Mostrando postagens com marcador divórcio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador divórcio. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CAOS MORAL NA ELITE MILITAR AMERICANA


Julio Severo
Segurem-se nas poltronas, pois nem em programas de comédia picante nunca se viu tanta sacanagem. A notícia quente nos EUA esta semana é a queda do general aposentado David Petraeus, que até a semana passada era diretor da CIA, a maior agência de inteligência do governo dos EUA.
O escândalo que derrubou o importante militar foi uma amante, sua biógrafa Paula Broadwell, mulher casada e com filhos. O general também é casado e com filhos, mas a tentação foi mais forte.
O jornal inglês DailyMail noticiou esta semana que Paula pode ser uma das muitas conquistas do general. Pelo visto, ele pode ter sido escolhido para a CIA justamente por sua magnifica capacidade de ocultação.
David Petraeus com sua amante Paula Broadwell
O escândalo veio à tona depois que uma assessora, Jill Kelley, depois de ser ameaçada por Paula que não queria que nenhuma mulher se aproximasse do general dela, pediu meses atrás socorro ao FBI. O escândalo foi abafado até a eleição americana, para não atrapalhar a intenção de Obama reeleger-se.
Em todo o tempo de adultério, porém, o general prosseguiu, antes e durante a investigação, tomando decisões de vida ou morte com a cabeça cheia de depravação e traições.
Mas o escândalo não para aí.
Mais escândalos sexuais
O agente do FBI encarregado do caso acabou descobrindo que Jill Kelley estava flertando com vários militares de alta patente, e se sentiu na liberdade de enviar fotos sem camisa para ela, resultando na perda de suas funções por conduta sexual imprópria.
Mas o escândalo não para aí.
O general John Allen, comandante supremo das forças armadas dos EUA no Afeganistão (mesma função que Petraeus ocupava anteriormente) acabou entrando nas investigações. Allen era um dos que tinham flertes por email com Jill Kelley, que é casada e tem filhos pequenos. Aliás, o próprio general também é casado e tem filhos.
Mas o escândalo não para aí.
Em 4 de novembro, o DailyMail noticiou o escândalo do comandante Joseph R. Darlak que, numa parada de sua fragata em Vladivostok, Russia, aproveitou, juntamente com seus oficiais, para cair na farra com bebidas e mulheres.
Escândalos isolados?
Meses atrás, houve o famoso escândalo de agentes secretos de Obama envolvidos em prostituição, mas o governo americano havia garantido que “era um caso isolado”.
Entretanto, a realidade não é bem assim, e não culpem Barack Obama pela onda de adultérios e traições na elite militar americana. Esse caos moral é reflexo da extrema libertinagem da cultura americana há varias décadas. O próprio governo de Obama é, em grande parte, reflexo da deterioração cultural americana.
John Adams (1735-1826), segundo presidente dos Estados Unidos, disse sabiamente: “Nossa Constituição foi feita para um povo cristão e com valores morais. Ela é totalmente inútil para o governo de um povo sem esses princípios”.
Os EUA da época de Adams tinham uma população de maioria esmagadoramente protestante e com princípios morais. Hoje, os EUA são exatamente o oposto.
Com o caos moral reinando na sociedade americana, como é que generais e diretores da CIA podem tomar decisões que salvam vidas? Não podem.
Esse caos não começou com Obama.
Escândalos sexuais na elite americana são antigos
Durante a 2ª Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt tomava diretamente a decisão de bombardear centenas de milhares de civis em cidades alemãs. Era totalmente correto bombardear nazistas e suas instalações militares. Mas era igualmente correto determinar a morte de milhares de mulheres e crianças alemãs?
Franklin Delano Roosevelt: o adúltero discreto

Sabe-se que Roosevelt estava traindo a esposa durante a guerra. E o adultério sempre adoece a capacidade de um homem decidir com prudência e justiça.
John F. Kennedy: o adúltero indiscreto com duas de suas amantes
John F. Kennedy era tão adúltero e depravado que há a desconfiança de que o serviço secreto dos EUA o tenha assassinado para que ele e suas traições não colocassem em risco a segurança nacional dos EUA. Parece que os serviços de inteligência dos EUA entendiam que um homem viciado em trair a esposa é um potencial traidor em todas as outras causas. A cabeça de um adúltero é um perigo para uma nação.
Bill Clinton, o presidente notoriamente indiscreto e adúltero

