absoluta de representativo do áxis-mundi que efectivamente todas as tradições religiosas e esotéricas em todos tempos sempre apontaram no Centro da Terra, espécie de Paraíso Terreal ou Aztlán.
Pêndulo na Catedral da Cidade do México
As criptas sob o altar-mor da catedral não deixam de figurar o reino encantado subterrâneo da tradição religiosa azteca para onde vão as almas dos justos (igualmente apontados no Altar das Almas e dos Anjos, no andar acima das criptas), e é por isso que na cripta onde jaze o arcebispo Frei Juan de Zumárraga, por debaixo do seu cenotáfio, há uma escultura azteca representando uma caveira, símbolo de morte corporal quanto de renascimento espiritual. Uma outra escultura geométrica pré-hispânica foi incorporada na parte inferior do altar, com isso assinalando a incorporação dos elementos religiosos aztecas aos cristãos no trânsito de uma religião para outra mas sem abandonar os símbolos principais de ambas. A entrada nas criptas é uma adição moderna realizada pelo arquitecto Ernesto Gómez Gallardo.
Finalmente e ainda a ver com o dito lago subterrâneo, a Assunção de Maria, prefigurada como a Água da Vida representada pela Lua regente dos ciclos ou estações naturais, como Orago desta catedral metropolitano assucia-se ao mito da Deusa-MãeCoatlicue azteca tembém ela destinada a ascender do Céu no Seio da Terra à Face da mesma, o que confere a ambas as Deusas prerrogativa de Advento na aprazada que, creem os fiéis, passará pela Porta do Perdão vindo perdoar os pecados de toda Humanidade.
Com tanto mistério, junta-se aquele secreto que subjaze a esta própria Catedral Metropolitana onde é dito à “boca pequena” ter a própria Taça do Santo Graal ter passado por ela entre os séculos XVII e finais de XVIII e que era louvada em segredo pela supradita Ordem dos Aztecas Cabalistas no seu altar-maior dourado entretanto desaparecido vítima de incêndio (e isto já é facto comprovado), dando a esta Casa de Fé o nome esotérico de o Templo Bipartido (entre a devoção dos naturais e a cristã) ou Aquele que tem Duas Faces (ou aspectos esotérico e exotérico, isto é, reservado e público), e ainda a designação de A Corte Ensombrada ou Envolvida em Água, significando que a dita Ordem mantém-se secreta e em segredo envolta pelas Águas do Akasha ou o Éter como quinto elemento natural, atribuindo as suas raízes genealógicas à própria Casa Real Azteca por sua vez dando-se como originária dos antigos maias e toltecas, descendentes de Ketzalcoatl (a “Serpente Irisiforme”, indicativa do planeta Vénus), que é o mesmo Kukulcan na tradição azteca. Enfim, mistérios e segredos que tornam ainda mais maravilhosa esta singular Catedral Metropolitana da Cidade do México.
FONTE:http://lusophia.wordpress.com/2014/05/01/os-deuses-da-cidade-do-mexico-por-vitor-manuel-adriao/

domingo, 6 de janeiro de 2013

O CALDEIRÃO DE DEUSES DE LUCIANO HUCK


Por Helder Nozima
Qual a palavra que melhor descreve a identidade brasileira? Futebol? Samba? "Jeitinho"? Nada disso: antes de ser o país da bola, da música e onde se resolve tudo, ainda que com jeitinho...o Brasil é o país da mistura, da miscigenação. Aqui é onde diferentes povos, culturas e ritmos se misturam, dando ao Brasil o tom e o sabor que marcam o nosso país.

Na verdade, gostamos tanto de juntar as coisas que fazemos isso até mesmo com ideologias, pensamentos e práticas que são contraditórios. Aqui pode-se encontrar admiradores de Marx ansiosos para ter o último iPhone, racionalistas que acreditam em astrologia e pessoas que adoram ver o filme Tropa de Elite e fumam um baseado toda semana. Mas poucas coisas se comparam a um judeu casado com católica, genro de evangélica, rendendo homenagens a Iemanjá e desejando energias positivas para 2011, como pode ser visto neste link.
 
