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quinta-feira, 28 de julho de 2011

O TERRORISMO DO MAL E DO PECADO: A TRAGÉDIA NA NORUEGA

27de julho de 2011 (Notícias Pró-Família) — A Noruega é um dos lugares mais belos da terra. Um paraíso nórdico de fiordes, litoral, geleiras e florestas. Os noruegueses têm merecidamente orgulho de sua sociedade pacífica e próspera.
Pois bem, hoje a Noruega está num estado de choque total e absoluto depois de um dos atos de terrorismo mais cruéis e a sangue frio desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Os noruegueses estão desesperadamente tentando explicar essa matança sem lógica. O assassino tem sido descrito como um extremista de direita, um cristão fundamentalista, um fanático anti-imigração e mentalmente doente. O mais provável, em minha opinião, é que ele seja um fascista.
Mas há duas razões básicas desse ato horrível que poucos na Noruega, ou no resto do mundo ocidental inclusive, reconhecerão: o mal e o pecado.
Entenda: a Noruega é um dos países mais seculares da Europa ocidental. Quase nada restou da fé cristã que no passado dominava o país.
Por isso, sem a compreensão cristã da natureza humana caída, o povo da Noruega fica apenas com o luto, mas sem uma explicação para o horror que lhes sobreveio.
Tudo o que posso pensar é numa visita que fiz a uma prisão de segurança máxima fora de Oslo na década de 1980. Conto-lhe esse caso no meu livro How Now Shall We Live? (Como viveremos agora?) Fui cumprimentado pela carcereira, que era psiquiatra. Ela me guiou num passeio pelo lugar, que parecia mais um laboratório do que uma prisão. Vimos tantos outros psiquiatras que perguntei à carcereira quantos dos presos ali eram casos de doença mental.
Ela respondeu: “Todos eles, é claro”.
Fiquei espantado, e perguntei: “Verdade?”
“Veja bem”, disse ela, “qualquer um que comete um crime violento tem obviamente um desequilíbrio mental”.
Essa era a expressão máxima do modelo terapêutico. As pessoas, assim segue esse tipo de raciocínio, são basicamente boas, de modo que qualquer um que faça algo tão horrível quanto isso só pode ser doente mental. E a solução é terapia. É uma maneira tragicamente falha e inexata de ver a natureza humana. E, conforme fiquei sabendo apenas alguns dias mais tarde, é uma maneira muito perigosa.
Durante essa visita preguei o Evangelho aos presos. Eles estavam completamente insensíveis à mensagem. Mas quando eu estava indo embora, uma funcionária cristã da prisão veio até mim. Ela disse que havia orado para que alguém confrontasse os presos com a mensagem sobre pecado e salvação. Ela estava frustrada com o sistema prisional da Noruega, onde não havia nenhum conceito de responsabilidade pessoal. Portanto, não havia nenhuma razão para os presos buscarem uma transformação pessoal.
Alguns dias mais tarde, fiquei sabendo da notícia trágica: a jovem funcionária com quem eu havia conversado foi incumbida de escoltar um preso para fora da prisão para assistir a um filme como parte da terapia dele. No caminho de volta para a prisão, ele a matou.
A questão importante é esta: quando tentamos dar razões convincentes sobre o mal moral, fracassaremos em nossos esforços de reprimi-lo. Não podemos dar explicações sobre a conduta humana sem reconhecer que somos criaturas caídas propensas ao pecado.
Como um triste comentário final sobre a tragédia de Oslo, a sentença máxima que um criminoso pode receber na Noruega é 21 anos. Por isso, a não ser que ocorra algo fora do comum, o terrorista de Oslo estará de volta às ruas em 2032. Uma porta-voz da polícia de Oslo explicou desta forma: “O que o mundo precisa compreender sobre a Noruega é que esse incidente representa nossa perda da inocência, pois temos sido um país muito seguro de se viver, até agora”. Ela então acrescentou: “Não existe nenhuma razão para se manter as pessoas a vida inteira na prisão”.
Mas há e sempre haverá. Chama-se pecado.
Publicado com a permissão de Breakpoint
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
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quarta-feira, 27 de julho de 2011