Durante seu governo, o presidente Bill Clinton bombardeou e massacrou milhares de sérvios, da Igreja Ortodoxa, para “proteger” os muçulmanas da região, e hoje se sabe que esses muçulmanos foram fundamentais no fortalecimento da al-Qaida. Clinton tomava essas decisões muitas vezes no calor de seus escândalos de adultério.
Que o adultério comprometeu a integridade, o juízo e o bom senso — se é que algum deles realmente teve algum dia essas qualidades — de Roosevelt, Clinton e Kennedy resta pouca dúvida.
Com a queda do general David Petraeus da direção da CIA, o FBI está agora revirando toda a residência de sua amante Paula Broadwell à procura de documentos secretos, pois ela já estava vazando segredos militares por aí.
Toda amante, que tem acesso privilegiado aos segredos dos homens adúlteros em postos elevados, se torna um risco para a segurança nacional.
“A quem muito é dado, muito será cobrado”
Eu não duvido que outras nações tenham problemas semelhantes, mas Jesus disse que “a quem muito foi dado, muito será cobrado”.
Diferente de muitas outras nações, os EUA foram fundados por evangélicos perseguidos como um porto seguro para cristãos perseguidos. Eles consagraram a jovem nação americana para Jesus Cristo.
Contudo, nos EUA de hoje, com militares ocupados com pensamentos de adultérios e traições, os cristãos perseguidos estão no último lugar da fila de suas preocupações.
Quando os EUA invadiram o Iraque, os cristãos iraquianos passaram a ser mais perseguidos do que antes, e a situação deles hoje é muito pior do que na época de Saddam Hussein. Os militares americanos não podiam ajudar os cristãos, por risco de serem vistos pelos islâmicos como aliados dos cristãos.
Quando os EUA invadiram o Afeganistão, as igrejas cristãs afegãs, que existiam em número pequeno, se extinguiram, e os cristãos passaram da condição de perseguidos para candidatos diretos ao martírio.
Para amenizar a fúria islâmica por tais invasões e não sofrerem o que os próprios cristãos estavam sofrendo por causa das invasões, os EUA passaram a dar entrada privilegiada para imigrantes islâmicos, que são os principais culpados da perseguição, tortura e assassinato de cristãos no mundo inteiro.
A nação que foi fundada por cristãos perseguidos fechou os olhos para cristãos perseguidos que sofrem MAIS depois das invasões americanas. Pior, em vez de serem fieis ao seu chamado de porto seguro para cristãos perseguidos, passaram a ser porto seguro para os algozes dos cristãos.
Não é difícil então imaginar que enquanto as igrejas cristãs afegãs estavam sendo dizimadas bem debaixo do nariz — e muitas vezes por causa — das poderosas tropas americanas, o general David Petraeus tinha preocupações mais elevadas. Qual suíte escolher para levar sua amante?
A história não muda. Adúlteros que decidem bombardear populações inocentes e condenar, por sua imbecil omissão, os cristãos ao trucidamento islâmico espelham a decadência moral de uma civilização — uma civilização que tem desprezado e traído sistematicamente a Deus.
Boa notícia?
Contudo, parece haver uma pequena chama de esperança. Recentes notícias nos EUA mostraram que há uma revolta crescente depois que se descobriu que houve fraudes na eleição presidencial dos EUA na semana passada. Em algumas cidades, 99% dos votos foram computados para Obama, proeza que nem mesmo Lula, com todos os seus mensalões e compras de votos, nunca alcançou no Brasil. O partido de Obama efetivamente passou a perna no partido de Lula.
Populações insatisfeitas de dez estados americanos fizeram uma petição para separar-se dos EUA e formar uma entidade nacional separada.
Se houver realmente uma separação e a formação de um novo país, é um bom sinal. Mas eles precisam dar atenção às palavras de John Adams: “Nossa Constituição foi feita para um povo cristão e com valores morais”.
Para que os EUA ou qualquer outra nação seja grande, não tem escolha: tem de ter um povo cristão e que tenha valores morais. Os EUA de hoje são prova mais que suficiente de que o contrário disso não funciona.
Com informações de vários artigos do DailyMail.
Leitura recomendada:
A Tempestade Frankenstein poderia ser um sinal de Deus?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