Nem tudo pode ser misturado. O sincretismo religioso está na alma até mesmo de um judeu-brasileiro, mas é uma abominação para o verdadeiro Deus de Israel, como mostra a Bíblia:
Agora, pois, ouve, ó Jacó, servo meu, ó Israel, a quem escolhi.

Assim diz o SENHOR, que te criou, e te formou desde o ventre, e que te ajuda: Não temas, ó Jacó, servo meu, ó amado, a quem escolhi. Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes; e brotarão como a erva, como salgueiros junto às correntes das águas. Um dirá: Eu sou do SENHOR; outro se chamará do nome de Jacó; o outro ainda escreverá na própria mão: Eu sou do SENHOR, e por sobrenome tomará o nome de Israel.

Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus. Quem há, como eu, feito predições desde que estabeleci o mais antigo povo? Que o declare e o exponha perante mim! Que esse anuncie as coisas futuras, as coisas que hão de vir!

Não vos assombreis, nem temais; acaso, desde aquele tempo não vo-lo fiz ouvir, não vo-lo anunciei? Vós sois as minhas testemunhas. Há outro Deus além de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça.

Todos os artífices de imagens de escultura são nada, e as suas coisas preferidas são de nenhum préstimo; eles mesmos são testemunhas de que elas nada vêem, nem entendem, para que eles sejam confundidos. Quem formaria um deus ou fundiria uma imagem de escultura, que é de nenhum préstimo? Eis que todos os seus seguidores ficariam confundidos, pois os mesmos artífices não passam de homens; ajuntem-se todos e se apresentem, espantem-se e sejam, à uma, envergonhados. O ferreiro faz o machado, trabalha nas brasas, forma um ídolo a martelo e forja-o com a força do seu braço; ele tem fome, e a sua força falta, não bebe água e desfalece. O artífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, esboça uma imagem; alisa-a com plaina, marca com o compasso e faz à semelhança e beleza de um homem, que possa morar em uma casa. Um homem corta para si cedros, toma um cipreste ou um carvalho, fazendo escolha entre as árvores do bosque; planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer. Tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta e coze o pão; e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpe uma imagem e se ajoelha diante dela. Metade queima no fogo e com ela coze a carne para comer; assa-a e farta-se; também se aquenta e diz: Ah! Já me aquento, contemplo a luz. Então, do resto faz um deus, uma imagem de escultura; ajoelha-se diante dela, prostra-se e lhe dirige a sua oração, dizendo: Livra-me, porque tu és o meu deus.

Nada sabem, nem entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e o seu coração já não pode entender. Nenhum deles cai em si, já não há conhecimento nem compreensão para dizer: Metade queimei e cozi pão sobre as suas brasas, assei sobre elas carne e a comi; e faria eu do resto uma abominação? Ajoelhar-me-ia eu diante de um pedaço de árvore? Tal homem se apascenta de cinza; o seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio?

Lembra-te destas coisas, ó Jacó, ó Israel, porquanto és meu servo! Eu te formei, tu és meu servo, ó Israel; não me esquecerei de ti. (Isaías 44:1-21)
Só há um único Deus
A declaração mais forte que é feita em Isaías 44 é esta: há apenas um único Deus e não há nenhum outro além d'Ele. Ele é o primeiro, ou seja, nenhuma divindade ou criatura existia antes d'Ele e o último, isto é, nada nem ninguém virá depois d'Ele. Por esta razão, buscar outros deuses é um engano.

Em certa medida, o que Deus diz a Israel se aplica a todos os seres humanos. Nenhum ser humano foi criado por um orixá ou um espírito guia, não somos gerados por forças impessoais ou por uma multidão de deuses. Todos nós somos criação do Deus Único, do Deus da Bíblia, de YHWH. O capítulo 44 de Isaías começa com essa lembrança: a de que fomos feitos pelo Senhor.

