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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

‘CABO BRUNO’ JÁ HAVIA MORRIDO, QUANDO SE CONVERTEU A CRISTO


Foto: (ESTADÃO)
Depois de cumprir 27 anos de prisão e ter deixado a penitenciária em Tremembé, entre Taubaté e Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba (SP), há 35 dias, o ex-policial militar da PM de São Paulo, Florisvaldo de Oliveira, 53, conhecido como Cabo Bruno, foi morto a tiros, na noite do dia 26. Ele se dirigia à Chácara Galega, em Pindamonhangaba, onde morava, quando voltava de um culto em Aparecida, com a esposa e o genro.
Natural do interior de São Paulo, região de Catanduva, Cabo Bruno era acusado da morte de ao menos 50 pessoas e de liderar um grupo de extermínio na Zona Sul de São Paulo a pedido de comerciantes, vítimas de marginais. Tudo ocorreu na década de 1980.
‘Cabo Bruno’ já havia morrido, quando se converteu a Cristo (foto mais atual)
Sua conversão a Cristo foi testificada pelo missionário norte-americano, David Harisson, então diretor do ICI em Campinas, atualmente jubilado e morando nos Estados Unidos. Harisson deu testemunho da conversão de Cabo Bruno e até ficou perplexo com o que ouviu em vista à penitenciária em Tremembé.
Ameaça
Ao ser ‘despistado’ pela PM de São Paulo, que o transferiu da capital para o interior, como forma de despistar os fatos de suas mortes, quando trabalhava na Rota, ele chegou a manifestar o desejo de agredir-me. Eu estava cobrindo noticiário em uma reunião na Câmara de Vereadores em Catanduva (SP). Havia certo tumulto e ele estava lá com um grupo de policiais, para oferecer segurança. Sua presença passava despercebida na época, mas, sem que eu também percebesse, ele ficou inquieto comigo, como jornalista e, principalmente, porque eu carregava uma máquina fotográfica.
Nada ocorreu e eu nem mesmo percebi o risco que corria por estar próximo de um homem ‘transformado pela farda’. Só fiquei sabendo depois, quando meu irmão Gerô, na época também militar (ele seguiu a carreira eclesiástica, pediu baixa da PM e preside um centro de recuperação de dependentes químicos), disse-me que o colega policial, havia relatado a ele o desejo que sentiu de agredir-me, mas, que, não o fez por saber que se tratava de seu irmão.
Mais ou menos na mesma época, comprei um Maverick preto que, por suas características diziam ser o carro do Cabo Bruno. Falavam isto para mexer comigo, justamente por saber que eu era jornalista, uma vez que o Maverick preto de Cabo Bruno causava terror em São Paulo. Foi outro risco, que nem mesmo passou pela minha mente, na época.
“O Cabo Bruno morreu, hoje só existe o Florisvaldo”
Esta declaração é do seu advogado, Fábio Ferreira Jorge. Segundo Fábio, ele já havia adquirido o “direito à liberdade desde 2009 porque teve um comportamento exemplar além de trabalhar no presídio. Estou satisfeito com a decisão. O Cabo Bruno morreu. Hoje ele é outra pessoa. Hoje, só existe o Florisvaldo”, dizia o advogado.
Durante sua prisão Cabo Bruno converteu-se e tornou-se um cristão zeloso. Meu irmão, pastor Gerolino Mesquita sempre lhe envia cartas anunciando a liberdade em Cristo. Em uma das respostas, Florisvaldo desenhou uma cadeia quebrada (correntes presas aos pulsos, mas rompidas), como símbolo de sua conversão.
Bruno que não acreditava na recuperação de marginais e por isso os executava, acabou à margem da lei e na mesma condição, porém, foi transformado pelos Céus e, a partir de então, passou a pregar aos demais presos (e não se tornou pastor, como jornalistas preconceituosos e ignorantes anunciam, sob ranço).
Como estava em regime de proteção – como ex-policial militar e matador sofria ameaças no presídio –, permanecia preso, sem sair de uma cela, provida somente de uma pequena abertura para entrada de alimentos. Porém, contou-me pastor Harisson, Cabo Bruno deitava-se ao chão, colocava a Bíblia à sua frente e anunciava Cristo a toda força de sua voz e por horas. Ele aproveitava-se somente da pequena fresta sob a porta, praticamente com a boca no pó, parafraseando a parábola bíblica, para indicar humilhação e submissão diante do Criador, conforme Lamentações 3.29.
Conversão testemunhada
Pastor Harisson disse que já havia visitado muitos presídios nos Estados Unidos, mas que nunca ouvira falar de tal coisa. O carcereiro em Tremembé, homem experimentado quanto à sensibilidade humana em casos de demonstração sentimental de presos, falou-lhe da realidade e transformação de Cabo Bruno. Segundo ele – contou-me pastor Harisson – ali estavam os mais nocivos e insensíveis homens, por suas características criminosas, mas que choravam como crianças quando ouviam Cabo Bruno pregar, pela pequena fresta da porta de sua cela, com a boca quase ao solo.
Florisvaldo não se safou da Lei da Ceifa – “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”, Gl 6.7– mas, seguramente, foi redimido pelos Céus e ganhou a liberdade plena, em Cristo. 
Foto: ( ESTADÃO )
Ele não morreu, mas deixou a efêmera existência humana para a Vida (eterna).