REAÇÕES DE MAÇONS E OBEDIÊNCIAS À MATANÇA NA NORUEGA

Tradução José Antonio Filardo
O jornal sueco Ekurinen  publicou neste 24 de julho de 2011 um artigo Fördömer daden i Oslo  (Na seção Debate) onde as atrocidades cometidas por Anders Behring Breivik são condenadas por unanimidade pelos 50 mil membros da Maçonaria do sistema (Rito) sueco. O artigo retoma o comunicado do Grão Mestre Ivar A. Skar publicado no site Maçons da Noruega (Tradução abaixo).
O fórum assinado por Hans-Erik da Loja de Santo André St-Eskil convida a visitar o site da Ordem para perceber que esta não é uma sociedade secreta que, gradualmente leva seus membros a um desenvolvimento pessoal. Ele lembra que a Ordem está aberta apenas aos homens portadores de verdadeiros valores cristãos.
Comunicado do Grão-Mestre da Noruega
"Nós maçons estamos particularmente chocados com este crime hediondo no distrito governamental de Oslo e na ilha de Utoya, declarou o Grão-Mestre Ivar A. Skar, Grão-Mestre da Maçonaria norueguesa.
Estamos tristes pelos muitos mortos e demonstramos nossa tristeza em relação às famílias e amigos das vítimas desse assassinato.
Os meios de comunicação divulgaram a participação do autor como membro de uma loja maçônica da Noruega. Neste sentido informamos que o covarde assassino em massa foi imediatamente expulso da Loja.
Isso que ele cometeu contra a humanidade é completamente inconsistente com o que a Maçonaria defende: a tolerância, humanismo e a fraternidade.
A Maçonaria é baseada em valores cristãos e humanitários. Quem quiser se tornar membro deve contribuir para promover o amor ao próximo, a paz e deve trabalhar em favor da felicidade humana.
A polícia e a justiça receberão todo o apoio necessário em seus esforços para esclarecer as circunstâncias deste assassinato em massa e a condenação do autor.
Reação obediencial originária em Quebec
O site de notícias online Canoe.ca  publicou neste 25 de julho de 2011 um artigo do Jornal de Montreal intitulado Os maçons inquietos. O artigo informa os estado de inquietude nascido no seio da maçonaria do Quebec com a divulgação do suposto assassino vestindo um avental e um colar de cargo. O porta-voz da Grande Loja do Quebec  respondeu dizendo que a Maçonaria é um movimento filosófico baseado na tolerância e na abertura aos outros. Nós não defendemos a violência nem o ódio
Da Romênia
A Grande Loja Feminina da Romênia  emitiu um comunicado de imprensa em inglês no qual ela condena o massacre que ocorreu(…) na Noruega e manifesta sua solidariedade com as famílias enlutadas e seus amigos.
Parece inconcebível que um maçom pudesse ser a base de tais atos criminosos, em total contradição com os princípios da Maçonaria, que é uma instituição que promove a moralidade e a ética, cultivando o espírito de liberdade e da tolerância.
A Marea Loja Feminina a Romaniei (MLFR)  acrescentou: A Maçonaria aceita e não exclui qualquer cultura, qualquer religião. Ela responde a todas as crenças ideológicas ou políticas que não sejam contrárias aos direitos humanos. O que nos une, a nós maçons, qualquer que seja a nossa língua, cultura ideologia ou religião é a ideia de tolerância para todas as pessoas na terra, quaisquer que sejam as suas diferenças. Queremos mencionar que nada é mais oposto à Maçonaria que o fundamentalismo em todas as suas formas. Queremos sublinhar os esforços de todas as nossas organizações na luta contra todas as formas de fundamentalismo onde quer que eles apareçam.
Da Espanha