DIVÓRCIO E NOVO CASAMENTO


Wilbur (Dr. Gilberto) Norman Pickering, ThM PhD
A razão de ser do divórcio é para legalizar ou "legitimar" um outro casamento. Também serve para fugir do compromisso assumido. Os homens querem divórcio, mas qual é o ensino da Bíblia? Uma norma básica da hermenêutica correta é começar pelos textos claros para depois ver quaisquer textos ambíguos ou que oferecem alguma complexidade. Assim faremos a seguir.
01. "Guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade. Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio" (Mal. 2.15-16). Aqui temos uma declaração solene -- O SENHOR odeia o divórcio. Dificilmente então Ele poderá aboná-lo. Ele eventualmente tolera, assim como Ele tolera o pecado. Aliás, suponho não existir divórcio sem pecado.
02. Lucas 16.18 nos apresenta a maneira básica em que Deus encara a questão, pois é uma declaração do Senhor Jesus: "Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera." Se aquele que casa com a divorciada "adultera", é porque o primeiro casamento ainda existe aos olhos de Deus.
03. Respondendo aos fariseus, em Marcos 10.2-5, o Senhor Jesus esclarece que Moisés permitiu aos homens repudiar mulher "pela dureza dos vossos corações". Nem aqui, nem em Mateus 19.3-9, aparece a idéia de "parte inocente". O divórcio geralmente se fundamenta em dureza de coração -- até hoje.
04. "Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne: . . . Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc. 10.7-9). Fica claro que o ideal que Deus coloca é a monogamia -- "a sua mulher" é singular, "os dois" só pode dizer respeito a um homem e uma mulher. (É "dois", não três, quatro, cinco, etc. "Os dois" não pode dizer respeito a dois homens, a homem com animal, a mulher com demônio, ou como queira -- não pode.) Quando um homem e uma mulher se unem, passam a ser "uma só carne" e essa união Deus tem como sagrada -- "portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem". Qualquer homem! Inclusive os próprios cônjuges. Eis aqui uma nítida proibição contra o divórcio. Nem os próprios cônjuges podem separar o que Deus ajuntou. Aliás, parece claro que nada que depois possa ocorrer altera o fato de ter acontecido a união -- "uma só carne" se fez, e fica. Outras eventuais uniões complicam a situação (o pecado sempre complica) mas são incapazes de fazer com que a primeira união inexista. É exatamente por isso que Deus chama as outras uniões de "adultério" -- se a primeira união tivesse sido desfeita, a palavra "adultério" não seria mais cabível, pois a palavra diz respeito precisamente à infidelidade a uma união ainda em pé.
05. É isso que Jesus afirma nos versos 11 e 12 (ainda Mc. 10): "Qualquer que deixar a sua mulher, e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera." Em Lucas 16.18 a mulher é apresentada como passiva - é deixada, aí tomada por outro. Aqui (v. 12) ela é apresentada como tomando a iniciativa-é ela que deixa o marido. Conclusão: quer seja o homem quer seja a mulher que toma a iniciativa, no momento que se une a outro(a) adultera, pois a primeira união ainda existe.
06. Em Mateus 5.27-28 lemos assim: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela." É claro que adulterar no coração não desfaz a primeira união, e adulterar de fato também não a desfaz. Mateus 5.31-32 repete material que já comentamos, mas acrescenta a ressalva, "a não ser por causa de prostituição". Como a ressalva se repete em Mateus 19.9 e o contexto lá é mais amplo, vou comentá-la dentro do contexto de Mateus 19.3-10. Vamos lá.
07. Os fariseus chegam ao pé de Jesus perguntando se era "lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo". Respondendo, Jesus apela para o propósito do Criador, ou seja, a monogamia, e repete a proibição contra o divórcio, "o que Deus ajuntou não o separe o homem" (incluindo os próprios cônjuges, presumivelmente). Aí eles não gostaram e puxaram a "carta de divórcio" falada por Moisés. Aí Jesus retrucou: "Moisés por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim." Notem bem, "Moisés permitiu", mas a idéia do Criador não foi bem essa, e Moisés permitiu "por causa da dureza dos vossos corações" (nada de "parte inocente"). Até aqui não encontramos nada que permita dizer que Deus abona o divórcio, mas vamos à "ressalva".
08. "Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada comete adultério." A questão chave é o sentido exato de "fornicação". No Novo Testamento, o termo diz respeito a prostituição (seria o sentido central), sexo premarital, incesto e homossexualismo. Não há caso claro para defender o sentido de "adultério". Aliás, em Mateus 15.19, Marcos 7.21, 1 Coríntios 6.9 e Gálatas 5.19, "fornicação" e "adultério" são apresentados como coisas diferentes, distintas e seria de estranhar se o Espírito Santo fosse depois confundir as duas coisas. No caso em pauta (Mt. 19.9) seria como que insultar o Espírito Santo dizer que "prostituição" tem apenas o sentido de "adultério" -- seria imputar uma desonestidade a Ele, ou no mínimo dizer que Ele visava confundir o leitor. Se o sentido desejado fosse "adultério", então o Autor teria feito escrever "adultério". Aliás, o fato de Jesus ter dito "fornicação" vale dizer exatamente que o casamento não tinha se concretizado ainda, pois caso contrário Ele teria dito "adultério". É exatamente por isso que me parece mais provável tratar-se de um caso semelhante ao dilema do José perante a Maria, grávida mas não por ele. Na cultura de então, uma vez desposada uma mulher era tida como pertencendo ao noivo, mesmo antes do casamento e a consumação da união física. Se, antes do casamento propriamente dito, ficasse provado que a noiva não era mais virgem (tendo havido fornicação, fatalmente), normalmente o noivo desmancharia o casamento, recusando-se a casar de fato com ela. A noiva seria repudiada e se o homem depois casasse com outra não haveria adultério, pois nunca se uniu sexualmente com a primeira. Se outro depois casar com a dita não será adultério porque embora deflorada não chegou a se casar. Em verdade, Mateus 19.9 não contraria Lucas 16.18 e Marcos 10.11-12; as três passagens são unânimes -- para Deus não existe divórcio. Só a morte desfaz a união matrimonial. Infidelidade complica, mas não desfaz. É por isso que Jesus chama qualquer segundo casamento de "adultério" pois a primeira união ainda existe. Parece claro que os discípulos, na hora, entenderam assim. Vejam só.
09. "Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar" (Mt. 19.10). Ora veja, porque tanto desespero? Obviamente a palavra de Jesus foi muito dura para eles. Eles estavam acostumados com a facilidade permitida por Moisés, embora existissem na época várias posições quanto ao tipo de coisa que justificaria o divórcio. Mas parece que todo mundo concordava em que a infidelidade justificava o repúdio -- pelo menos isso. Milhares múltiplos de homens têm aceitado o casamento não pensando em saída a não ser (que Deus nos livre) por uma eventual infidelidade da mulher -- então essa interpretação parece inadequada para explicar a reação dos discípulos. É que Jesus simplesmente fechou a porta -- não existe divórcio que permita casar de novo. Só a morte abre a porta outra vez. Senão, vejamos.
10. "Não sabeis vós, irmãos (pois falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive? Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for doutro marido" (Rom. 7.1-3). "Vivendo o marido será chamada adúltera" - nada de "parte inocente", nada de divórcio; enquanto o primeiro cônjuge estiver com vida a união existe e qualquer união a mais se caracteriza por "adultério". Só a morte desfaz a união. Ver 1 Coríntios 7.39 também.