Mais do que isso: o Todo-Poderoso nos ajuda. Podemos confiar em suas promessas de auxílio, porque Ele é Deus, ou seja, perfeito e perfeitamente capaz de cumprir o que Ele promete. Por esta razão, os verdadeiros cristãos podem ter certeza de que as almas secas e sedentas terão dentro de si o Espírito Santo e a bênção divina.

Mas essa promessa só alcança àqueles que se identificam com esse Deus Soberano. Ele transforma sim, mas apenas a vida daqueles que dizem: "eu sou do Senhor", sou propriedade de Deus. As águas só brotam nos corações que escrevem na palma da mão que pertencem a Ele e que chegam ao ponto de não se identificarem mais com sua pátria terrena, para se declararem cidadãos do verdadeiro Israel, formado pelos filhos de Deus.

Além de mim não há Deus
Entretanto, há uma conseqüência nessas palavras que passa despercebida aos olhos da maioria dos brasileiros. Deus não aceita ser sócio de ninguém: quando Ele é dono de alguém ou de alguma coisa, Ele controla 100%. O Senhor não aceita dividir a Sua glória e Seus direitos de posse e Suas promessas são reservadas apenas para Israel. Traduzindo: Deus só promete matar a sede daqueles seres humanos que fazem parte de Seu povo e adoram somente a Ele.

Não adianta acender uma vela a Deus e outra ao diabo, ser um judeu parente de cristãos e buscar o favor de ídolos afro-brasileiros. Não dá pra desejar Feliz Natal e cometer idolatria no minuto seguinte: Jesus não aceita ser apenas mais um deus no panteão, Ele exige ser a única divindade. E, por isso, Deus adverte: além de mim não há Deus, não há outra Rocha que eu conheça.

E nada melhor para demonstrar isso do que descrever a rotina dos fabricadores de ídolos. Até hoje, em pleno século XXI, bilhões de pessoas vão atrás de estátuas feitas de ferro, madeira e outros materiais para render orações, depositar oferendas e até pedir por milagres. Mas esses deuses são feitos por seres humanos dos mesmos materiais que eles usam para cozinhar, construir ou trabalhar. Na verdade, são inferiores a nós. Mas a dureza é tão grande, que os olhos humanos não veem e seus corações não conseguem compreender o absurdo de buscarem os ídolos.
Anúbis: um dos muitos ídolos já postos no lugar de Deus

E mudar de estátua para anjo, orixá, espírito ou um outro "Deus" não representado não torna menor a cegueira. A Bíblia não nega a existência de seres espirituais capazes até mesmo de fazerem grandes milagres e sinais, como matar pessoas ou fazer cair fogo do céu. Mas esses seres não são Deus. Não se comparam ao poder do Criador de todas as coisas.

Fazendo uma comparação, um apresentador de TV pode sim fazer alguma coisa, como reformar carros e até mesmo todo um vilarejo, como fez Luciano Huck. Um ser espiritual pode até curar alguém de uma enfermidade. No entanto, só Deus pode salvar definitivamente uma alma seca e sedenta, morta pelos pecados e transformá-la por meio do Seu Espírito, de modo que ela se torna como um salgueiro plantado junto a correntes de águas! Os ídolos podem até mudar a sua vida neste mundo, mas Deus pode transformá-la para sempre, aqui e depois da morte.

O salgueiro junto às águas

Lembre-se disso, Israel
Por que então caímos nessa cegueira? A explicação é no pecado que habita em nós, que faz com que nos esqueçamos dessas verdades. Não é preciso muita razão para deixarmos de adorar estátuas ou percebermos que os seres espirituais são limitados em seu poder. Mas até o mais sábio dos homens acaba se esquecendo do Deus vivo e coloca um ídolo no lugar: seja o dinheiro, os prazeres ou até a sua própria racionalidade.