O Blog El Mason Aprendiz publicou neste 26 de julho de 2011 um artigo A GLSE condena os crimes da Noruega. A Gran Logia Simbolica Española  condena estes terríveis crimes cometidos na Noruega por um indivíduo perturbado, cuja loucura causou quase uma centena de vítimas. A GLSE afirma que a Maçonaria Universal, cujos princípios são a liberdade, igualdade e fraternidade, não teve nem pode ter a ver com as ideias e as atividades deste criminoso. Ela acrescenta: mas alguém cometeu o erro de permitir sua entrada na nossa fraternidade de pessoas livres e tolerantes.
Nota: Artigo de El Masón Aprendiz anota como fonte a  página do Facebook da GLSE  mas esta comunicação não pôde ser encontrada.
Da França
Uma mensagem do Grão-Mestre da Grand Loge Mixte Universelle, Guy Roman, foi divulgada sob o título A Grande Loge Mixte Universelle e o drama norueguês. O Grão-Mestre assim se expressa: A Grande Loge Mixte Universelle potência maçônica secular e republicana, que sempre lutou com força e determinação contra os extremismos de todos os tipos condena o ato de barbárie que afeta o povo norueguês.
Desde a sua criação, a Grande Loge Mixte Universelle pretende contribuir para a formação de homens e mulheres livres, assim como Cidadãos e Cidadãs seculares militantes para uma sociedade progressista. A Grande Loge Mixte Universelle recorda seu compromisso com a lei de 1905 onde o Secularismo continua a ser o guardião da boa convivência.
Da Suíça
Uma declaração de 25 de julho de 2011 assinado por Jean Michel Mascherpa, Grão-Mestre da Grande Loja Suíça Alpina Desde sábado, a TV e jornais ao redor do mundo relatam os trágicos acontecimentos que ocorreram na Noruega, o assassinato abjeto cometido por Anders Behring Breivik está além da compreensão. Ele foi fotografado em paramentos Maçônicos e se declara “fundamentalista cristão”. É impensável para o mundo maçônico que este homem tenha podido um dia fazer parte, até onde sua participação da Grande Loja da Noruega tenha sido confirmada.
Os Irmãos da Grande Loja Suíça Alpina dirigem-se às famílias das vítimas deste crime incompreensível e lhes apresentam a expressão sua profunda simpatia. Eles também enviam suas condolências mais fraternas à Grande Loja da Noruega que deve sentir no fundo do seu coração, o desespero de não ter sido capaz de imaginar o potencial criminal do homem que ela acolheu entre seus membros.
A Maçonaria Suíça da Grande Loja Suíça Alpina, membro da cadeia fraternal mundial está consternada pelo horror ao ato cometido em nome de uma ideologia extremista afirmada e de uma visão de mundo que não é a sua.
Reafirmamos vigorosamente que a Maçonaria opõe-se firmemente a qualquer fundamentalismo religiosa ou político, que ela condena veementemente o radicalismo intelectual assim como todas as atitudes desumanas e intolerantes. A Maçonaria defende o contrário, os valores do Iluminismo do século 18 de tolerância e humanismo. Ela se engaja no mundo para a promoção da democracia, do secularismo, do respeito as crenças e opiniões individuais, no interesse da cadeia do amor fraterno universal. 
Da Holanda
William S. Meijer, Grão-Mestre da Ordem dos maçons holandeses, publicou em 25 de julho no site da Orde van Vrijmetselaren onder het Gootoosten der Nederland  uma Declaração sobre Oslo
Os maçons estão, como os seus concidadãos, chocados com os acontecimentos violentos em e em próximo a Oslo em 22 de julho, e pelo horror dos massacres . Ele disse que era incapaz de entender a mentalidade do autor falando sobre suas crenças confusas misturando fundamentalismo cristão, ódio aos muçulmanos e ideias emprestadas da Maçonaria.
Por que é uma reação da parte dos maçons holandeses, embora provavelmente nem o exército nem a Igreja tenham sido convidados a responder pelos crimes de um solitário perturbado, que é membro delas (…) ?
Durante a sua existência desde aproximadamente 1700, os maçons têm sido muitas vezes suspeitos das coisas mais horríveis, principalmente da parte de regimes autoritários e totalitários e da parte de igrejas dogmáticas. (…)
A erradicação do preconceito é difícil, especialmente porque eles são o resultado de um longo processo de doutrinação. (…) O Grão-Mestre faz referência ainda aos ideais de fraternidade da Maçonaria e ao valor conferido à pessoa humana, a igualdade das pessoas, seus direitos, responsabilidade de cada um de seus atos. Ele também lembra que, de acordo com a Constituição da Ordem holandesa o Maçom deve obedecer às leis de seu país.
Embora existam diferenças entre as diferentes organizações maçônicas, elas partilham estes objetivos humanitários .
O Grão-Mestre não pode, portanto, explicar como se pode passar desta reflexão ao assassinato a sangue frio. Apenas uma disfunção psicológica do agressor pode servir de explicação. Claro, a maçonaria, bem como outra associações e igrejas totalmente não violentas não estão imunes a um “lobo entre ovelhas”, em total contradição com as intenções nobres da organização.
Montar uma lista dos maçons, de um lado e de cristãos fundamentalistas e jihadistas islâmicos de outro, conforme recomendado por um especialista em terrorismo na Universidade à televisão NOS seria uma grave injustiça para os maçons e suas associações.
O Grão-Mestre conclui sua declaração clamando por especial atenção para as vítimas dos ataques terrível na Noruega e suas famílias. E continuar a contribuir para uma sociedade aberta, por mais vulnerável que ela seja.
Da Itália

O Grão-Mestre do Grande Oriente d’Italia  Gustavo Raffi condenou vigorosamente  o massacre de 24 de julho de 2011. Ele qualifica Breivik de assassino em massa e exibicionista louco. Ele expressou seu profundo pesar pelas jovens vítimas do massacre de Utoya e expressou a sua firme condenação do assassino que desencadeou o inferno na Noruega: Anders Behring Breivik é um exibicionista perturbado, um fundamentalista que deve responder por sua violência e seu crime.
A explosão da loucura de um assassino em massa não pode criminalizar ou se identificar com o cristianismo fundamentalista cristão ou identificar, ou jogar lama sobre a Maçonaria por uma foto em uma pose postada no Facebook .
Ele referiu-se à busca da verdade e estimou que não havia necessidade de encontrar bodes expiatórios.

