Vi na internet uma
frase de A. W. Tozer que dizia o seguinte: “O Diabo é melhor teólogo do que
qualquer um de nós, mas continua sendo Diabo.” Gostei tanto do dito que passei
um bom período refletindo sobre ele. Um pensamento foi puxando outro até que eu
relacionasse com o episódio da tentação de Jesus, onde Satanás usou a Bíblia
para pô-lo a prova. Naquela ocasião fica realmente claro que o inimigo de
nossas almas é conhecedor das Escrituras, e que a manipula segundo a sua
conveniência. Aliás, distorcer e seduzir faz parte de seu ofício e desde o Éden
sabemos disso.
Nos dias atuais, não
há maior distorção bíblica do que a Teologia da Prosperidade que vem se
alastrando através do crescimento do neopentecostalismo. Kenneth Hagin, tido
como o pai de tal teologia, também conhecida pela alcunha de “Confissão
Positiva”, na verdade plagiou Essek W. Kenyon, que décadas antes havia escrito
e divulgado boa parte do que Hagin divulgou para o mundo. Todavia, observando
os ensinamentos e a abordagem dos pastores da prosperidade, vemos que muito se
assemelham a atuação diabólica presente no Deserto da Judeia.
Aos adeptos da
Confissão Positiva: ficar doente, desempregado, ter problemas familiares ou de
qualquer outra natureza são resultantes da falta de fé. Esta fé deve ser
provada. O jeito melhor de se provar a sua fé é através de uma contribuição
financeira. Quanto mais se doa (em cash), mais abençoado (próspero) se é. E se
as coisas não saíram do jeito que você gostaria, é porque você não teve fé
suficiente, ou seja, você não deu a quantidade de dinheiro que deveria dar.
A barganha descrita
no parágrafo acima é a mesma que Satanás usou com Jesus. Isso faz dele o
referencial teórico, ou melhor dizendo, fundador da Teologia da Prosperidade.
Vejamos a forma com que ele abordou Cristo:
Usando o relato do
Evangelho de Lucas 4:1-13, analisemos que Jesus foi impelido pelo Espírito a
ser tentado e num momento de debilidade física após 40 dias de Jejum o Diabo se
aproxima sutilmente e diz: “Se és o Filho de Deus, manda esta pedra
transformar-se em pão.” Ora, é sabido que Jesus estava com fome e que sua
natureza humana ansiava por comida. A primeira proposta satânica é a de
satisfazer os nossos desejos carnais. A nossa vontade terrena clama por ser
alimentada e é isso que Satanás propõe. Em seu discurso, põe em cheque a
debilidade de Cristo com a sua filiação: Como pode o Filho de Deus passar por
tal situação?
De igual modo,
assisti pela televisão um pregador dizer que por sermos filhos devemos exigir
os nossos direitos e não ficar mendigando benção. E sinto informar-lhes que
foram exatamente essas as palavras usadas: exijam seus direitos. No deserto
Cristo não se deixou levar por tal argumento. Muitos evangélicos acham que
devem se sobressair. Boa parte quer ver Deus “tirar do ímpio” para então lhe
honrar com um carro, uma casa ou uma vaga de emprego. Mas a Bíblia diz que o
sol nasce para todos e a chuva cai para justos e injustos (Mt 5:45) e que não
somos privilegiados, pois éramos como os outros, merecedores da ira (Ef 2:3).
Jesus sabia qual era
a sua missão e não faria um milagre em benefício próprio. Ele esvaziou-se de si
(Fl 2:7) por amor e obediência ao Pai e não negaria o propósito de sua
encarnação. Por isso responde: “Não só de pão viverá o homem.” Fiquemos
atentos de que não só das coisas materiais consiste a vida. Se esperarmos em
Cristo só nessa vida somos mais que miseráveis (1 Co 15:19). Não adianta ganhar
o mundo e em troca perder nossa alma (Mc 8:36). Ajuntemos, pois, tesouros no
Céu e busquemos com prioridade o Reino de Deus (Mt 6: 19 e 33) . Confiemos na
provisão do Pai, assim como Cristo confiou.
Continuando a sua
investida maléfica, Satanás mostra os reinos do mundo e oferece caso Jesus o
adore. O Messias diante de todo o esplendor sabia muito bem que, como disse o
teólogo Abraham Kuyper, não há um centímetro quadrado do Universo que o Senhor
não declare seu. Essa barganha é típica do Inimigo e não pertence a Deus. Por
isso que a pregação “toma lá da cá” é herética e obscura. Deus age por graça e
misericórdia, quem faz trocas é o Demônio.
Os judeus aguardavam
um messias político que governaria universalmente subjugando todos os povos. A
segunda tentação usava essa falsa exegese das promessas veterotestamentárias e
assediava a Jesus a ter a glória e a aceitação dos homens. Cristo, devotado só
ao Pai retruca citando a Lei: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás e somente a ele
servirás.” Louvado seja o Senhor, digno de honra pelo que é e não somente
pelo que nos faz. Já nos alertava Flavel: “Todo homem ama as bênçãos de Deus,
mas um santo ama o Deus das bênçãos.”
Nas duas respostas
que Cristo deu ao nosso adversário usou as Escrituras, para ser mais preciso o
livro de Deuteronômio (8:3 e 6:13). Satanás ousa guerrear com a “mesma arma” e
usa o Salmo 91. Em que consiste o elemento da terceira tentação? Exacerbação da
fé. O ato de Jesus se lançar do Templo para que os anjos viessem ao seu favor
ao invés de glorificar a Deus O coagiria. O Diabo com isso queria simplesmente
que o Filho desafiasse o Pai.
Quantos e quantos
irmãos não estão por aí colocando “Deus contra a parede” querendo que Ele
realize um conveniente milagre? As igrejas neopentecostais estão cheias disso.
Gente que sobe no púlpito e decreta, declara, determina e diz que se Deus é
Deus mesmo ele tem que fazer e ponto. Afinal, quem é servo e quem é senhor?
Jesus sabia de sua condição servil e não inverteu a ordem. Seu papel seria
obedecer e não ordenar e novamente citando Deuteronômio (6:16) põe literalmente
o diabo pra correr.
A
guisa de conclusão enfatizo que a Teologia da Prosperidade é anátema. Pois
prega um Evangelho distorcido da doutrina dos apóstolos e se assemelha muito
mais com a metodologia de Lúcifer. Finalizo com a provocação de um escritor
inglês chamado Roger L’estrange: “Aquele que serve a Deus por dinheiro servirá
ao diabo por salário melhor.” Aqui me disperso. Graça e Paz.
***
Sobre o autor: Thiago S. Oliveira, Recifense, Noivo, Cristão
Reformado... um notório pecador remido pela Graça!
Escutar
de algum pregador que Jesus era rico e quem segui-lo será próspero
financeiramente, soa como uma garantia de ganhar na loteria! Infelizmente,
muita gente tem este conceito como premissa para frequentar uma igreja. Afinal:
se Jesus foi rico, eu também quero ser – dizem os seguidores da teologia da
prosperidade e confissão positiva! Vejam as declarações feitas por alguns
famosos precursores deste movimento, desde os EUA até aqui no Brasil:
“João
19 nos diz que Jesus usava roupas de griffe... A túnica era sem costura, tecida
de cima até embaixo. Era o tipo de vestimenta que os reis e os mercadores ricos
usavam” (John Avanzini, gravado em 20.1.1991, no programa de Kenneth Copeland).