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

CABO BRUNO É ASSASSINADO UM MÊS APÓS GANHAR LIBERDADE


O ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, o Cabo Bruno, de 53 anos, foi executado na noite da última quarta-feira (26), em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. O crime ocorreu por volta das 23h45, no bairro Quadra Coberta, quando ele chegava em casa, após participar de um culto na cidade de Aparecida (SP).
Cabo Bruno estava solto havia 35 dias depois de cumprir 27 anos de prisão e ser beneficiado, no dia 23 de agosto, pela lei do indulto pleno. Ex-policial militar, ele era suspeito de cometer mais de 50 assassinatos na década de 80 na capital paulista como chefe do esquadrão da morte e chegou a ser condenado a 120 anos de prisão, segundo o Tribunal de Justiça.  Ao longo dos anos, a pena estava sendo reduzida de forma progressiva conforme os trabalhos e bom comportamento que tinha na cadeia.
Foto: ISTO É
De acordo com a Polícia Militar, Florisvaldo estava acompanhado de parentes quando voltava para casa, que fica na rua Álvaro Leme Celidônio, quando dois homens chegaram - um de cada lado da rua -  e efetuaram cerca de 20 disparos contra o ex-policial, que morreu na hora. A maior parte dos tiros atingiu o rosto e o abdômen. Nada foi levado e mais ninguém ficou ferido. 
Segundo o tenente da PM, Mario Tonini, os tiros partiram de pistolas calibre ponto 45 e 380. "Foram vários disparos só contra ele e tudo indica que foi uma execução, mas ainda depende da investigação da Polícia Civil", disse ao G1.
Os parentes estão abalados e relataram à reportagem desconhecer os autores dos disparos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Pindamonhangaba, onde permanece até a manhã desta quinta-feira (27).
INDULTO PLENO
Cabo Bruno cumpria desde 2002 a pena na penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé, onde atuava como pastor. Em 2009, o advogado de defesa pediu a progressão da pena - do regime fechado para o semiaberto. Os exames criminológicos apontaram bom comportamento do preso.
 
Em 14 de agosto de 2012, o promotor Paulo José de Palma, responsável pelo processo do Cabo Bruno, encaminhou um parecer favorável ao indulto para a decisão final da Vara Criminal.
Junto com o parecer do promotor, baseado em lei que prevê a liberdade definitiva para presos com bom comportamento e com mais de 20 anos de prisão cumpridos, estão documentos com elogios de funcionários e da própria direção da P2 quanto à conduta de Florisvaldo na unidade.
Em agosto, na saída temporária dos presos no Dia dos Pais, o cabo deixou a penitenciária pela primeira vez. A saída foi comemorada por amigos no site de relacionamento da mulher dele, uma cantora evangélica que se casou com Florisvaldo dentro da penitenciária.
ESQUADRÃO DA MORTE, PRISÕES E FUGAS
Foto: ISTO É
Cabo Bruno foi preso pela primeira vez em 1983 e levado para o presídio militar Romão Gomes, na capital. Entre 1983 e 1990, o ex-pm fugiu três vezes da unidade, uma delas inclusive depois de fazer funcionários reféns. Em maio de 1991 foi recapturado pela quarta vez, e nunca mais saiu.
Em junho de 1991 Florisvaldo foi levado para a Casa de Custódia de Taubaté, onde ficou até 1996. Dentro do piranhão da Custódia, unidade onde nasceu uma das principais facções criminosas do Estado, o ex-policial permaneceu os mais de cinco anos em uma cela isolado 24 horas dos demais presos.
Em 1996, Florisvaldo foi levado para o Centro de Observação Criminológica, onde ficou até 2002, quando foi transferido para a P2 de Tremembé. Em 2009 ele passou do pavilhão do regime fechado da P2 para o semiaberto, dentro da mesma unidade, separados apenas por uma muralha.

Em 2012, ele teve o benefício da saída temporária do Dia dos Pais, ganhando o indulto pleno e sendo liberado no dia 23 de agosto.
FONTE: G1

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Fonte:www.apocalink.blogspot.com