FONTE: BIBLIOT3CA 

PROGRAMADO PARA MATAR

A Fria Agressão de um Assassino em Massa

Tradução José Antonio de Souza Filardo
REUTERS / Scanpix Suécia
Os psicólogos dizem que um “modo de caça” em sua mente permitiu que Anders Behring Breivik matasse dezenas sem emoção.
O que passa pela mente de uma pessoa durante uma matança de 90 minutos? Uma vez que tenham decidido envolver-se no mais extremo dos atos, assassinos como Anders Breivik conduzem seus assassinatos sem piedade e a sangue frio. Os psicólogos dizem eles entram em um modo de caça primitivo em que suas emoções são completamente desligadas.
Quando Anders Breivik chegou a Utøya, ele não estava em um estado de raiva – ele estava relaxado. Ele até ofereceu uma história plausível ao guarda responsável pelo controle da entrada na ilha norueguesa na sexta-feira, dizendo-lhe que precisava verificar a segurança após os ataques terroristas em Oslo. Breivik, que estava disfarçado com um uniforme da polícia e estava usando um colete à prova de balas e carregando uma pesada sacola estava tranquilo e se movia lentamente. E quando ele encontrou os jovens que se reuniram no acampamento, segundo testemunhas, ele exalava confiança.
Mas, então, ele começou a matar e continuou a fazê-lo por 90 minutos. “Parecia que ele realmente não se importava”, um sobrevivente diria mais tarde. Por 90 minutos, Breivik caçou suas vítimas e atirou contra eles. Por 90 minutos, ele permaneceu frio como gelo, não demonstrando qualquer emoção e inteiramente concentrado em sua missão. Ele nem sequer expressava qualquer irritação com os helicópteros da polícia que começaram a sobrevoar Utøya. Ele continuou a perseguir implacavelmente sua meta – literalmente assassinando tantos jovens quanto podia, 76 segundo os dados mais recentes da polícia.
Como um ser humano é capaz de permanecer assim a sangue-frio para um período tão longo? Pesquisadores que se debruçaram sobre assassinatos em massa estão familiarizados com o fenômeno. É parte de nossa biologia, argumentam eles, que os especialistas chamam de agressão fria.
“O criminoso está em um modo de caça”, explicou Jens Hoffman, diretor do Instituto de Psicologia e gestão de Ameaças em Aschaffenburg, na Alemanha. Hoffman vê o caso como de um assassino em massa. “Ele agiu de maneira calculada e planejada, suas emoções estavam completamente desligadas”, disse ele. Breivik apenas celebrou, dando gritos de vitória, disse um sobrevivente. Outros dizem que o ouviram gritar: “Vou matar todos vocês.”
Em contraste com a raiva fria, o psicólogo diz que, neste caso, foi a agressão fria que prevaleceu. Se uma pessoa se sente profundamente ameaçada, ele explica, então essa pessoa reage impulsivamente e não consegue pensar claramente. Seus batimentos cardíacos, aumentam e os músculos ficam tensos. Depois de um surto de raiva ou violência, assim que a ameaça se dissipa, esta condição termina muito rapidamente.
Criminosos como Breivik nunca se tentem ameaçados
Mas, este não é o caso na agressão fria. “Quando estiver no modo de caça, o autor não sente ameaça alguma. É por isso que a pessoa pode pensar claramente e agir de maneira focada”, Hoffman declarou ao Spiegel Online. “Ele pode manter esta condição durante o tempo que quiser.” O psicólogo diz que este modo de caça é biologicamente ancorado em cada pessoa. Antigamente, caçadores e coletores precisavam dele para garantir sua alimentação. Na sexta-feira, Breivik o ativou, a fim de caçar outras pessoas.
Em seu manifesto de 1.516 páginas, Breivik explica em algumas passagens como ele se preparou mentalmente para o ato. É apenas uma pequena parte de seu trabalho, que é preenchido com ideologia delirante. Mas isso também mostra quão obcecado estava Breivik com sua ideia. No manifesto, ele também explica como se pode manter a “capacidade de motivar-se / doutrinar-se durante um longo período.”.
“Você tem de superar desafios psicológicos iniciais difíceis e executar uma ligeira verificação mental subsequente todos os dias até que a operação esteja concluída,” o assassino escreveu. “Abraçar o martírio não é algo que você decide fazer de repente, mas é um processo que leva tempo e exige esforço e autocontemplação.”
Breivik escreveu que ele saia em uma caminhada de 40 minutos todos os dias. Se seus escritos merecem crédito, ele passou esse tempo “filosofando ideologicamente / executando auto doutrinação e simulação mental da operação.”.
Ele escreve que executou rigorosamente toda a operação mentalmente, simulando diferentes cenários -esforços de resistência, confrontos com a polícia, cenários futuros de interrogatório e até mesmo possíveis sessões no tribunal. Ele até mesmo planejou futuras entrevistas à imprensa. Durante seu treinamento mental, Breivik escreveu, ele ouvia “música motivacionais e inspiracionais”.
“Tudo é em preto e branco”
“Ele usou estratégias comuns de mentalização”, diz Hoffmann. A preparação de longo prazo, com um olho no triunfo e a “missão histórica” ​​são padrões de comportamento típicos. Ele justificou sua ação com sua ideologia. Foi terrível, mas necessário, disse Breivik, depois de completar a operação e ser preso.
A rigidez de Breivik também se encaixa em um padrão típico, diz Hoffmann. “Tais autores têm tendências muito assíduas e pensam de acordo com estereótipos. Tudo é em preto e branco”. Um colega australiano de Hoffmann ouviu certa vez de um atirador depois de seu crime que ele não queria cometê-lo no final, mas tinha sido planejado por tanto tempo e que havia escolhido a data com tanta antecedência que ele não sabia mais o que fazer além de realizá-lo. Ele tinha que seguir seu plano.
Um item incomum no manifesto de Breivik é quando ele detalha os tipos de anfetaminas que devem ser usadas para fazer a operação funcionar bem. Ele explica quais combinações de medicamentos funcionam melhor, onde se pode obtê-los facilmente, em que doses devem ser tomadas, e qual o melhor momento para tomá-los.
Força física, agilidade e foco são todos reforçados por estimulantes em 30 a 50 por cento e por uma a duas horas, escreveu Breivik. Se ele tomou realmente as substâncias durante a onda de crimes anda permanece obscuro. E não é igualmente claro quanto efeito desejado as drogas trariam. Sabe-se que muitos criminosos bebem pequenas quantidades de álcool antes de cometer seus crimes, a fim de acalmar os nervos. Mas, fora isso, as drogas e o álcool dificilmente desempenham um papel em crimes a sangue-frio.
A Necessidade de Recompensa a Qualquer Custo
O que provavelmente passa pela mente de tais criminosos violentos é extremamente difícil de avaliar. Psicólogos e neurobiólogos têm, ambos, procurado por respostas. No ano passado, pesquisadores americanos na Universidade Vanderbilt, no Tennessee descobriram um mecanismo especialmente pronunciado no cérebro de psicopatas, ou seja, que eles têm uma necessidade de recompensa a qualquer custo.
Joshua Buckholtz, que comandou o estudo Vanderbilt, disse em um comunicado: “Descobrimos que um sistema hiper-reativo de recompensa de dopamina pode ser a base para alguns dos comportamentos mais problemáticos associados a psicopatologias, tais como a crimes violentos, reincidência e abuso de substâncias.”.
Buckholtz e seus colegas analisaram imagens do cérebro de pessoas com traços psicopáticos em seu estudo. Se o cérebro de Breivik também está ou não danificado de tal forma permanece obscuro. E seria quase incompreensível procurar um diagnóstico para tal crime.
Breivik não é o único assassino em massa na história a planejar e organizar meticulosamente seu crime. “A maior diferença é que funcionou”, diz Hoffmann, porque matar tantas pessoas envolve planejamento especialmente complexo.
O auto engrandecimento é outro traço comum entre os assassinos a sangue frio como Breivik, de acordo com Hoffmann. “Ele gosta de ser o senhor da vida e da morte”, diz ele.