“Jesus
tinha uma roupa tão bonita, tão cara, que os soldados disputaram para ver quem
ficaria com ela. Outra coisa, Jesus era acompanhado por mulheres ricas que o
serviam. Ele tinha seus doze discípulos e mais um grupo de 20 a 30 pessoas para
alimentar diariamente. Quanto custa isso? A casa de Lázaro e outras residências
onde ele se hospedava eram de classe média na época, ou até mesmo média-alta.
Portanto, eu não consigo enxergar na Bíblia Jesus como uma pessoa paupérrima.
Ele viveu como um rabi, que era um mestre. Eu não vejo Jesus pobre, mas vejo
que ele demonstrava no seu estilo de vida excelência, tinha uma vida abençoada
– multiplicou pães, proveu boa pescaria aos seus discípulos. Como Senhor e
Deus, ele tinha acesso às riquezas.” (Bispo Robson Rodovalho, Revista Eclésia,
edição 109)
“Sabe,
Jesus e os discípulos nunca andaram num Cadilac. Não havia Cadilac naquela
época. Mas Jesus andou num jumento. Era o "Cadilac" da época — o
melhor meio de transporte existente.” (Kenneth Hagin, A Autoridade do Crente,
p. 48.)
Declarações
como estas são muito comuns nos dias de hoje, por conta da propagação da
teologia da prosperidade no Brasil. Trata-se de um conceito que foi importado
dos EUA, fixado atualmente como um forte pilar das igrejas neopentecostais
brasileiras. Porém, como cristãos não deveríamos absorver ensinamentos sem
antes analisar biblicamente para ver se, de fato, procedem ou não das
Escrituras, o que no caso apresentado leva-nos ao seguinte questionamento: Será
que realmente Jesus foi rico? Será que ser rico financeiramente é promessa de
Jesus para nós?
De
fato, Jesus ensinou princípios “riquíssimos” sobre prosperidade material,
vivenciados inclusive em sua própria vida terrena. Porém, biblicamente veremos
que em nada confere com as afirmações dos propagadores da teologia da
prosperidade.
Antes
de continuar, esclareço que eu não defendo de forma alguma a “teologia da
miséria”, creio plenamente que Deus nos sustenta e supre as nossas
necessidades, bem como prospera alguns conforme a sua soberana vontade. Porém,
entendo que o grande problema é deixar de buscar a Deus pelo que Ele é em troca
daquilo que Ele pode nos dar. Portanto, o que vou analisar exclusivamente neste
artigo é a afirmação de que supostamente Jesus era rico e que Ele promete
riquezas para os seguidores. Vejamos:
Em
primeiro lugar, Jesus era e sempre será rico eternamente em sua posição
gloriosa no céu, porém abdicou-se de sua glória celestial e veio à terra viver
como um homem de maneira humilde, a fim de sofrer e morrer por nós: “pois
conhecereis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre
por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.” (2Co
8:9)[1] Ao contrário do que afirmam os defensores da teologia da prosperidade,
nesta passagem está claríssimo que Jesus não era rico, o propósito d’Ele era
exatamente o contrário. Cristo tornou-se pobre no mundo não para trazer
riquezas materiais a humanidade, mas sim a salvação que é a verdadeira riqueza,
por consequência a transformação de vida em amor para com o próximo. No
contexto de 2Co 8, Paulo utiliza o exemplo da posição de glória que Cristo
desfrutava com o Pai e que foi sacrificada por Ele a fim de nos auxiliar (Fp
2:5-8) para mostrar que, da mesma forma, os crentes de Corinto deveriam
sacrificar algo para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém. Paulo incentiva-os
a ofertar aos irmãos necessitados como um ato cristão de amor e cuidado.
Desde
o início da vida terrena de Jesus, o propósito d’Ele de fazer-se humildemente
pobre foi manifestado, a começar pelo seu nascimento: “E ela deu à luz o seu
filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia
lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2:7) Em tese, seguindo a lógica da
teologia da prosperidade, seria bem mais apropriado que Jesus Cristo tivesse
nascido em um palácio, num berço de ouro forrado com tecido fino e vários
criados para servi-lo. Porém, Jesus nasceu num estábulo e colocado numa humilde
mangedoura para demonstrar desde o início o propósito de ir contra a ganância e
as riquezas deste mundo.[2] A Bíblia indica que Maria e José eram pobres, pois
quando Maria foi apresentar Jesus no templo, a oferta de sacrifício oferecida
(segundo a lei mosaica - Lv 12:8) era oferta de pobre: "e para
oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida lei: Um par de
rolas ou dois pombinhos." (Lc 2:24) Isto prova, pelo menos na
época do nascimento de Jesus, que José não era financeiramente estável por
conta de sua profissão de carpinteiro.
Quando
Jesus começou seu ministério terreno, Ele largou tudo o que tinha (família,
lar, conforto etc.) para dedicar-se integralmente ao propósito do evangelho.
Tudo o que era necessário para o suprimento natural de Jesus foi providenciado
pelos próprios discípulos, prova disso é o fato de que algumas mulheres
serviram Jesus com seus bens (Lc 8:1-3).
Jesus, conhecendo o coração das pessoas, ao responder alguém que queria
segui-lo provavelmente para buscar benefício próprio, disse que "As
raposas têm seus covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não
tem onde reclinar a cabeça". (Lc 9:58) Note que Cristo aborda
exatamente a questão “moradia”, uma resposta clara que refuta a afirmação de
alguns pregadores da prosperidade de que Jesus possuía uma enorme mansão em
Jerusalém.
Na
primeira multiplicação de pães e peixes, os discípulos poderiam muito bem sair
para comprar os alimentos para o povo, porém os mesmos questionaram Jesus
justamente pelo fato de não terem condições para tal feito. Foi necessário a
operação de um milagre para alimentá-los (Mc 6:34-44).
Certa
ocasião, quando Jesus chegou em Cafarnaum (Mt 17:24-27), ele não tinha dinheiro
para efetuar o pagamento do imposto da cidade, sendo necessário operar um
milagre através de Pedro para efetuar o pagamento. Ao perguntarem para Jesus se
era lícito pagar tributo a César, Jesus respondeu: “Por que me
experimentais? Trazei-me um denário, para que eu o veja” (Mc
12:14-16). Se Jesus fosse rico, com certeza teria uma moeda no bolso para usar,
porém foi necessário alguém trazer uma para que Jesus pudesse vê-la.
A
afirmação dos pregadores da prosperidade de que o Jumento que Jesus utilizou
para entrar em Jerusalém, era como se fosse um Cadilac ou uma BMW da época,
chega a ser ridícula e mostra o despreparo bíblico dos defensores da teologia
da prosperidade. Ora, basta uma análise no contexto cultural para perceber que
a “BMW” da época na verdade eram as carruagens e os cavalos, e não um jumento!
Na Bíblia vemos claramente um exemplo disso: "Eis que um etíope,
eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente
de todo o seu tesouro, que no seu carro, viera adorar em Jerusalém, estava de
volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías.”(At 8:27:28)
Além disso, o Jumento não era de Jesus, mas emprestado!
Ao
contrário do que Rodovalho e John Avanzini afirmam, as roupas de Jesus no geral
não eram de rico, pois os soldados tomaram as vestes e "rasgaram-nas em
quatro partes" (Jo 19:23-24), somente a túnica (peça íntima que ficava
debaixo das vestes) que era algo realmente nobre naquela época, pois não tinha
costura e era tecida de cima abaixo. Por isso que os guardas lançaram sortes
para ver quem ficaria com a mesma. Provavelmente tal peça pode ter sido doada
por algum discípulo. Afinal, tudo ou quase tudo o que Jesus possuía durante o
seu ministério era doado pelos discípulos que o acompanhavam, entre os quais
alguns financeiramente prósperos, que era o caso das mulheres descritas em
Lucas 8:1-3. O próprio túmulo de Jesus foi emprestado (Lc 23:50-53)!