Precisamos nos lembrar de quem é Deus e do quanto Ele é superior aos demais. Em Isaías 44, o Senhor também pede aos israelitas que se lembrem das previsões que Ele fez por meio de Seus profetas e que se realizaram como uma prova de Seu poder superior. Hoje, Ele nos pede que façamos o mesmo. Podemos ver  hoje em nossas Bíblias uma série de profecias que se cumpriram, relatos feitos séculos antes do nascimento de Jesus e que se cumpriram à risca, desde o lugar de Seu nascimento até a Sua ressurreição, incluindo detalhes como a divisão de suas vestes pelos soldados romanos (Sl 22:18). O cumprimento destas predições é uma prova de que as outras profecias e verdades bíblicas são reais e irão acontecer.

Mas essa lembrança também é um convite a ação. Até hoje, Deus fala por meio do profeta Isaías, chamando não só a Israel, mas todas as nações da Terra ao arrependimento. Hoje o Senhor o convida a deixar para trás os ídolos e tornar-se propriedade exclusiva de Deus. O caminho está descrito nas palavras de Jesus Cristo:
Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida;ninguém vem ao Pai senão por mim. (João 14:6)

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:16-18)
Deixe para trás o caldeirão de deuses e venha servir ao Único Senhor. Garanto que Ele tem pra você algo muito melhor do que uma Lata Velha ou um Lar Doce Lar.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
FONTE:http://reformaecarisma.blogspot.com.br/2011/01/o-caldeirao-de-deuses-de-luciano-huck.html

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

BÍBLIA SAGRADA: O QUE DEUS PENSA SOBRE A "RAINHA DOS CÉUS"



1 - A PALAVRA que da parte do SENHOR, veio a Jeremias, dizendo:
2 - Põe-te à porta da casa do SENHOR, e proclama ali esta palavra, e dize: Ouvi a palavra do SENHOR, todos de Judá, os que entrais por estas portas, para adorardes ao SENHOR.
3 - Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar.
4 - Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este.
5 - Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras; se deveras praticardes o juízo entre um homem e o seu próximo;
6 - Se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal,
7 - Eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre.
8 - Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam.
9 - Porventura furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes,
10 - E então vireis, e vos poreis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos todas estas abominações?
11 - É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR.
12 - Mas ide agora ao meu lugar, que estava em Siló, onde, ao princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo Israel.
13 - Agora, pois, porquanto fazeis todas estas obras, diz o SENHOR, e eu vos falei, madrugando, e falando, e não ouvistes, e chamei-vos, e não respondestes,
14 - Farei também a esta casa, que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a vós e a vossos pais, como fiz a Siló.
15 - E lançar-vos-ei de diante de minha face, como lancei a todos os vossos irmãos, a toda a geração de Efraim.
16 - Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me supliques, porque eu não te ouvirei.
17 - Porventura não vês tu o que andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém?
18 - Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira.
19 - Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o SENHOR, e não a si mesmos, para confusão dos seus rostos?
20 - Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que a minha ira e o meu furor se derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, e sobre as árvores do campo, e sobre os frutos da terra; e acender-se-á, e não se apagará.
21 - Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios, e comei carne.
22 - Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.
23 - Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem.
24 - Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás, e não para diante.
25 - Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito, até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias madrugando e enviando-os.
26 - Mas não me deram ouvidos, nem inclinaram os seus ouvidos, mas endureceram a sua cerviz, e fizeram pior do que seus pais.
27 - Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão.
28 - E lhes dirás: Esta é a nação que não deu ouvidos à voz do SENHOR seu Deus e não aceitou a correção; já pereceu a verdade, e foi cortada da sua boca.
29 - Corta o teu cabelo e lança-o de ti, e levanta um pranto sobre as alturas; porque já o SENHOR rejeitou e desamparou a geração do seu furor.
30 - Porque os filhos de Judá fizeram o que era mau aos meus olhos, diz o SENHOR; puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para contaminá-la.
31 - E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração.
32 - Portanto, eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que não se chamará mais Tofete, nem Vale do Filho de Hinom, mas o Vale da Matança; e enterrarão em Tofete, por não haver outro lugar.
33 - E os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves dos céus e aos animais da terra; e ninguém os espantará.
34 - E farei cessar nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, a voz de gozo, e a voz de alegria, a voz de esposo e a voz de esposa; porque a terra se tornará em desolação.
FONTE: BÍBLIA SAGRADA, Jeremias 7:1-34, Versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel

A ARCA DA ALIANÇA JUSTIFICA A IDOLATRIA CATÓLICA?