OS MAÇONS NO MANIFESTO DE BREIVIK

Esta foto foi publicada no Daily Mail . Ela ilustra o artigo Foto: O norueguês loiro, 32, preso em razão do ‘massacre da ilha de férias’ e ligado às explosões de bombas em Oslo. Suspeito de ser o autor do tiroteio na ilha de Utoya e do atentado a bomba de Oslo, Anders Behring Breivik (32) seria um “nacionalista” norueguês.
Informações no Frimurer Anders Behring  foram transmitidas pela TV norueguesa TV2. De acordo com isso, ele foi identificado como Aprendiz na Lista de Maçons Noruegueses de 2008, mas em sua foto, ele usa paramentos de Mestre Maçom. A mídia publicou a Lista de membros da Loja Søilene  (Pilares) de Oslo. O nome de Anders Behring aparece, portanto, na segunda página desta lista .
No site Den Norske Frimurerorden, Grão-Mestre entrou em cena para se dizer estarrecido com o que crime terrível. Pensamos com tristeza e compaixão por aqueles afetados e suas famílias . Faz-se referência ao fato de que o suspeito é um membro da Ordem dos Maçons da Noruega e o Grão Mestre anuncia sua exclusão, com efeito imediato. Ele recorda os valores cristãos e humanistas da Ordem e afirma que a polícia terá toda a ajuda e todas as informações necessárias.
(Artigo publicado no Blog Maçônico em 23 de julho às 7:53)
As informações sobre a sua adesão à Maçonaria já estão amplamente divulgadas na web. Vemos em Anders Behring Breivik um escravo de mente controlada pelos Maçons Illuminati . A foto em paramentos circula com a legenda O terrorismo maçônico finalmente tem um rosto. Trechos de jornal de TV ou rádio são transmitidos em sites de compartilhamento de vídeo com títulos tais como O maçom assassino por exemplo em Gloria.TV  .
Os Maçons no manifesto de Breivik
Se percorrermos o manifesto 2083 Uma Declaração Europeia de Independência  , encontramos 11 citações (tinha que ser 11) dos termos “maçom”, “maçons” ou “maçonaria”, onde entre os Recursos sobre Estudos de Cavalerios Templários e em um endereço de uma loja online de artigos maçônicos.
É feita referência à Maçonaria e as ordens de cavalaria na seção onde Andres Breivik Behring descreve sua visão de uma Ordem dos Templários. Todavia, ele critica os maçons e outras ordens: Eles alegam ser Cavaleiros de Cristo e ainda assim não estão dispostos a sacrificar suas vidas para a preservação do cristianismo europeu . (…) Eles alegam serem cavaleiros, mas não são nem mesmo guerreiros . (…) Os Maçons ou membros da OSMTH (Nota: Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitan)não pode ser comparados aos PCCTS (Nota: Pauperes commilitones Christi Templique Solomonic) Cavaleiros Templários e acrescenta: No entanto, eu respeito seu papel na sociedade. Eles são representantes e conservadores (guardiões do patrimônio cultural) e, portanto, desempenham um papael essencial. Na verdade, temos muito a aprender com eles e tendemos a procurá-los (suas bibliotecas) para pesquisas. Nós os saudamos-los por seus esforços de cada dia, mas não aceitaremos qualquer crítica partida deles, ou das organizações chamadas cavaleirescas.