Os
pregadores da teologia da prosperidade, tentando contra-argumentar, ainda
colocam que os apóstolos eram prósperos financeiramente. Porém, a Bíblia
claramente refuta esta idéia. Dentre vários exemplos bíblicos, podemos listar
alguns: Quando Pedro e João chegaram à porta do templo, onde um coxo de
nascença pediu-lhes uma esmola. Se os apóstolos fossem ricos, com certeza eles
teriam dado dinheiro ao pedinte, porém eles afirmaram: “Não possuo nem
prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o
Nazareno, anda!" (Atos 3:1-8), e o homem foi curado. O apóstolo
Paulo passou por muitas necessidades financeiras ( Fp 4.10-20, 2Co 11.27),
inclusive tendo que trabalhar fabricando tendas para se sustentar (At 18:3). O
mesmo também ensinou a respeito da expectativa de buscar riquezas materiais: “Tendo
sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar
ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e
perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do
dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e
a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (I Tm 6.8-10)
Como
podemos ver, não existe base bíblica para afirmar que Jesus e os apóstolos eram
ricos. Na verdade, Cristo nunca defendeu a busca por riquezas materiais, pelo
contrário, condenou-a mostrando o verdadeiro padrão a ser almejado: “Não
acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem
corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros
no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam;
porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a
lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;
se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas.
Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!
Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar
ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e
às riquezas.”(Mt 6.19-24). Ele exortou-nos a buscar primeiramente o
reino de Deus e a sua justiça, sendo que o suprimento necessário virá
naturalmente de Deus (Mt 6:25-34). Não devemos ter preocupações exageradas pela
nossa sobrevivência, nem pelos cuidados materiais gananciosos, pois Jesus
afirmou que este conceito é, de fato, o mais claro sinal de avareza na vida de
alguém: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque
a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Mt
12.15)
Todavia,
é importante salientar que devemos também seguir o exemplo dos cristãos da
Macedônia, onde mesmo em meio de muita pobreza, manifestaram abundância de
generosidade ao preparar ofertas para ajudar os irmãos da igreja de Jerusalém
em dificuldades financeiras. (2Co 8:1-4)
Quanto
aos cristãos financeiramente prósperos, a Bíblia diz: “Exorta aos ricos
do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na
instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para
nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em
dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido
fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” (1Tm
6:17-19) João Calvino interpretou este fundamento com clareza: “aqueles a
quem houvermos de ver premidos pelas dificuldades das coisas,
compartilhemos-lhes das necessidades e com nossa abundância supramos-lhes a
falta de recursos.” [3] (Veja também 2Co 9:1-15)
Enfim, há muito mais passagens bíblicas que tratam sobre o assunto, mas
creio que as citadas neste artigo sejam suficientes para esclarecer a questão.
Soli
Deo Gloria!
Notas:
1 - A tradução bíblica utilizada no artigo é a Almeida Revista e Atualizada -
SBB.
2
- Observação simbólica feita por A.W. Pink, em "Por que Jesus nasceu numa
mangedoura?"
3
- CALVINO, João. As Institutas Vol. 2. Casa Ed. Presbiteriana. São Paulo, 1985.
P. 168
Todos sabem que existem vários versículos que
provam veementemente que a teologia da prosperidade está correta. Fiz uma
pequena coletânea entre os milhares versos que existem e trouxe a vocês os 20
mais importantes.
1- “Deus quer te abençoar, mas se você não
ofertar, Ele não terá poder de fazer isso por você” (II Heresias 3. 16)
2 – “Você pode desonrar seu pai e sua mãe e até
deixá-los passar necessidades, mas nunca seu apóstolo” (I Apostolicensses 1.1)
3 – “A oferta é a alavanca que move a mão de Deus
a seu favor” (1 Cretinices 4. 3)
4 – “A fé sem ofertas é morta” ( 1 Dólar 1. 8)
5 – “E Jesus entrou em Jerusalém montando seu
jumentinho de dez mil talentos” (Juao 15. 23)
6 – “Disse o apóstolo, cheio do espírito, a todos
que o ouviam: Minha conta corrente é 1.000/07” (II Conta Corrente 1. 71)
7 – “Assim que a oferta entrar na conta corrente
deus dirá ao anjo Money: Destranque as janelas do céu e prenda o devorador na
casinha” ( II Malaquias 3.15)
8 – “É com a semente que sai da sua carteira que a
obra de deus é realizada na terra” ( I Heresias 2. 8)
9 – “Participe das campanhas de vitória financeira
e Deus tirará dos ricos e dará a você” (1 Robin Hood 2. 3)
10 – “E alguns paulistanos foram mais nobres que
os de Boraceia, pois semearam nesse ministério em dólar.” ( 1 Tio Patinhas 1.
7)
11 – “deus quer te dar a melhor roupa, o melhor
carro, a melhor casa… só não te deu ainda porque você não tem determinado isso
a ele com fé” (Absurdicensses 1. 25)
12 – “Assim ordenou também o senhor que os que
pregam o evangelho que fiquem ricos com o evangelho” ( I Falácia 1. 1)
13 – “Primiciar é mover a mão de Deus a seu favor
e a favor dos donos da igreja” ( I Primicias 1. 1)
14 -“Confia no senhor, dê sua oferta, faça
sacrifícios financeiros e os seus desígnios serão estabelecidos”
(Absurdicensses 8. 32)
15 – “E Gesuis encontrou no templo os que vendiam
bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; parabenizou-os pelas
boas vendas que faziam, porém, expulsou os que ali oravam e quebrantavam seus
corações, mas não ofertavam e nem compravam nada, bem como todo pobre que ali
estava, e disse-lhes: A casa me meu pai é casa de negócio e não um covil de
doentes e pobres!” (Indireticensses 2. 8)
16 – “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de
uma agulha do que entrar alguém que não oferta, que não primicia, que não faz
sacrifícios financeiros, nas igrejas da teologia da prosperidade” ( Sofismas 3.
12)
17 – “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todas
as bênçãos” ( 1 Mamon 1. 1)
18 – “Sacrifícios agradáveis a deus são os dízimos
e as ofertas; coração que determina e exige, não os desprezarás, ó deus”
(Salmos de Mamon 119. 3)
19 – “O maior mandamento é: Amarás a Mamon, teu
deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O
segundo, semelhante a este, é: Honre e oferte aos seus líderes como a ti mêsmo”
( 2 Leis de Mamon 2. 15)
20 – “Pelas suas ofertas o conhecereis. Pode,
acaso, de um coração cheio de fé e do espírito, sair uma oferta pequena?
(Apolion 15. 12)
E agora, sob o ponto de vista desse versículos,
concorda que a teologia da prosperidade está certa?
Sabe que eu até gosto de algumas coisas
que ele diz... Se bem que combinam mais com um ativista político do que com um
representante de Deus! O homem tem muitos fãs e corro o risco de ser escrachado
sem direito a fiança, mas não custa recorrer ao bom senso. Dias depois de
ter transmitido em seu programa a segunda parte da mensagem
que desafiaria seus críticos, o pastor Silas Malafaia escreveu
um artigo no site Verdade Gospel dizendo que ninguém conseguiu
provar que ele está errado ao pregar sobre prosperidade financeira.