Há alguns dias eu revi um velho amigo católico de velhos tempos de debate (um chato, é verdade, mas ainda assim amigo). Começamos a debater sobre o quadro que eu expus em meu artigo: Desmascarando a idolatria católica, onde eu faço um “contraste” entre aquilo que os católicos fazem com as suas imagens e aquilo que os pagãos fazem com as imagens deles. Vejam que surpreendente são as diferenças visíveis e marcantes entre um e outro: 

Católicos
Pagãos
Prostram-se diante de suas imagens
Prostram-se diante de suas imagens
Dirigem orações e pedidos a elas
Dirigem orações e pedidos a elas
Constroem templos com essas imagens
Constroem templos com essas imagens
Beijam essas imagens
Beijam essas imagens
Dirigem promessas a essas imagens
Dirigem promessas a essas imagens
Prestam culto a essas imagens
Prestam culto a essas imagens
Fazem procissões às suas imagens
Fazem procissões às suas imagens

Sim, é de ficar emocionado com tantas diferenças. O católico, então, tentou contra-argumentar com o famoso (embora falido) argumento da “arca da aliança”. Para ele, os israelitas faziam com a arca da aliança o mesmo que os católicos fazem com as suas imagens. Então, ele chegou a brilhante conclusão de que os católicos podem continuar praticando a vontade tudo aquilo exposto no quadro acima (e presumo que os pagãos também, por inferência), porque os hebreus faziam tudo isso com a arca da aliança.

Como eu irei demonstrar aqui, este argumento é, além de falso, falacioso. Não é verdade que os hebreus praticavam com a arca tudo aquilo que os católicos praticam com suas imagens de escultura, assim como não é verdade que a arca da aliança tinha o mesmo valor e significado dessas imagens mortas do Catolicismo e dos ídolos mudos dos pagãos. O quadro é totalmente diferente. Na arca da aliança, o próprio Deus se fazia nela presente.

Ora, pergunto eu: Deus se faz presente em qualquer imagem de escultura? É claro que não! Mas no caso da arca, Deus se fazia presente. Assim, sendo, Deus se fazia nela pessoalmente presente e não de forma representativa. Em nenhuma passagem bíblica vemos Deus dizendo que poderia se fazer presente em nenhuma outra obra de escultura feita por mãos de homens, especialmente as que tentam representá-lo ou a santos.

Somente dentro do tabernáculo Deus decidiu-se em estar presente e, mais especificamente, dentro da arca, e exatamente por isso é que Josué achou que não teria problema em se prostrar diante dela, pois Deus dentro dela dizia estar presente. Ou seja, estamos falando aqui de contextos totalmente diferentes. Ou será que Deus está dentro das imagens católicas também? Essa seria no máximo para rir!

Prova disso é que, ao longo de toda a Escritura, não há sequer uma única menção de um único israelita verdadeiramente pio que tenha se curvado diante de alguma obra feita por mãos de homens que não fosse a arca. E, mesmo no caso da própria arca da aliança, o fato é que tal ocorrência sucedeu somente uma única vez, e mesmo assim Deus não concordou com aquela prática:

Josué:
7:6 Então Josué rasgou as suas vestes, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até à tarde, ele e os anciãos de Israel; e deitaram pó sobre as suas cabeças.
7:7 E disse Josué: Ah! Senhor Deus! Por que, com efeito, fizeste passar a este povo o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus para nos fazerem perecer? Antes nos tivéssemos contentado em ficar além do Jordão!
7:8 Ah, Senhor! Que direi? Pois Israel virou as costas diante dos inimigos!
7:9 Ouvindo isto, os cananeus, e todos os moradores da terra, nos cercarão e desarraigarão o nosso nome da terra; e então que farás ao teu grande nome?
7:10 Então disse o Senhor a Josué: Levanta-te; por que estás prostrado assim sobre o teu rosto?