Além disso, ele lamenta que a Maçonaria não seja uma organização política e acredita que a acusação de organização sionista pelos nacional-socialistas é falsa e até mesmo ridícula. Ele também argumenta que a Maçonaria é uma organização apenas para cristãos e que nenhum muçulmano ou judeu pode se tornar um membro, mesmo que assim o deseje.
A Maçonaria é realmente mencionada em seus Interesses e hobbies . Ele declara que após cinco anos de Maçonaria, finalmente aceitou o quarto e quinto graus (é um grau combinado, ele explica). No entanto, devido à falta de tempo, ele decidiu recusar a oferta.Eu disse a eles que eu não estaria disponível até o outono de 2011, devido a inúmeras viagens diz ele.
FONTE: BIBLIOT3CA 

"BREIVIK, O TERRORISTA DE OSLO. UMA IDEOLOGIA IDENTITÁRIA, MAS NÃO FUNDAMENTALISTA"

A horrível tragédia de Oslo pede, em primeiro lugar, respeito e oração pelas vítimas, depois, uma reflexão sobre as medidas de monitoramento que também sociedades, como aquela escandinava, que mantém seu caráter “aberto”, hoje não podem deixar de adotar em face das numerosas e múltiplas formas de terrorismo. Entre essas medidas, no entanto, não pode e não deve haver uma estigmatização dos “fundamentalistas cristãos”, pintados como criminosos e terroristas potenciais. É realmente lamentável que a polícia norueguesa, imediatamente abordada pela mídia de todo o mundo, tenha apresentado inicialmente o terrorista Anders Behring Breivik como um cristão fundamentalista, e que na Itália alguns meios de comunicação designaram mesmo — falsamente — como católico.
O incidente mostra simplesmente como hoje “fundamentalista” é uma palavra usada de maneira ampla e imprecisa para designar qualquer pessoa com idéias extremistas ou genericamente “de direita”, e uma referência, mesmo que vaga, ao cristianismo. Daí surge facilmente o fenômeno social da “culpabilidade por associação”, pela qual qualquer cristão que seja, por exemplo, contra o aborto ou o reconhecimento das uniões homossexuais se torna um fundamentalista e, uma vez que o atentado de Oslo foi atribuído a um adepto do "fundamentalismo", até mesmo um terrorista em potencial. Apenas alguns dias antes do atentado de Oslo, o Observatório sobre a Intolerância e Discriminação contra os Cristãos de Viena tinha enviado aos responsáveis pelo projeto RELIGARE, uma pesquisa sobre a Europa multi-religiosa financiada pela Comissão Européia, um denso memorando sobre os perigos do uso do termo “fundamentalismo” que se torna um instrumento de discriminação anti-cristã.

A expressão “cristão fundamentalista”, é claro, tem um significado preciso. Remonta à publicação nos Estados Unidos, entre 1910 e 1915, do livreto The Fundamentals, uma crítica militante da teologia protestante liberal, do método histórico-crítico na interpretação da bíblia e do evolucionismo biológico. Um fundamentalista é um protestante – de costume, entre outras coisas, muito anti-católico — que insiste em uma interpretação literal e tradicional da bíblia, recusando qualquer abordagem hermenêutica que leve em conta as ciências humanas modernas, e desta interpretação deduz princípios teológicos e morais ultra-conservadores.

Anders Behring Breivik não é um fundamentalista. Podemos saber muitas coisas de suas idéias através de seu perfil do Facebook — excluído, mas não antes de alguém tê-lo salvo e colocado online –, de mais de sessenta páginas de intervenções no site anti-islâmico norueguês document.no, também disponível em inglês ,e, sobretudo, de seu livro de 1500 páginas 2083 – Uma declaração de independência européia, assinado por “Andrew Berwick”, enviado a uma série de amigos e jornais em 22 de julho, a poucas horas do massacre, e divulgado na internet em 23 de julho por Kevin Slaughter, um ministro ordenado na Igreja de Satanás, fundada por Anton Szandor LaVey (1930-1997) na Califórnia, que tem hoje no mundo o maior número de seguidores na Escandinávia.