Primeiro vamos a algumas peças que vagam nos blogs evangélicos, do próprio
Malafaia e do site Aspecto Gospel:
"Sobre os blogueiros que aceitaram
o desafio ele diz que são invejosos que usam a internet para caluniar e difamar
aqueles que conquistam espaços e ainda os classificou de 'ilustres
desconhecidos'. 'São pessoas frustradas, recalcadas, invejosas, onde o sucesso
dos outros incomoda muito mais do que seu fracasso ou mediocridade', completa o
pastor. Para ele o interesse de quem tentou mostrar que suas pregações
são incoerentes são pessoas sem 'nenhuma notabilidade' que tem como objetivo
'crescer a custa da história dos outros'.
Malafaia ainda usa o espaço para
reafirmar o desafio. 'Continuo desafiando quem vai me contraditar na
palavra de Deus! Se você não acredita em prosperidade é problema seu. Em
síntese, prosperidade é obedecer as leis de Deus'.
Muitos escritores cristãos usam a internet para pregar contra pastores,
que assim como Malafaia, falam de bênçãos materiais em suas pregações e
estimulam a doação de ofertas para alcançá-las. Para tentar provar para essas
pessoas que ele não está errado, o pastor da Assembléia de Deus Vitória
em Cristo desafiou os blogueiros a provarem que há incoerência bíblica
em suas pregações".
“Os desafiei a contraditar na Bíblia, e
até agora não apareceu um, a não ser bravatas, calúnias, argumentações
filosóficas, e pasmem: montagem de vídeos com minhas falas,
se utilizando de parte de mensagem, igualzinho aos ímpios inescrupulosos fazem
quando querem difamar alguém”, disse.
"Quem critica não faz nada. Você conhece
alguma coisa que algum crítico construiu? Crítico é um recalcado que tem
sucesso da obra alheia”, finalizou.
“Filho, instrumento de
satanás para perturbar a fé e a igreja. Te cuida malandro. Te cuida meu chapa,
porque Deus é juiz”.
Primeiro vamos aquela passagem em1 Pedro 3.15: "Antes santificai a Cristo, como Senhor,
em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e
temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”, que os
próprios pastores o lembraram e a que Malafaia responde - “Primeiro
quem falaistoé um idiota! Desculpe a expressão, mas comigo não tem colher de chá! Por
que quando é membro eu quebro um galho, mas pastor não: é um idiota. Deveria
até mesmo entregar a credencial e voltar a ser membro e aprender. Para começar
não sabe nada de teologia, muito menos de prosperidade. Existe uma confusão e
um radicalismo, e todo radicalismo não presta”.
Novamente os pastores o recordam quanto ao que vem
em2
Timóteo 2.24,25 onde está
escrito: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para
com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem”.
"O próprio Silas Malafaia, durante muitos
anos, foi um ferrenho oponente da teologia da prosperidade. Há, inclusive,
vídeos no YouTube que apresentam sua verberação contra essa heresia. Mas ele
não entregou a sua credencial de pastor nem voltou a ser membro para aprender.
Pelo que tudo indica, a sua mudança de crítico da aludida heresia para
propagador dela ocorreu por influência do telemilionárioMurdocke outros.
O reverendo Caio Fábio concedeu uma entrevista ao
blogueiro Danilo Fernandes, do blog Genizah
Virtual e falou sobre temas que envolvem o presente e o
passado da igreja evangélica brasileira.
Falando sobre Silas Malafaia, o reverendo Caio Fábio afirma que o pastor
líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo é um
“menino” e conta que viu o surgimento e crescimento dele, e também acusa o
pastor de ter recebido dinheiro de Edir Macedo durante um
tempo:
“Silas é ‘H’,
é garganta. Bota o Silas sentado aqui comigo e vê como ele não vira um
garotinho bonitinho, legalzinho, quietinho, educadinho, todo fofinho. Ele tira
essa onda toda lá, aqui comigo, é outra história. O Silas sabe que não aguenta
uma olhada dentro dos meus olhos. E tem mais: me respeita mais do que se sonha
que ele me respeita. Ele sabe que aqui não tem brincadeira de Deus, e ele sabe
de uma outra coisa também: tudo que eu digo a respeito dele tem a ver com a
traição que ele faz ao evangelho, com a venalidade que ele praticou a vida
inteira, vendendo a alma em qualquer direção, e vinha me pedir perdão, como no
tempo que o Macedo pagou a ele durante anos US$ 40 mil por mês. Ele sabe, o
Jabes Alencar sabe, o Macedo sabe, todo mundo sabia”.
Caio Fábio afirma ainda que hoje não se faz
10% do trabalho social que era feito antes do surgimento da Teologia da
Prosperidade: “Quem é que vai fazer obra social quando o negócio da Teologia da
Prosperidade é que cresçam os miseráveis? Porque a Teologia da Prosperidade
vive do paradoxo de que quanto mais miseráveis, ignorantes, deseducados,
analfabetos, carentes, existam no país, melhor para o negócio dela, porque ela
vende magia, feitiço”.
Caio discorre sobre o surgimento da vertente ligada à Teologia da
Prosperidade e remete ao bispo Robert Mcallister, que organizou
cruzadas por todo o Brasil, adaptando a mensagem de prosperidade, pregada nos
Estados Unidos, à cena social e cultural brasileira. E afirma que Edir
Macedo resolveu fundar a Igreja Universal depois de
aprender comMcallister a estratégia de reunir todas as vertentes do
movimento evangélico pentecostal.
(...)
Minha Vez...
Obviamente não sou evangélico e deveria passar longe desse tipo de
discussão, mas, com minha imparcialidade sobre o tema, posso, a luz da palavra
que Malafaia cita, contraditá-lo e ir além: desafio-o a orientar seus
seguidores a permanecerem por um ano inteiro reservando os valores que seriam
remetidos a igreja em uma poupança própria mantendo a mesma convicção da
prosperidade para aferir, ao final do período, como prosperaram realmente.
Malafaia, que disse aos seus seguidores que pagou uma bagatela por seu
jatinho de 12 milhões de dólares, se apega a um trecho onde Paulo
(Saulo de Tarso) prega o princípio da generosidade em 2 Cor 9.1-15.
O PastorAbner
Ferreira nos esclarece algumas coisas nos remetendo ao contexto da
época:
"No governo do imperador romano Cláudio, houve
um período de grande fome, o que motivou Paulo a recolher uma “oferta
especial” aos cristãos necessitados da Judéia. Nesse tempo, os judeus que
moravam em Roma foram expulsos (At 18.2), e uma pobreza assoladora atingiu os
cristãos daquela região. Além da assistência material aos pobres, Paulo
tinha outra bênção em mente. Desejava que essa oferta fortalecesse a unidade da
Igreja pela partilha de recursos dosgentioscom
as congregações de judeus do outro lado do mar. Para o apóstolo, os gentios
eram “devedores” dos judeus (Rm 15.25-28). O apóstolo Paulo, ao ser enviado aos
gentios, assumiu o compromisso de não se esquecer dos pobres, o que
efetivamente esforçou-se por cumprir (Gl 2.9,10). Durante suas viagens
missionárias nas províncias da Macedônia, Acaia e Ásia Menor, Paulo esforçou-se
para levantar uma oferta especialdestinada
aos pobres da Judéia(I Co
16.1-4; II Co 8.1-24; II Co 9.1-15). Paulo não só levantou esta oferta entre as
igrejas gentílicas, mas aentregou
com fidelidade(At 24.16-18).