Notem que Deus não consentiu com aquele ato de Josué. Ao invés de elogiá-lo por ter se prostrado diante da arca, ele rejeitou tal atitude. É óbvio que Deus não rejeitou pelo simples fato de estar prostrado (pois estar prostrado diante de Deus nunca foi alvo de rejeição da parte dEle, pois é um ato de reverência), mas sim porque estava prostrado diante de arca. Este é um fato importante a ser ressaltado:

-Em absolutamente nenhum lugar da Bíblia Deus rejeita ou corrige a atitude de alguém que se prostra diante dEle; porém, na única vez em que alguém se prostrou diante da arca, Deus rejeitou e corrigiu tal atitude!

É evidente, portanto, que o Senhor não consentiu com o ato de Josué em ter se prostrado diante da arca, ainda que a arca representasse a presença do próprio Deus, espiritualmente presente em pessoa! E o que aconteceu, desde então? O fato é que nunca mais algum israelita se prostrou diante da arca (nem o próprio Josué), pois eles entenderam que nem a própria arca, embora fosse o objeto mais santo dentre os israelitas, poderia ser alvo de tal coisa.

Mas fica a pergunta no ar: se Deus se agradou da atitude de Josué em ter se prostrado diante da arca, então por que nunca mais algum israelita e nem o próprio Josué voltaram a fazer tal coisa? Ora, se tal atitude é correta, nobre, agradável aos olhos de Deus... então por que nunca mais eles repetiram este ato?! A razão é simples: Josué entendeu muito bem a advertência divina em Josué 7:10. A arca não era um objeto ao qual pudesse se prostrar diante dela, por mais santa que fosse. E Josué deve ter entendido muito bem o recado, pois corrigiu sua postura e nunca mais repetiu tal ato!

Então, temos aqui o seguinte quadro:

1º A única vez em toda a Sagrada Escritura em que alguém verdadeiramente pio se prostrou diante de um objeto (imagem) foi no caso da arca da aliança. Em nenhum outro lugar da Bíblia algum servo de Deus aparece fazendo isso.

2º Além do fato de que a arca foi o único objeto ao qual eles se prostraram e nenhum outro mais, o fato é que tal ocorrência se deu uma única vez, e nunca mais se repetiu.

3º A decisão de Josué em se prostrar diante da arca não se deu pelo fato de que era costume entre os hebreus se prostrar diante de imagens. Se fosse assim, teríamos muitas outras ocorrências bíblicas dos judeus se prostrando diante de imagens que representassem Deus ou algum santo e sendo elogiados por causa disso, mas simplesmente não temos. Então, o caso da arca era especial e excepcional.

4º Este caso excepcional e totalmente fora de costume se deu unicamente pelo fato de que Josué acreditou naquela ocasião que, pelo fato de que a arca continha a presença de Deus dentro dela (o que a diferenciava de absolutamente todas as outras imagens de escultura na terra), ele estaria não se prostrando diante de uma imagem, mas diante do próprio Deus.

5º E, mesmo assim, ele foi corrigido por Deus por causa deste ato, e nunca mais voltou a realizá-lo!

Este quadro é simplesmente apavorante para os católicos. Isso porque, se Deus rejeitou que se prostrassem diante de uma imagem que tinha dentro dela a presença dEle mesmo, quanto mais com uma imagem que não tem a presença pessoal de Deus em si mesma! E, se Deus rejeitou que se prostrassem diante de uma imagem que representava verdadeiramente o próprio Deus, quanto mais com uma imagem que representa um mero santo!

O contraste aqui é marcante: Deus rejeitou que se prostrassem diante de uma imagem onde ele estava presente, mas os católicos pensam que Deus não rejeita que se prostrem diante de imagens onde ele não está, e que são meramente representativas! Deus rejeitou que se prostrassem diante de uma imagem onde o próprio Deus estava presente e que, para Josué, o fato de se prostrar diante dela seria se prostrar diante de Deus.