Já de sua página no Facebook surge como um interesse principal de Breivik a Maçonaria. Quem visitou o perfil de Breivik no Facebook era surpreendido por uma fotografia [acima, à direita] que o apresentava, com um avental maçônico, como um membro de uma loja de São João, que é uma das lojas que administram os três primeiros graus da Ordem Norueguesa dos Maçons, a Maçonaria regular na Noruega. Breivik faz parte da Søilene, uma das lojas de São João desta ordem em Oslo, o que, evidentemente, não tem, em si, nada a ver com o atentado. Estas lojas praticam o chamado rito sueco, que requer dos membros a fé cristã. Mas nenhum fundamentalista protestante espalha suas fotografias em trajes maçônicos: o fundamentalismo, pelo contrário, é fortemente hostil à Maçonaria. Nem se trata de um interesse no passado: a fotografia foi publicada em 2011 e já em 2009 em document.no Breivik propôs uma coleta de fundos “para a minha loja”.
Acrescentamos que mesmo a paixão Breivik pelo RPG online World of Warcraft e por uma série de televisão sobre vampiros um tanto grosseira, Blood Ties, bem como a amizade declarada com o gestor do principal site pornográfico norueguês, “não obstante a sua moral em frangalhos” — para não mencionar o fato de que um dos destinatários do seu memorial é um satanista — são todos traços que seriam absurdos para um fundamentalista cristão. Os tons recordam, se alguma coisa, Pim Fortuyn (1948-2002), o político homossexual holandês fundador de um movimento populista anti-islâmico. Se uma parte do livro aprecia a família tradicional, noutra Breivik diz considerar o aborto aceitável — embora em um número limitado de casos — e revela também ter “reservado dois mil euros que pretendo gastar com uma escolta de alta qualidade, um verdadeiro modelo, uma semana antes da execução de minha missão [de terrorismo]”.
Os textos – que revelam grandes, embora desordenadas, leituras – não parecem os de um simples louco, mesmo que haja traços de megalomania e contradições evidentes. A principal preocupação de Breivik não é a religião, mas o combate ao Islã que ameaça, segundo ele, devastar a Europa — ainda mais um país pequeno como a Noruega — com a imigração. Estas idéias não são, naturalmente, muito originais — e alguns dos autores citados por Breivik, dos quais propõe no livro 2083 uma espécie de longa antologia, são absolutamente respeitáveis — mas a teoria é declinada com tons que às vezes se tornam racistas e paranóicos.