(...)
O apóstolo ensinou à igreja que contribuir é um ato
de graça. Ele usou nove palavras diferentes para referir-se a oferta, mas a que
emprega com mais freqüência é graça. (...)
A alma generosa engordará (Pv 11.25). A graça nos evangelhos
jamais era mencionada como um favor monetário oferecido por Deus em troca da
sua generosidade. Paulo, sabiamente, recorreu ao antigo testamento para
reavivar nos cristãos a sabedoria por traz da gratidão. Em instante algum as
ofertas serviram a igreja, e sim, para os que estavam em miséria profunda! E
mais... para Paulo, era justo que os que tinham pouco (mas eram gentios) dessem
até o que lhes era escasso para os cristãos da Judéia.
“Pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de
participarem da assistência aos santos”. Paulo usa, nesse versículo três
palavras magníficas:charis(graça),koinonia(participarem) diakonia(assistência). A
contribuição financeira passou a ser entendida como um ministério cristão.
Digno de nota, é que os macedônios não contribuíram em resposta aos apelos
humanos, mas como resultado da graça de Deus concedida a eles. Não foi
iniciativa de Paulo pedir dinheiro aos macedôniospara os pobres da Judéia, foi iniciativa dos macedônios oferecerem dinheiro a
Paulo para assistir os santos da Judéia. Os cristãos macedônios seguiam as
palavras de Jesus: “Mais bem aventurado é dar que receber” (At 20.35).
Infelizmente, por desprezarem o contexto, muitas
igrejas têm se transformado num mercado, o púlpito num balcão, o evangelho num
produto e os crentes em consumidores. Já há quem diga: “pequenas igrejas,
grandes negócios”. Muitas igrejas evangelizam para ganhar dinheiro, em vez de
usarem o dinheiro para evangelizar.
Se fossem os preceitos difundidos por Jesus, em primeiro lugar, a
contribuição deveria ser motivada pelo amor ao próximo. Foi por isso que Paulo disse que poderíamos dar todos
os nossos bens aos pobres, mas se isso não fosse feito [motivado] pelo amor,
não teria nenhum valor (I Co 13.1) (vejam que o próprio Paulo restringe
a oferta ao amor, jamais como moeda de troca por bênçãos). A graça prometida
por Paulo estava mais para a satisfação espiritual (mais próximo do nosso
entendimento) do que um retorno de realizações como erroneamente se crê nos
dias atuais.
Além do mais, prosperitas (prosperitate), é um
termo latino (romano). o judeu queria se referir a algo mais sutil do que a
abundância material. Referia-se, naquele contexto, a um estado virtuoso,
ditoso, feliz (mas de graça espiritual, não financeiro). As escrituras sempre
celebravam algo mais sublime do que o mundano.
Jatos de milhões, carros importados, mansões faustuosas, fazendas, entre
outras posses dos modernos sacerdotes poderiam, há muito, saciar a fome de
milhões, abrigar milhares de famílias e vestir muitos desamparados. Já tratei
neste blog sobre a questão do dízimo e das
ofertas com linhas amparadas pelas próprias escrituras e que
contradizem as atitudes de pastores como Malafaia, Valdemiro, Macedo e
tantos outros que abusam da preguiça humana que nos impede de simplesmente
consultar suas fragmentadas afirmações
em nome de Jesus, o Cristo.
Não faltam testemunhos de pessoas, bem intencionadas, que foram
"abençoadas" por que tiveram a atitude de doar às igrejas, o que
falta (e nunca é mostrado) são as numerosas fileiras de pessoas que acabaram em
desgraça por essa atitude. É fato comprovado que a convicção por uma realização
(ainda que sem uma barganha) é tão possível quanto a permutada nos púlpitos com
doações, ofertas, propósitos, etc.
Malafaia tem um discurso ímpar e debocha da inteligência de seus
seguidores quando afirma que sua fortuna advém da venda de seus muitos livros,
CDs e DVDs. Bom... ele teria de ser mais lido do que a autora deHarry Potter,
mais ouvido do que Michael Jackson e mais assistido do queTwo
and a half men.
Haverá um dia, e isso não é profecia, em que as palavras serão
plenamente compreendidas e esses homens conhecerão as entranhas de sua própria
teologia. Todos construímos nossa própria Torre de Babel. Nilson Alves de Souza
Recentemente, o tele-pastor Silas Malafaia veio a público desafiar os "blogueiros,
críticos de meia-tigela e sites de bandidos travestidos de evangélicos... quem
planta notícia em
internet, invejosos, caluniadores..." [1], a mostrar biblicamente
onde é que se encontram as falhas teológicas de sua pregação sobre a teologia
da prosperidade, que “ele prega e crê” [2]. Como era o discurso do pastor Silas Malafaia antes de se "converter" a teologia da prosperidade! Veja aqui:
Continue lendo o artigo!
Talvez o título dessa postagem fosse mais conveniente com a frase:
Ensinando Silas Malafaia a deixar a colher e comer de garfo! Seria uma resposta
a própria afirmação dele de que, quem o critica “come de colher e quer
ensiná-lo a comer de garfo”. Porém, não posso deixar de lado o que a Bíblia
diz em 1 Pedro 3.14-17:
“Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes
zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem
aventurados sois, Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem
fiqueis alarmados, Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração,
estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pede razão da
esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor,
com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros,
fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, porque,
se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do
que praticando o mal.” (negrito meu)
É de conhecimento de todos que, há alguns anos o tele-pastor
desvirtuou-se de sua posição clássica contrária aos modismos e heresias,
inclusive que ele mesmo criticava e condenava [3], para aderir à perniciosa
teologia da prosperidade. Com isso, o mesmo vem promovendo uma série de
distorções bíblicas e heresias gravíssimas, além de abrir a porta para
pregadores heréticos da tal teologia mercantilista vindos de outros países.
Basta pesquisar aqui no blog para constatar que existem inúmeros artigos de
refutação e denúncias das práticas anti-bíblicas de Silas. Inclusive, destaco
um ótimo resumo crítico que foi publicado recentemente no Púlpito Cristão, no
qual você pode ver aqui!
Embora Silas Malafaia tenha feito o desafio com um tom ofensivo de
deboche e covardia, eu farei a refutação de sua palavra supra-citada não pelo
desafio em si, mas pelo dever em
defender o evangelho, aja visto ter detectado em sua pregação várias distorções
bíblicas e conclusões errôneas feitas pelo tele-pastor, referentes ao que ele
defende. Portanto, para ser mais direto e categórico, vou me conter em refutar
somente a pregação do Silas Malafaia neste programa específico, onde ele
desafia os blogueiros (dos quais incluo-me).
A primeira parte de sua pregação - com base na teologia da prosperidade
- denominada “uma vida de prosperidade”, foi ao ar no último sábado, dia 2 de
maio de 2012. Veja abaixo:
Em
sua pregação, para começar ele cita três pontos que serão abordados: o que é a
oferta, características de um ofertante e o resultado na vida do ofertante.
Silas utiliza 2 Co 9.1-15 de uma maneira desconexa e fragmentada, utilizando
somente de alguns versículos desta passagem para fazer a sua defesa da teologia
da prosperidade, algo normal de uma pessoa que prega tal conceito, pois não há
o costume de utilizar uma pregação expositiva equilibrada. Ele ainda afirma que
esta passagem é o “melhor compêndio no Novo Testamento sobre o
assunto".