Mas os católicos, com a desculpa de que estão se prostrando não para a imagem, mas para o santo, acham que estão isentos de culpa! Ora, se nem mesmo com uma imagem que realmente representava Deus de fato (a presença dEle pessoalmente presente) Ele aceitou tal coisa, quanto menos com uma que represente um mero santo, que está muito abaixo do próprio Deus!

Então, vemos que, aquilo que teoricamente foi feito para defender os católicos das acusações protestantes contra o culto às imagens, na verdade se volta contra eles mesmos, com ainda mais força. Tal “argumento” católico, descontextualizando o texto de Josué 7:6, só serve para afundar ainda mais a teologia católica e colocá-la ainda mais em apuros. E, se este é o argumento mais forte que eles têm, imagine só qual será o nível dos outros...

Ainda poderíamos levantar outros fatos, tais como:

1º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca consideraram a arca da aliança um intermediário ou mediador entre eles e Deus.

2º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca prestaram culto à arca da aliança.

3º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca rezaram à arca da aliança.

4º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca esperaram alguma intercessão da arca da aliança.

5º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca dirigiram promessas à arca da aliança.

6º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca subiram as escadarias do senhor do Bonfim ou rezaram o terço para provarem a sua fidelidade à arca da aliança.

7º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca construíram templos em honra à arca da aliança.

8º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca beijaram a arca da aliança para mostrarem o quanto que “a amam”.

9º Os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, nunca colocaram a sua confiança na arca para obterem êxito em uma causa ou batalha. Quando colocaram, perderam (1Sm.4:3-11).

10º E, finalmente, os israelitas, diferentemente dos católicos com suas imagens, somente se prostraram uma única vez diante da arca (Js.7:6), e neste mesmo caso foram corrigidos por isso (Js.7:10) e nunca mais voltaram a fazer tal coisa. Já os católicos se prostram a todo o momento diante de suas imagens de pau e pedra e acham que Deus está feliz da vida com isso.

Portanto, usar um caso isolado e único com relação à arca para justificar as práticas católicas é no mínimo querer ser ignorante. As diferenças entre um e outro são visíveis e marcantes. Tal “argumento” é, assim, no mínimo uma piada de muito mau gosto.

Antes de terminar, vale a pena ressaltar outro fato importante: esta falácia da arca da aliança, se fosse mesmo verdadeira e se pudesse mesmo ser usada de pretexto para as práticas idólatras católicas, faria com que até mesmo os próprios pagãos pudessem se justificar com isso. Um pagão também poderia repetir com o católico: “nós nos prostramos diante de uma imagem e lhe rendemos culto, mas veja bem, isso não é um problema, pois Josué fez o mesmo com a arca...”.

Tal argumento serviria para justificar até mesmo as práticas pagãs. Portanto, ao invés de distanciar os católicos dos pagãos, o que eles conseguem com esta falácia é apenas acentuar ainda mais a proximidade entre ambos. Sendo assim, nem o quadro mostrado acima (das “diferenças” entre católicos e pagãos) seria refutado, nem serviria para distanciar os católicos dos pagãos. O máximo que conseguiria com o “êxito” de tal argumento seria mostrar que ambos estão certos em suas práticas idólatras. Seria aproximar, e não afastar as semelhanças marcantes entre ambos.

Até porque, dada a devida prática idêntica de católicos e pagãos no tocante ao culto às imagens, fica difícil um católico apontar um único erro na prática que um pagão pratica com as suas imagens. O máximo que ele poderia apontar seriam erros teológicos (em considerar aquilo um ídolo), mas não erros práticos (pois na prática um pagão faz com seu ídolo o mesmo que o católico faz com seu santo). E parece-me que os católicos se contentam em seguirem os mesmos passos e pretextos dos pagãos com as suas imagens, com as mesmas práticas repugnantes, mas com “argumentos teológicos” diferentes...

Paz a todos vocês que estão em Cristo. 

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)
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