11. Voltando a Mateus 19 atentemos para a resposta de Jesus diante do desespero dos discípulos (vv. 11-12): "Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o." Vejam que coisa, onde já se viu! Porque que Jesus puxa exatamente o assunto de eunuco a essa altura? Pois então, eunuco tem relações sexuais? Parece claro -- Jesus está dizendo que quem se separar de sua mulher deve então viver como "eunuco"; nada de novo casamento até que o primeiro cônjuge morra.
12. Resta comentar 1 Coríntios 7.10-17: "Aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher" (vv. 10-11). Tudo é coerente -- nada de divórcio. Mesmo em caso de separação, que fiquem sem casar! Isso para casal crente, mas será que para casal misto as regras vão ser outras? Observar, por favor, que é o Senhor que manda ficar sem casar. Depois, no verso 12, Paulo oferece uma opinião sua.
13. Após afirmar que a parte crente não deve nunca deixar a parte descrente, o apóstolo pondera: "Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz" (v. 15). Agora, se quando um cônjuge crente se aparta não é permitido ao outro casar novamente, com que lógica poderia se supor que a regra muda no caso de descrente? Porque? Como? Obviamente não procede. (A opinião de Paulo vale mais que o mandamento do Senhor?) Aliás, a parte crente é conclamada a um esforço especial, a mais, para ver se ganha a outra. Agora, se o incrédulo faz questão de separar-se o crente não é obrigado a tentar acompanhar a todo custo-seria uma servidão e contra a paz, pois estaria comprando briga com o descrente. Não tem nada no texto que justifique a idéia de que o crente abandonado tenha direito a outro casamento, absolutamente. Tanto é que o apóstolo encerra o capítulo reiterando que só a morte libera o sobrevivente para novo casamento (1 Co. 7.39).
14. CONCLUSÃO: Para Deus não existe o divórcio. Nunca é lícito contrair um segundo casamento enquanto o primeiro cônjuge estiver com vida. Deus leva o sexo a sério! Tanto assim que ele decreta a pena de morte para certos abusos. Qualquer tipo de incesto acarreta a morte; a prática homossexual acarreta a morte; ter sexo com animal acarreta a morte; ter relação sexual com mulher em menstruação acarreta a morte-ler com atenção Levítico 20.10-21. Porque Deus reage de forma tão severa? Suponho que seja pelo seguinte: os últimos três procedimentos destroem a semente do homem (o primeiro deturpa), e é a semente que transmite "a imagem do Criador". Ele não criou o sexo para o nosso prazer, a não ser num plano secundário, e sim para garantir a continuidade da raça. O propósito precípuo da criação é para glorificar a Deus, não para satisfazer os desejos dos homens. Qualquer argumento que se prende ao prazer ou à conveniência dos homens é suspeito e inadequado. O humanismo invade cada vez mais as igrejas evangélicas, mas o humanismo é idolatria e é contrário a Deus. Tem mais uma; até nessa severidade para com o sexo Deus está prevendo o bem estar da raça humana. Em Mal. 2:15 lemos assim: "Não fez Ele somente um? . . . E porque somente um? Ele buscava uma descendência temente a Deus. Portanto cuidado com vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade." A palavra traduzida 'um' é ehad, que inclui pluralidade dentro da unidade. Entendo que a referência é a 'uma só carne'. O uso responsável do sexo visa evitar o aviltamento da raça-o temor de Deus serve para isso também.
Muito bem, Deus não queria o divórcio nunca, mas que fazer perante as confusões e complicações já existentes?
15. A Bíblia nunca usa a expressão "viver em adultério"; usa sim "cometer adultério". Mesmo tendo começo adúltero, uma segunda união também tem existência e é reconhecida por Deus. Perez entrou na linha do Messias embora sendo produto da união vergonhosa de Judá e Tamar (Gn. 38). A prostituta Raabe passou a ser tataravó do rei Davi apesar de sua vida sórdida. O exemplo culminante deve ser o de Davi e Batseba. Sua união teve início da maneira mais pecaminosa e criminosa possível (adultério e assassínio, bastante covarde, aliás), mas mesmo assim Deus a reconheceu e inclusive a abençoou ao ponto de colocar o fruto dessa união, Salomão, no trono e inclusive permitir que ele construísse o templo, que Deus destacou com sua glória Shekinah. Quer dizer, se alguém está vivendo fielmente com um segundo cônjuge a frase "vivendo em adultério" não se aplica, mesmo que cometeram adultério ao dar início à união. Uma vez que existe uma segunda união, ela existe tanto quanto a primeira e não há como desfazê-la. Um segundo divórcio nada resolve.
16. Aliás, há um procedimento que Deus terminantemente proíbe. Depois que uma mulher casa com um segundo homem não poderá voltar ao primeiro nunca, mesmo que esse venha a morrer, inclusive (Dt. 24.1-4). O expediente de exigir de uma mulher recém-convertida, que já passou por duas (ou mais) uniões, que volte ao primeiro marido é tristemente antibíblico-só faz desgraça.
17. Sei que existem casos horripilantes, de abuso até criminoso por parte de um dos cônjuges, onde a separação torna-se uma necessidade inclusive para evitar a morte prematura de uma das partes. A violência pode justificar a separação, mas não um novo casamento. Ao meu ver, um dos aspectos mais desgraçados do pecado é que quase sempre as conseqüências piores recaem sobre terceiros, muitas vezes verdadeiramente inocentes no que diz respeito ao pecado cujas conseqüências estão sofrendo. Passamos a vida vitimando e sendo vitimados. E daí? Podemos desfazer ou escapar? Mesmo quando o caso é totalmente trágico, injusto, repugnante? Via de regra, não. O jeito que tem é nos valer da graça de Deus e "correr com paciência a carreira que nos está proposta; olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz desprezando a afronta e assentou-se à destra do trono de Deus" (Hb. 12.2).
18. Pecado é pecado e pecado tem castigo, mas também tem perdão (menos a blasfêmia contra o Espírito Santo). O passado está fora do nosso alcance; não podemos alterá-lo nem podemos desfazer os nossos pecados, mas o sangue de Cristo pode cobrir o passado e nos purificar do pecado. As qualificações para serviço na Igreja de Cristo são colocadas em tempo presente. (E quem entre nós tiraria nota dez em todas as qualificações?) Apesar do passado, Deus lida com a gente no presente com base na nossa realidade atual. Contudo, parece existir um "senão".
19. Há graça e perdão, mas nem por isso ficamos livres das conseqüências dos nossos pecados nesta vida. É certo que parece existir diferença entre pecado deliberado depois de convertido e o que se fez antes. Paulo explica que embora chegasse a perseguir os crentes (até a morte) [ele estava executando, não assassinando-existe uma diferença fundamental], alcançou graça e um ministério (bem destacado, por sinal) porque o fez "ignorantemente, na incredulidade" (1 Tim. 1.12-14). Depois de convertido ele subjugava seu corpo para que "eu mesmo não venha dalguma maneira a ficar reprovado" (1 Co. 9.27). O pecado pode desqualificar para o ministério -- isto fica claro em 1 Timóteo 3.1-12, entre outras passagens. Lá está "marido de uma só mulher". Em Malaquias, "o SENHOR odeia o divórcio" se insere num contexto maior onde Ele esta castigando os sacerdotes que divorciaram suas esposas. Em Mal. 2.13-14 Deus afirma que exatamente por isso Ele não olha mais para suas ofertas. Tudo indica que Deus não quer nem sacerdote e nem pastor divorciado, e reterá a benção se teimarem mesmo assim (pior ainda se divorciaram depois de convertidos). 
Dr. Gilberto Pickering Brasília, 04/04/2001
Obs.: Debaixo da Lei de Moisés, que foi dada por Deus, adultério acarretava a pena de morte (Lev. 20.10). Com isso, já que a morte libera, as pessoas "viúvas", os cônjuges sobreviventes poderiam casar novamente. Quando uma sociedade não executa adúltero, não existe a saída que essa morte traria.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O ENSINO DE JESUS SOBRE CASAMENTO E DIVÓRCIO