Porém, ao sair do círculo fechado e fragmentado que Silas arma em torno
da Segunda epístola de Paulo aos Coríntios capítulo 9.1-15, afirmando a prosperidade financeira como recompensa para todos
os crentes que ofertam, não tem como ignorar todo o contexto bíblico que trata
de dinheiro,
principalmente as passagens que afirmam o contrário do que Silas defende. Como
harmonizar, por exemplo, a sementeira e a colheita da Segunda epístola de Paulo aos Coríntios capítulo 9com esta outra
passagem que diz “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.
Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas
concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e
perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa
cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.”
(1 Tm 6.8-10, ARA) ?
O que dizer então das palavras do Mestre Jesus Cristo: “Não acumuleis para vós
outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões
escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem
ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o
teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo.
Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus
olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que
em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois
senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a
um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt
6.19-24, ARA ) ?
Enquanto uma passagem supostamente afirma (segundo
Silas) que podemos ofertar com a promessa de prosperidade financeira plena,
outras afirmam exatamente o contrário, que não devemos enfatizar a prosperidade
financeira! Tem alguma coisa errada aí! Será que Silas Malafaia está pregando
algo correto à luz do contexto bíblico? Será que Deus ficaria preso na condição
de obrigação em recompensar financeiramente quem oferta?
A Segunda epístola de Paulo aos Coríntios capítulo 9.1-15pode ser o “melhor compêndio” sobre o
assunto conforme ele afirma, porém não é o único, principalmente no Novo
Testamento! Não se pode interpretar uma passagem isolada de outras que tratam
do mesmo assunto (regra básica de hermenêutica).
Quando desfragmentamos os versículos isolados que
Silas utiliza e analisamos a luz do contexto imediato desta passagem, veremos
facilmente que o foco de Paulo não é a prosperidade financeira para os crentes
em resposta ao ato de ofertar, mas sim a necessidade de ajudar financeiramente
- com alegria e deliberadamente - os irmãos mais pobres. Paulo usa como exemplo
aos Coríntios (uma igreja com membros financeiramente estáveis) de como os
irmãos macedônios foram generosos nas ofertas enviadas à igreja de Jerusalém.
Mesmo com sérias limitações financeiras (profunda pobreza,
Segunda epístola de Paulo aos Coríntios capítulo 8 verso 2) eles
tiveram alegria em ajudar os irmãos pobres. Este exemplo deve ser aplicado a
nós nos dias de hoje com total significância. Porém, não com o objetivo de
barganhar com Deus, esperando algo em troca.
Uma pergunta que devemos fazer: será que as ofertas
e desafios financeiros que, tanto Silas Malafaia, quanto os demais
tele-pastores fazem em seus programas são destinados aos pobres da Igreja? Não,
pois eles categoricamente afirmam qual é o destino do dinheiro doado em suas
coletas: sustentar os programas de TV (valores milionários), viagens nacionais
e internacionais, mega-cruzadas caríssimas, jatinho particular etc. Posso estar
errado, mas eu nunca vi Silas fazendo um desafio financeiro para ajudar os
pobres da Igreja.
Continuando a análise ao vídeo, Silas comete outro
erro grave: ao citar 2Co 9.4, ele afirma que “a oferta tem sólida base no
mundo espiritual”. Para chegar a esta conclusão, ele utiliza a tradução
bíblica Almeida Corrigida Fiel onde diz na parte final “...firme fundamento
de glória”[4]. Porém, ao analisar melhor outras traduções da bíblia
(inclusive o grego original), bem como o contexto direto (vs 1 a 4), veremos
exatamente o que Paulo afirma: “Não tenho necessidade de escrever-lhes a
respeito dessa assistência aos santos. Reconheço a sua disposição em ajudar e
já mostrei aos macedônios o orgulho que tenho de vocês, dizendo-lhes que, desde
o ano passado, vocês da Acaia estavam prontos a contribuir; e a dedicação de
vocês motivou a muitos. Contudo, estou enviando os irmãos para que o orgulho
que temos de vocês a esse respeito não seja em vão, mas que vocês estejam
preparados, como eu disse que estariam, a fim de que, se alguns macedônios
forem comigo e os encontrarem despreparados, nós, para não mencionar vocês,não
fiquemos envergonhadospor
tanta confiança que tivemos.”(NVI, grifo meu)
Portanto, concluímos facilmente duas coisas:
primeiro, que não se deve fazer uma exegese profunda em um texto bíblico
considerando somente uma tradução da bíblia; segundo, que a passagem em si não
há, absolutamente, nada de super sobrenatural como Silas afirma, mas a passagem
narra a demonstração de confiança e orgulho que Paulo tinha pelos crentes de
Corinto, na certeza dos mesmos ajudarem através das ofertas os irmãos pobres da
Judéia, conforme fizeram os irmãos da Macedônia.
Mais um erro teológico de Silas: Ele cita,
estranhamente de forma fragmentada parte de 2Co 9.5, onde diz “...e
preparassem de antemãoa vossa bênção” [negrito meu], afirmando que a
palavra “benção” nesta passagem significa “um meio de receber favor
Divino e meio de felicidade”. Ou seja, segundo Silas, em resposta a oferta
haverá uma ação direta de Deus em abençoar os ofertantes! Isto é uma distorção
forçada do texto, pois no contexto direto a palavrabençãoestá direcionada a uma ação direta dos ofertantes aos
que receberiam as ofertas! Embora reconheça que Deus pode, segundo a vontade
Dele, abençoar a vida financeira de quem ajuda, não é o que este versículo em
si afirma. Os “abençoados” são os que recebem as ofertas e não os que ofertam!
Veja a mesma passagem em outra tradução: “...concluam
os preparativos paraa contribuição que vocês prometeram. Entãoela
estará prontacomo oferta
generosa, e não como algo dado com
avareza.” (NVI, negrito meu) No
original grego, a palavra utilizada éeulogia (benção),empregada neste contexto como"generosidade"[5].Lembrando
que o significado da palavra “benção” é variável, no caso desta passagem
se enquadra na definição de “expressão ou gesto com que se abençoa.
Benefício, favor especial.” [6]
Continuando, Silas cita 2Co 9.10 “Ora, aquele
que dá a semente ao que semeia, e pão para comer, também multiplicará a vossa
sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça”, afirmando que Deus nos
dá a semente para ofertar. Está correto! Afinal, Deus é o provedor de tudo, o
homem não dá do que é propriamente seu, e sim daquilo que Deus lhe tem dado
(veja At 17.25). Mas, para quê serve esta semente que Deus nos dá? Para
sustentar ministérios milionários de tele-pastores que cada vez mais ficam ricos
para esbanjar “prosperidade”, em troca de uma suposta benção financeira
sobrenatural? Não!