INTRODUÇÃO
Aqui em Marcos 10.1, o que é enfatizado não são as curas, mas o ensino de Jesus. A cura e o ensino caminham juntos em sua atividade.[1] Os fariseus, como inimigos de plantão, mais uma vez, estão maquinando contra Jesus, para apanhá-lo em alguma falha. Desta feita, eles trazem uma questão sobre o divórcio. Em vez de cair na armadilha deles, Jesus aproveita o ensejo para ensinar sobre o casamento e o divórcio.
I. UMA PERGUNTA DESONESTA – (9.2)
Os fariseus já tinham uma opinião formada sobre a questão do divórcio.[2] Eles não buscavam uma resposta, mas armavam uma cilada para Jesus. Diz Marcos: “E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher”? (9.2). Os fariseus não estavam focados nos princípios de Deus sobre o casamento, mas nas filigranas da concessão mosaica para o divórcio. O que os fariseus intentavam com essa pergunta?
Em primeiro lugar, colocar Jesus contra Herodes. Foi nessa mesma região que João Batista foi preso e degolado por denunciar o divórcio ilegal e o casamento ilícito de Herodes com sua cunhada Herodias. Os fariseus instigavam Jesus a ter a mesma atitude de João, pensando que com isso, teria o mesmo destino. O lugar do interrogatório era a Peréia, que, como a Galiléia pertencia aos domínios de Herodes Antipas. O que os fariseus queriam era que Jesus se tornasse intolerável em termos políticos e religiosos.[3]
Em segundo lugar, colocar Jesus contra Moisés. Os fariseus queriam colocar à prova a ortodoxia de Jesus, para poderem acusá-lo de heresia.[4] Se Jesus dissesse que era lícito, ele afrouxaria o ensino de Moisés sobre o divórcio. Mateus registra essa mesma pergunta acrescentando um dado importante: “É lícito ao marido repudiar sua mulher por qualquer motivo”? (Mt 19.3). Moisés havia ensinado que se o homem encontrasse alguma coisa indecente na mulher, lavraria carta de divorcio e a despediria (Dt 24.1). A grande questão é entender o que significa essa “coisa indecente”. No ano 20 d.C. dois rabinos famosos, Hillel e Shammai tornaram-se famosos na interpretação desse texto mosaico.[5] Hillel liderava uma escola liberal que entendia que o marido podia despedir sua mulher por qualquer motivo, como queimar o jantar, falar alto ou mesmo se esse marido encontrasse uma mulher mais interessante. Shammai, por sua vez, liderava uma escola conservadora e acredita que o divórcio só podia ser dado no caso do marido encontrar na mulher alguma coisa indecente. Esse termo hebraico para descrever “coisa indecente”, erwath dabar era entendido por Shammai como falta de castidade ou adultério.
Em terceiro lugar, colocar Jesus contra o povo. Se a resposta de Jesus fosse sim, eles acusariam Jesus de estar promovendo a desintegração da família e atentando contra os direitos da mulher. Se Jesus respondesse não, eles acusariam Jesus que contrariar a concessão dada por Moisés e ainda o colocariam numa situação de extremo perigo em relação ao inconseqüente rei Herodes.
II. UMA RESPOSTA ESCLARECEDORA – (9.3-5)
Jesus não caiu na armadilha dos fariseus. Ele respondeu a pergunta deles com outra pergunta, abrindo a porta para a verdadeira interpretação sobre a concessão de Moisés acerca do divórcio.
Três verdades são destacadas aqui:
1. O divórcio não é uma instituição divina – (v.4).
Deus instituiu o casamento, não o divórcio. O casamento é a expressa vontade de Deus, não o divórcio. No princípio, quando Deus instituiu o casamento (Gn 1.27; 2.24), antes da queda humana, não havia nenhuma palavra sobre divórcio. Ele é fruto do pecado. Ele é resultado da dureza do coração (9.5). Enquanto o casamento é digno de honra entre todos (Hb 13.4), Deus odeia o divórcio (Ml 2.16).
Pela resposta dos fariseus (10.4), eles pensaram que Jesus estivesse se referindo à orientação de Moisés sobre o divórcio em Deuteronômio 24.1-4; mas a resposta de Jesus revela que ele estava se referindo às palavras de Moisés em Gênesis sobre o estado ideal da criação e particularmente do casamento. Esse argumento pode ser fortalecido pela abordagem de Jesus. Note que Jesus perguntou o que Moisés “mandou” e os fariseus responderam com o que Moisés “permitiu”. Moisés não ordenou o divórcio; ao contrário, ele reconheceu sua presença, o permitiu e deu instruções como ele deveria ser praticado. O que Moisés “mandou” foi o que Deus ordenou sobre o casamento em Gênesis 1.27,28; 2.24.[6]
2. O divórcio não é um mandamento divino – (v.4,5).
Jesus como supremo intérprete da Escritura diz que Moisés não mandou divorciar por qualquer motivo, ele permitiu por um único motivo, a dureza de coração (10.4,5; Mt 19.8). Mateus registra a pergunta dos fariseus assim: “Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar”? (Mt 19.7). Na verdade, Moisés nunca mandou. O divórcio nunca é um mandamento ou ordenança, mas uma permissão e uma permissão regida por balizas bem estreitas, ou seja, a dureza da coração.
A concessão para o divórcio estabelecida na lei de Moisés tinha como propósito proteger suas vítimas. Segundo a lei judaica, somente o marido podia iniciar o processo do divórcio. A lei civil, porém, protegeu as mulheres, que naquela cultura, completamente vulneráveis e condenadas a viverem sozinhas e desamparadas. Por causa dessa concessão de Moisés, um marido não podia despedir a mulher sem lavrar-lhe carta de divórcio e depois de despedi-la não podia tê-la de volta, caso essa mulher viesse a casar-se novamente ou mesmo no caso dela ficar viúva. Assim, o marido precisa pensar duas vezes antes de despedir a sua mulher.[7] Edward Dobson afirma que a permissão para o divórcio presente na lei mosaica era para proteger a esposa de um marido mau e não uma autorização para ele se divorciar dela por qualquer motivo.[8] O conceituado intérprete das Escrituras, Adam Clarke, entende que Moisés percebeu que se o divórcio não fosse permitido em alguns casos, as mulheres poderiam ser expostas a grandes dificuldades e sofrimentos pela crueldade de seus maridos.[9]
3. O divórcio não é compulsório – (v.5).
O casamento foi instituído por Deus, o divórcio não. O casamento é ordenado por Deus, o divórcio não. O casamento agrada a Deus, o divórcio não. Deus ama o casamento, mas odeia o divórcio. Deus permite o divórcio, mas jamais o ordena. Ele jamais foi o ideal de Deus para a família.
Os fariseus interpretavam equivocadamente a lei de Moisés sobre o divórcio; eles a entendiam como um mandamento, enquanto Jesus considerou-a uma permissão, uma tolerância. Moisés não ordenou o divórcio, ele permitiu. Há uma absoluta diferença entre ordenança (eneteilato) e permissão (epetrepsen). Deus não é o autor do divórcio, o homem é responsável por ele. Walter Kaiser diz que diferentemente do casamento, o divórcio é uma instituição humana.[10] Jay Adams diz que o divórcio é uma inovação humana.[11]
O divórcio embora legítimo no caso de infidelidade conjugal (Mt 19.9) ou abandono irremediável (1Co 7.15), ele não é compulsório nem obrigatório. O divórcio só floresce no deserto árido da insensibilidade e da falta de perdão. Ele é uma conspiração contra os princípios de Deus. O divórcio é conseqüência do pecado e não expressão da vontade de Deus. Deus odeia o divórcio (Ml 2.16). Ele é uma profanação da aliança feita entre o homem e a mulher da sua mocidade, uma deslealdade, uma falta de bom senso, um ato de infidelidade (Ml 2.10-16). O divórcio é a apostasia do amor.[12] O exercício do perdão é melhor do que o divórcio. O perdão traz cura e a restauração do casamento é um caminho preferível ao divórcio.
III. UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA – (9.6-9)
Enquanto os fariseus estavam inclinados a mergulhar no tema divórcio, Jesus estava focado no tema casamento. Se nós entendêssemos mais as bases bíblicas do casamento, teríamos menos divórcios. Nesse texto Jesus lança os quatro grandes pilares do casamento como instituição divina:
1. O casamento é heterossexual – v. 6
Deus criou o homem e a mulher, o macho e a fêmea (Gn 1.27). O relacionamento conjugal só é possível entre um homem e uma mulher, entre um macho e uma fêmea biológicos. O casamento é entre um homem e uma mulher. Um foi feito para o outro e é adequado ao outro física, emocional, psicológica e espiritualmente. Somente a relação heterossexual pode cumprir os propósitos de Deus para a família.
A relação homossexual não é uma união de amor, mas uma paixão infame, um erro, uma abominação para Deus. Essa união degrada a família, destrói a sociedade e atrai a ira de Deus. Norman Geisler afirma que essa união esdrúxula é uma relação sexual ilícita.[13] O homossexualismo é uma prática condenada por Deus nas Sagradas Escrituras. Os cananitas foram eliminados da terra pela prática abominável do homossexualismo (Lv 18.22-29). Da mesma forma, a cidade de Sodoma foi destruída por Deus por causa da prática vil da homossexualidade (Gn 29.5; Jd 7). O ensino bíblico é claro: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher, é abominação” (Lv 18.22). O apóstolo Paulo afirma que o homossexualismo é uma imundícia e uma desonra (Rm 1.24); é uma paixão infame e uma relação contrária à natureza (Rm 1.26); é uma torpeza e um erro (Rm 1.27). Paulo ainda afirma que o homossexualismo é uma disposição mental reprovável e uma coisa inconveniente (Rm 1.28). Quem o pratica recebe em si mesmo a merecida punição do seu erro (Rm 1.27) e não pode entrar no Reino de Deus (1Co 6.9,10).
2. O casamento é monogâmico – v. 7
Diz o texto bíblico: “Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher]” (9.7). Não diz o texto que o homem deve unir-se às suas mulheres. Deus não criou mais de uma mulher para Adão nem mais de um homem para Eva. Tanto a poligenia como a poliandria estão em desacordo com os princípios de Deus para o casamento (Dt 28.54,56; Sl 128.3; Pv 5.15-21; Ml 2.14).
Essa norma não foi apenas estabelecida na criação, mas também foi reafirmada na entrega da lei moral. A lei de Deus ordena: “… não cobiçarás a mulher do teu próximo…” (Ex 20.17). O uso do singular é enfático. Moisés não deu provisão à questão da poligamia. Os casamentos poligâmicos sempre foram marcados por muitos prejuízos e grandes desastres. O apóstolo Paulo afirma: “Cada um [singular] tenha a sua própria esposa, e cada uma [singular], o seu próprio marido” (1Co 7.2). Ao mencionar as qualificações do presbítero, Paulo adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja… esposo de uma só mulher…” (1Tm 3.2).
Norman Geisler enumera alguns argumentos que reforçam o ensino da monogamia:
1) A monogamia foi ensinada por precedência (Gn 2.24);
2) A monogamia foi ensinada por preceito (Ex 20.17);
3) A monogamia foi ensinada através das severas conseqüências decorrentes da poligamia ((1Rs 11.4).[14]
3. O casamento é monossomático – v. 8
Jesus prossegue, e diz: “e, com sua mulher, serão os dois uma só carne” (9.8). As palavras hebraicas homem e mulher (ish e ishá) revelam que os dois foram feitos complementarmente um para o outro. O propósito de Deus é que no casamento, o homem e a mulher se tornem uma só carne, numa intimidade tal que não pode ser separada.[15] A união entre marido e mulher não é apenas emocional e espiritual, mas também e, sobretudo, física. O sexo que antes e fora do casamento é uma proibição divina (1 Ts 4.3-8), no casamento é uma ordenança (1 Co 7.5). O que é uma proibição para os solteiros, é um mandamento para os casados. O sexo é bom, é santo e puro (Hb 13.4). Deus nos criou sexuados. O sexo nos foi dado como uma grande fonte de prazer (Pv 5.15-19) e não apenas para a procriação (Gn 1.28).