A semente que provém de Deus é para ajudar os
pobres da igreja para que todos sejam abençoados e Deus seja glorificado! Veja
o contexto direto no versículo 9: “Como está escrito:Distribuiu,
deu aos pobres, a sua justiça
permanece para sempre” (ACF, negrito meu), uma citação que Paulo faz de
Salmos 112.9 para mostrar que a generosidade à quem precisa é característica de
todo Cristão. Deus abençoa a nossa vida para “aumentar os frutos da nossa
justiça”(vs9), para “toda a generosidade”(vs11) e para “suprir as
necessidades dos santos” (vs10). Ou seja, Deus pode, segundo a vontade
Dele, prover em nossas vidas quando ajudamos os pobres da Igreja,
principalmente para aumentar a possibilidade desta ajuda continuar cada vez
mais: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos
dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e
vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode
permanecer nele o amor de Deus?” (1Jo 3.16-17, ARA)
Mais um erro de Silas: Ele cita parte do VS 12 “...porque
a administração deste serviço”, para afirmar que a oferta é um serviço para
Deus. Logo em seguida, ele cita 1Co 15.58 que diz “que o nosso trabalho não
é em vão” para afirmar que, se é um trabalho, Deus vai recompensar. Ainda
cita Jr 21.14 que diz “o Senhor recompensará a cada um segundo o fruto das
tuas ações”. E termina afirmando que: “se a oferta é um serviço para Deus,
Ele vai nos recompensar da mesma forma que alguém trabalha e tem que receber salário.”
Errado Pr. Silas! O contexto de 1Co 15.58 em nenhum
momento é formalizado um contrato de trabalho entre nós e Deus com promessa de
honorários financeiros, muito pelo contrário, fala da esperança que os
Coríntios deveriam ter no dia da ressurreição para continuarem perseverando na
fé, mesmo sob ensinos falsos e várias tentações, sabendo que os esforços para o
serviço à Deus nunca será em vão (veja Is 65:17-25).
Segue o contexto direto da passagem em questão: “Isto
afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a
corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos
dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de
olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão
incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo
corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista
da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade,
e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que
está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua
vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o
pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por
intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede
firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que,no Senhor,
o vosso trabalho não é vão.” [1Co 15.50-58, ACF, negrito
meu].
E sobre Jeremias 21.14, veja o que diz: “Eu vos
castigarei segundo o fruto das vossas ações, diz o SENHOR; e acenderei o fogo
no seu bosque, que consumirá a tudo o que está em redor dela.” (ACF) O
texto fala de castigo e não de recompensa financeira! Que distorção bíblica
grosseira Pastor Silas!
Dando continuidade na análise do vídeo, Silas agora
discorre para os resultados na vida de um ofertante. Logo de cara ele afirma
que “Deus trabalha com a lei da recompensa”. Para tal afirmativa, ainda divide
esta lei em “5 leis que funcionam na vida de um ofertante”. Chamo a atenção
para algo gravíssimo: colocar a condição de lei para Deus é neutralizar a
onisciência Dele! É afirmar que Deus trabalha somente em troca do nosso
dinheiro! Afinal, se temos que cumprir esta lei, Deus também tem o dever de
cumpri-la. Estaria Deus amarrado em uma condição humana?
Para a 1ª lei, Silas utiliza 2Co 9.6 afirmando a
“lei da semeadura”: “E digo isto: o que semeia pouco, pouco também ceifará;
e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará.” Esta passagem
está em conexão com todo o contexto direto, no qual já tratamos nesse artigo
(veja explicação acima sobre os versos 9 e 10).
Se esta suposta lei da semeadura financeira
funcionasse como Silas afirma, porque existem cristãos pobres que precisam de
ajuda da própria Igreja? Falta de fé para ofertar o que não tem? Porque então
Paulo organizou esta coleta de ofertas aos Pobres da Judeia, ao invés de fazer
um desafio financeiro para eles serem abençoados com a lei da semeadura?
Inclusive o próprio Paulo passou por muitas necessidades ( Fp 4.10-20, 2Co
11.27). Porque Jesus se fez pobre durante seu ministério na terra (2 Co 8.9)
não tendo sequer aonde reclinar a cabeça (Mt 8.20)? Porque Jesus também disse
que dificilmente entraria um rico no reino dos Céus (Mt 19.23-24), e ainda
disse para não juntar tesouros na terra, mas no Céu (Mt 6.19-24)? Estaria Paulo
pregando uma teologia contrária à Bíblia e entrando em contradição consigo
próprio? Claro que não! A teologia contrária a Bíblia é a que Silas Malafaia
tenta defender sem êxito.
Paulo cita esta metáfora baseada na vida agrícola
para mostrar que, aquilo que é doado nunca se perde, é semeado. Embora Deus, às
vezes, proveja uma colheita generosa no terreno físico, principalmente para
aumentar as possibilidades de ajuda aos pobres da Igreja, esse não é o padrão e
nem é a promessa do Novo Testamento, muito pelo contrário, veja: 2 Co 8:9,
11:27, Lc 6:20-21, 24:25, Tg 2:5.
Tentando justificar a demora na “colheita” de
muitos, Silas ainda faz uma analogia entre o tempo de cumprimento da “lei da
semeadura” com as sementes de frutas naturais. Dentre várias frutas, ele cita
tamarindo, uma fruta que demora até 60 anos para começar a dar frutos. Com
isso, ele justifica que pode demorar muito para alguém receber o pagamento da
tal “lei da semeadura”. Ou seja, o que você ofertar, talvez nem receba de Deus
nesta vida. Na verdade, trata-se da famosa "desculpa espiritual" dos
adeptos da teologia da prosperidade para os que não receberam a sua colheita,
mesmo depois de ofertar. Engraçado que na hora dos desafios televisivos é
exaustivamente enfatizado que Deus vai nos abençoar, que vamos colher cem vezes
mais, que vamos ter uma vida próspera, que vamos pagar nossas contas e ter
prosperidade em abundância etc.
Na 2ª lei, Silas cita 2 Co9.7 onde diz “...porque
Deus ama a quem dá com alegria”, o que seria a “lei do amor de Deus sobre o
ofertante”. Logo após, solta uma pérola histórica: “você não vê Deus usando
essa palavra de amor pra salvação” E ainda pede para avisá-lo se alguém souber
de outra passagem bíblica que utiliza esta expressão de amor de Deus, pois ele
não sabe de tudo da Bíblia.
Sinceramente, alguém que faz tal afirmação deixa-me
mais desconfiado ainda do quanto a pessoa é desprovida de conhecimento Bíblico,
veja: Jo 3.16 “PorqueDeus amou o mundode tal maneira
que deu o seu filho unigênitopara
que todo que Nele crênão
pereça, mastenha a vida eterna”. (negrito meu) Leia também 1Jo
4.9 e Rm 5.8.
A 3ª lei, segundo Silas, consta no versículo 8,
onde diz: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo
sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra,”(ARA) o
que seria a “lei total do favor de Deus, a graça”. Silas afirma – corretamente
– que a graça é o favor imerecido, benevolente e amoroso de Deus para o homem.
Mas comete um erro gravíssimo afirmando que “a oferta chama a graça de Deus
para nós”. Ora, se a graça é um favor imerecido, como pode ser merecido ao
mesmo tempo?
Para piorar, segundo este pensamento Silas afirma
que através da oferta nós podemos obter soluções de problemas emocionais, curas
e soluções de problemas financeiros. Enfim, erros gravíssimos e infantis que
nem um aluno novo de Escola Bíblica dominical confunde.
O versículo em questão não dá margem para esta
interpretação incorreta. No verso 8 diz que Deus pode nos abençoar para sermos
um instrumento de sua graça, fazendo que tenhamos o suficiente para continuar
ajudando os pobres. Quando os santos carentes recebem uma generosa doação de
outros crentes, eles reconhecem que Deus é a fonte da generosidade,
reconhecendo o dom inefável de Deus (vs 15). E assim eles respondem com ações
de graças e louvor a Deus por Sua graça em suas vidas (v. 11). E isto acontece
segundo a vontade Dele e não por nosso merecimento. Nós não merecemos e nunca
vamos merecer a graça Dele, é Ele quem nos ama e nos concede a sua graça,
segundo o Seu querer.