A união conjugal é a mais próxima e íntima relação de todo relacionamento humano. A união entre marido e mulher é mais estreita do que a relação entre pais e filhos. Os filhos de um homem são parte dele mesmo, mas sua esposa é ele mesmo. Diz o apóstolo Paulo:
Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a Igreja (Ef 5.28,29).
João Calvino afirma que o vínculo do casamento é mais sagrado que o vínculo que prende os filhos aos seus pais. Nada, a não ser a morte, deve separá-los.[16]
Muito embora a expressão “uma só carne” signifique mais do que união física, a união básica do casamento é a união física. Se um homem e uma mulher pudessem se tornar um só espírito através do casamento, então a morte não poderia dissolver esse laço, pois o espírito nunca morre. O conceito de casamento eterno é uma heresia (Mt 22.30; 1Co 7.8,9).[17] O apóstolo Paulo diz que a união do casamento termina com a morte: “Ora, a mulher casada está ligada ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal… se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias” (Rm 7.2,3).
4. O casamento é indissolúvel – v. 9
Jesus concluiu o assunto com os fariseus, afirmando que o casamento não é apenas heterossexual, monogâmico e monossomático, mas também indissolúvel. O evangelista Marcos registra: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (9.9). O casamento deve ser para toda a vida. É uma união permanente. No projeto de Deus o casamento é indissolúvel. O divórcio é uma conspiração contra Deus e contra o cônjuge. O divórcio é atentado contra a família. Quem mais sofre com ele são os filhos. As conseqüências amargas do divórcio atravessam gerações. A psicóloga Diane Medved afirma que alguns casais chegaram à conclusão de que o divórcio é mais perigoso e destrutivo do que tentar permanecer juntos.[18]
O casamento é indissolúvel porque foi Deus quem o instituiu e o ordenou. Porém, o casamento tem sido cada vez mais ultrajado em nossos dias. Comentaristas sociais declaram que 50% dos casamentos realizados nos Estados Unidos terminam em divórcio.[19] A Revista Veja de 27/11/2003 publicou um artigo revelando que nos últimos cinco anos o índice de divórcio entre pessoas da terceira idade no Brasil teve um aumento de 56%. Tragicamente, 70% dos novos casamentos surgidos entre os divorciados acabam num período de dez anos.[20]
Nenhum ser humano tem competência nem autoridade para desfazer o que Deus faz. Mesmo que um juiz lavre uma certidão de divórcio e declare uma pessoa livre dos vínculos do casamento, aos olhos de Deus, essa relação não é desfeita.
O casamento é uma aliança entre um homem e uma mulher e Deus é a testemunha dessa aliança (Ml 2.14). O adultério é a quebra da aliança conjugal (Pv 2.16,17). O divórcio é a quebra do nono mandamento da lei de Deus, ou seja, um falso testemunho, a quebra de um juramento feito na presença de Deus.
Algumas pessoas tentam justificar o divórcio, afirmando que não foi Deus quem os uniu em casamento. É importante enfatizar que mesmo que um casal não tenha buscado a orientação de Deus para o casamento, uma vez firmada a aliança, Deus a ratifica (Js 9.1.27).
IV. UM ALERTA SOLENE – (9.10-12)
A conversa que se desenrola agora não é mais com os fariseus, mas com os discípulos; não mais em um lugar aberto, mas dentro de casa. O contexto nos indica que os discípulos tinham uma visão bastante liberal sobre a questão do divórcio, pois quando Jesus falou sobre a infidelidade conjugal como a única cláusula de exceção para o divórcio, os discípulos reagiram com uma profunda negatividade em relação ao casamento: “Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar” (Mt 19.10).
O evangelista Marcos omite a cláusula de exceção que legitima o divórcio, registrada em Mateus 5.32; 19.9. Mas certamente, essa omissão não muda o conteúdo do ensino de Jesus sobre o assunto. A grande ênfase de Jesus é que o divórcio e o novo casamento, sem base bíblica, constituem-se em adultério. J. Vernon McGee entende que essa omissão de Marcos é pelo fato dele estar escrevendo aos romanos que não conheciam a lei de Moisés sobre o divórcio.[21] William Hendriksen, escrevendo nessa mesma linha de pensamento assim diz:
Por que essa diferença entre Mateus e Marcos? Resposta: Mateus estava primariamente escrevendo para os judeus, entre os quais a rejeição de um marido pela sua esposa era tão rara que a lei não provia qualquer orientação para essa possibilidade. No entanto, entre os judeus, ou entre aqueles que tinham relações próximas com eles, essas rejeições do marido por parte da esposa não eram inteiramente desconhecidas.[22]
Somente Marcos entre os evangelistas fala da mulher também tomando iniciativa do divórcio. Possivelmente, porque Marcos está escrevendo para os romanos e na sociedade romana uma mulher poderia iniciar o divórcio.[23]
CONCLUSÃO
Não existem famílias fortes, sem casamentos bem estruturados. Não existem igrejas saudáveis sem famílias fortes. Não existe sociedade bem-estruturada onde as famílias que a compõem estão se desintegrando.
Nenhum sucesso compensa o fracasso do casamento e da família. Não fomos chamados para imitar o mundo, mas para ser um referencial de Deus no mundo. O povo de Deus precisa mostrar ao mundo casamentos sólidos, famílias unidas e regadas pelo amor.

[1] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 476.
[2] J. Vernon McGee.
Mark. 1991: p. 118.
[3] Adolf Pohl. Evangelho de Marcos. 1998: p. 294.
[4] William Barclay. Marcos. 1974: p. 248.
[5] Dewey M. Mulholland. Marcos: Introdução e Comentário. 2005: p. 154.
[6] Bruce B. Barton et all. Life Application Bible Commentary on Mark. 1994: p. 280.
[7] Bruce B. Barton et all. Life Application Bible Commentary on Mark. 1994: p. 280.
[8] Edward G. Dobson. The Complete Bible Commentary. Nashville, Tennessee. Thomas Nelson Publishers. 1999: p. 1212.
[9] Adam Clarke. Clarke’s Commentary – Matthew-Revelation. Vol. V. Nashville, Tennessee. Abingdon. N.d.: p. 190.
[10] Walter Kaiser Jr. Toward Old Testament Ethics. Grand Rapids, Michigan. Zondervan Publishing House. 1983: p. 200,201.
[11] Jay Adams. Marriage, Divorce, and Remarriage in the Bible. Grand Rapids, Michigan. Zondervan Publishing House. 1980: p. 27.
[12] Hernandes Dias Lopes.
Casamento, Divórcio e Novo Casamento. São Paulo, SP. Editora Hagnos. 2005: p. 107.
[13] Norman L. Geisler. Christian Ethics: Options and Issues. Grand Rapids, Michigan. Baker Book House. 2000: p. 278.
[14] Norman Geisler. Christian Ethics: Options and Issues. 2000: p. 281.
[15] Bruce B. Barton et all. Life Application Bible Commentary on Mark. 1994: p. 281.
[16] John Calvin. Harmony of Matthew, Mark, and Luke – Calvin’s Commentaries. Vol. XVI. Grand Rapids, Michigan. Baker Book House. 1979: p. 379.
[17] Warren W. Wiersbe. The Bible Exposition Commentary. Vol. 1. Colorado Springs, Colorado. Chariot Victor Publishing. 1989: p. 69.
[18] Diane Medved. The Case Against Divorce. New York, NY. Donald L. Fine. 1989: p. 1,2.
[19] J. Kerby Anderson. Signs of Warning, Signs of Hope: Seven Coming Crises that will change your life.
Chicago, Illinois. Moody Press. 1994: p. 67.
[20] James D. Mallory. O Fim da Guerra dos Sexos. São Paulo, SP. Exodus Editora. 1997: p. 16.
[21] J. Vernon McGee. Mark. 1991: p. 121.
[22] William Hendriksen. Marcos. 2003: p. 483.
[23] Bruce B. Barton et all. Life Application Bible Commentary on Mark. 1994: p. 284.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Visitas dos lugares mais distantes

Minha lista de blogs

Aborto diga não!

Aborto diga não!
1999 - Um fotógrafo que fez a cobertura de uma intervenção cirúrgica para corrigir um problema de espinha bífida realizada no interior do útero materno num feto de apenas 21 semanas de gestação, numa autêntica proeza médica, nunca imaginou que a sua máquina fotográfica registaria talvez o mais eloquente grito a favor da vida conhecido até hoje.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal.

Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX).

Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença".

Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias.

Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

Fonte:www.apocalink.blogspot.com