A 4ª lei que Silas cita, segundo 2Co 9.9 é a “lei
da multiplicação”, que na verdade é o mesmo que a “lei da semeadura”. Ou seja,
a refutação para a 1ª lei serve para esta 4ª lei também.
Enfim, a 5ª lei. Silas cita o verso 11 que diz “para
que tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem
graças a Deus”, para fundamentar a “lei da abundância”. Com isso, Silas
afirma que Deus é um Deus de sobra, sem mesquinharia.
Obviamente, ele utiliza este argumento para
justificar a suposta abundância da teologia da prosperidade. Mas, ao contrário
que ele afirma, o que esta passagem mostra é que, quando Deus nos dá uma
provisão financeira, mesmo sendo com sobras, não é para o proveito próprio, e
sim para ser usada em generosidade aos necessitados, para a glória de Deus. O
versículo é claro quando afirma “...para toda a beneficência”(ACF), “para
toda generosidade”(ARA). Veja como viviam os convertidos naquela época: “Todos
os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas
propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha
necessidade.” (At 2.44-45, ARA) Este conceito de abundância financeira é,
de fato, o mais claro sinal de avareza na vida de alguém: “Tende cuidado e
guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste
na abundância dos bens que ele possui” (Mt 12.15, ARA)
Silas ainda cita exemplos do que aconteceu com Adão
e Eva no jardim do Éden e a prosperidade de Abraão para afirmar que Deus fará o
mesmo com quem ofertar. Isto é um absurdo! Afinal, estes são casos isolados em
que Deus agiu com um propósito específico e exclusivo para cumprir os seus
planos! Por exemplo: não é porque Deus sustentou o povo no deserto enviando o
maná dos céus (Ex 16:35) que ele fará o mesmo hoje da mesma forma conosco. Vai
deixar de trabalhar esperando o maná para ver o que acontece!
Para terminar, mostro na Bíblia a verdadeira
prosperidade para o Cristão:
"Também,
irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia;
porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de
alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua
generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo
acima delas, se mostraram voluntários". (2Co 8.1-3).
Antigamente, Silas Malafaia concordava que esta
passagem nos mostra a verdadeira prosperidade bíblica, veja o que ele disse
muitos anos atrás:"Os
pobres da Macedônia dividiram o pouco que tinham com os pobres da Judeia. Isto
é prosperidade. Prosperidade é você compartilhar com o outro... é viver bem com
aquilo que Deus tem te dado... é mesmo você tendo pouco, você ainda tem forças
e capacidade de ajudar alguém que está pior do que você."[7]
Fico na esperança de que esse artigo sirva de
alerta para todos aqueles que ainda acreditam na teologia da prosperidade, onde
infelizmente nos últimos anos muita gente se corrompeu, contaminando-se nas
heresias importadas da teologia de Mamon.
Espero de coração que Silas Malafaia se arrependa
verdadeiramente, voltando ao evangelho puro e verdadeiro. Não existe nada mais
nobre para um Cristão do que assumir sua condição de pecador e humildemente
reconhecer os seus erros para nunca mais praticá-los.
1
– Vídeo onde Silas Malafaia faz o desafio aos blogueiros e sites de notícias
com palavras ofensivas: Clique aqui p/ ver!
2
– Idem.
3
– Como a teologia de Malafaia mudou radicalmente em alguns anos: Clique aqui p/ ver!
4
– A Almeida Corrigida e Fiel é baseada no Textus Receptus (ou
texto majoritário), onde a interpretação bíblica segue o método de equivalência
formal (literal-gramatical-histórico) das palavras nos originais da Bíblia.
Sendo assim, há muitas palavras de difícil entendimento devido à literalidade
da tradução. Neste caso, é necessária a análise do contexto direto para um
claro entendimento, bem como a leitura de outras versões da bíblia em paralelo.
Para mais informações, veja aqui.
5
- GINGRICH, F. W.; DANKER, F. W. Léxico do N.T. grego/português. São Paulo:
Vida Nova, 2003. pág. 88.
Carta de Zípora às mulheres dessa geração
-
*Nohemy Vanelli*
Mulher, ser esposa de um homem chamado por Deus não é tarefa fácil. O meu
nome é
Zípora e eu sou filha de Jetro e fui esposa de Moisé...
A TRINDADE, SUA PRESENÇA E ATUAÇÃO NO TEXTO SAGRADO
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Penso que a mais perfeita analogia sobre a Trindade está na água (H2O), em
suas três distinções. O mesmo volume mantém-se contido de toda a composição
e na...
GRITOS DE ALERTA / TV CIRCUITO PAULISTA
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GRITOS DE ALERTA / TV CIRCUITO PAULISTA
VIA GRITOS DE ALERTA . Bispo Roberto Torrecilhas MINISTÉRIO GERAÇÃO GRAÇA E
PAZ MINISTÉRIO DE LOUVOR GERAÇÃO G...
Atos 2-5 ensina o socialismo?
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[image: image from google]
Dois artigos no blog “*Sobre Fé*”, da *The Washington Post*, explicitamente
declaram que o cristianismo é socialista e anticapi...
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Morte do Julio severo e pedido de ajuda
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Morte do Julio severo e pedido de ajuda
*Eu quero me apresentar*
*Meu nome é Sarah eu sou viúva do Julio.*
*Muitas pessoas não sabem sobre a morte do Julio,...
Get into Ddosing
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Who ought to be stressed over a DOS Attack?
In case you're running a monetary help, betting, severe specialty,
top-level salary, or an enormous client...
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*ESTATÍSTICAS DAS MORTES VIOLENTAS NO MÊS DE AGOSTO 2020*
Em 1º lugar *ARMA DE FOGO*: com 12 óbitos.
Por intervenção policial 4 óbitos;
Total: 16 mortes...
Sincronicidade
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Por Yubertson Miranda Você já parou para refletir sobre as coincidências
que ocorrem em seu dia a dia? E, mais do que isso, já reparou na sua reação
quando...
A Matter of Life and Death (Amy Mantravadi)
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The issue of abortion is one of the most divisive in modern political
discourse. The option for a woman to end a pregnancy has been proclaimed by
some to b...
SHANÁ TOVÁ U'METUKÁ
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*Êxodo: 12: 1 e 2 - "Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito:
Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano."*
Os judeus...
Escultura Satânica Instalada na Casa de Illinois
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Uma escultura apresentada pelo Templo Satânico está em exposição na
Statehouse de Illinois, ao lado de uma árvore de Natal e um presépio.
A Statehouse...
JERUSALÉM: A PEDRA PESADA
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“E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para
todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e
ajunta...
30 DE DEZEMBRO
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*1960. Macapá. Canal da Av. Mendonça Junio*r
*1709 – *Os jesuítas, entre eles o padre Antonio Cunha, conseguem dissuadir
os índios Guaiapi (hoje os Waiã...
A linguagem do amor
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*Por Carl Trueman*
Um correspondente perguntou-me recentemente (em um tom um tanto acusatório)
por que gasto tanto tempo escrevendo sobre as questões do...
1999 - Um fotógrafo que fez a cobertura de uma intervenção cirúrgica para corrigir um problema de espinha bífida realizada no interior do útero materno num feto de apenas 21 semanas de gestação, numa autêntica proeza médica, nunca imaginou que a sua máquina fotográfica registaria talvez o mais eloquente grito a favor da vida conhecido até hoje.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal.
Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX).
Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença".
Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias.
Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.