O objetivo primeiro de Breivik é parar o Islã — daí a sua aversão pelo governo norueguês, tido como favorável a uma imigração muçulmana indiscriminada – e para isso procura aliados em qualquer lugar. Ele relatou que tinha escolhido voluntariamente ser batizado e crismado na Igreja Luterana norueguesa há 15 anos — rica e agnóstica, sua família o deixou livre para escolher – mas estava convencido de que a comunidade protestante estava quase morta e tinha sucumbido à ideologia multi-culturalista e filo-islâmica. Em um primeiro momento, escreve, os protestantes deveriam se unir à Igreja Católica. Mas mesmo a Igreja Católica já se vendeu ao Islã quando o Papa atual decidiu continuar o diálogo inter-religioso com os muçulmanos. Breivik ameaça Bento XVI, escrevendo que ele “abandonou o cristianismo e os cristãos europeus e deve ser considerado um Papa covarde, incompetente, corrupto e ilegítimo”. Uma vez eliminados os protestantes e o Papa, poderá ser organizado um “Grande Congresso Cristão Europeu”, do qual nascerá uma “Igreja Européia” completamente nova, identitária e anti-islâmica.
Se Breivik tem um inimigo, o Islã, também tem um amigo — imaginário, porque não parece ter havido grandes contatos diretos –: o mundo judaico, que considera o mais seguro baluarte anti-muçulmano. O terrorista mostra um verdadeiro culto ao Estado de Israel e suas forças militares, o que corresponde a um profunda aversão aos nazistas. “Se há uma figura que odeio — escreve ele — é Adolf Hitler [1889-1945: e sonha viajar no tempo para ir ao passado e matá-lo. É verdade que se inscreveu em um fórum neo-nazista na internet, mas o fez para tentar convencê-los que, se algumas idéias do führer sobre a primazia étnica dos ocidentais eram justas, o erro gritante foi o de não compreender que os ocidentais mais puros e nobres são os judeus, e que se quisesse exterminar alguém, o nazismo deveria, em vez, ir prender os muçulmanos no Oriente Médio.
Uma referência freqüente, no entanto, é feita à inglesa English Defence League – com a qual parece ter tido contatos diretos – um movimento anti-islâmico “de rua” que é regularmente acusado de ser racista, e que na mesma medida contesta essa acusação e critica o neo-nazismo. Breivik escreve que o multiculturalismo é uma forma de racismo e que “não se pode combater o racismo com racismo”. O nazismo, o comunismo e o islamismo são para Breivik três faces da mesma doutrina anti-ocidental, e todas as três deveriam ser proibidas. Mas a ênfase está sempre na luta contra o Islã. Qualquer inimigo dos muçulmanos, atual ou potencial, torna-se um possível aliado: assim os ateus militantes, bastante difundidos na Noruega, que Breivik convida a combater o Islã e não só o cristianismo; assim os homossexuais, a quem observa que, em um mundo dominado por muçulmanos, serão perseguidos.
Não surpreende nem mesmo o contato com a Igreja de Satanás, que prega uma forma de satanismo “racionalista” que louva a supremacia dos fortes sobre os fracos e as virtudes do capitalismo selvagem segundo a teoria da escritora norte-americana Ayn ​​Rand (1905-1982), citada muitas vezes pelo terrorista, e que na Escandinávia se preocupa voluntariamente com os imigrantes. Mesmo os ciganos, de acordo com Breivik, seriam escravizados na Índia e reduzidos à sua condição atual de miséria não pela população hindu -- como ensina a historiografia majoritária -- mas pelos muçulmanos. Portanto -- outra característica que o distingue e muito da extrema direita européia --, Breiviki se mostra de certa forma favorável aos ciganos, incita-os a combater o Islã e até mesmo lhes promete um Estado livre e independente em sua nova Europa.
Um tom “religioso” pode ser encontrado se muito em sua defesa fervorosa dos judeus e do Estado de Israel. Este é um tema que também surge em alguns grupos protestantes fundamentalistas -- com base na idéia de que Israel é um Estado desejado por Deus em vista do fim do mundo --, mas os acentos de Breivik são diferentes. Embora não existam referências diretas, recordam irresistivelmente a ideologia anglo-israelita, nascida no século XIX na Grã-Bretanha e muito difundida na Escandinávia, especialmente nos círculos maçônicos, segundo a qual os habitantes do norte da Europa são também eles “hebreus”, descendentes da tribo perdida de Israel: o nome “danesi” [“dinamarquês”], por exemplo, indicaria a tribo de Dan. O movimento anglo-israelita se dividiu no século XX em duas seções. A majoritária, às vezes violenta e responsável por atentados nos Estados Unidos, sustenta que os europeus do norte são hoje os únicos “hebreus” autênticos. Os que se dizem hebreus, em Israel e em outros lugares, não os são etnicamente, já que seriam em maioria cazares, membros de uma tribo centro-asiática convertida ao judaísmo nos séculos VIII e IX. Daí uma aversão do “movimento da identidade” de origem anglo-israelita a Israel e seus laços com grupos anti-semitas e neo-nazistas.
Mas — se esta vertente do anglo-israelismo predomina nos Estados Unidos — no Norte da Europa ainda está presente uma vertente mais antiga, para a qual os judeus tal como os conhecemos hoje são verdadeiros herdeiros da tribo de Judá, que esperam para se reunir com seus irmãos anglo-saxões e escandinavos da tribo perdida. Quem mantém esta visão considera, então, os norte-europeus como irmãos dos judeus e, longe de ser anti-semita, defende de forma ardente o judaísmo e o Estado de Israel.
De acordo com o seu livro, o terrorista fundou em 2002, em Londres, uma ordem neo-templária que se une a muitas já existentes, os Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão (PSCTS), inspirado não só nos templários católicos medievais, mas especialmente nos graus Templários da Maçonaria — uma organização elogiada por Breivik por seu “papel essencial na sociedade”, embora a considerando incapaz de passar à necessária ação militar –, aberta a “cristãos, cristãos agnósticos e cristãos ateus”, ou seja, a todos que reconhecem a importância das raízes culturais cristãs, “mas também das raízes judaicas e iluministas”, para não citar as “nórdicas e pagãs”, para se opor aos verdadeiros inimigos que são o Islã e a imigração.
Entre essas referências ecléticas, o cristianismo não é dominante. Ele cita muitos autores, mas o seu pai espiritual é o anônimo blogueiro norueguês anti-islâmico “Fjordman”, que em 2005 tinha um milhão de leitores, mas que fechou seu blog sem nunca ter sido identificado. Breivik republica um ensaio dele, segundo o qual, depois da Idade Média, o Cristianismo — cujos únicos aspectos positivos eram de origem pagã – se tornou para a Europa “uma ameaça pior do que o marxismo”.
Os “justiceiros templários” de Breivik deveriam operar em três fases de “guerra civil européia”. Na primeira (1999-2030), deveriam despertar a consciência adormecida dos europeus mediante “ataques das células clandestinas”, desencadeando a “ação de grupos que utilizam o terror”: grupos pequenos, inclusive de uma ou duas pessoas. Na segunda (2030-2070), deve-se passar à insurreição armada e aos golpes de Estado. Na terceira (2070-2083), à verdadeira guerra contra os imigrantes muçulmanos. Breivik é consciente de que os ataques da primeira fase transformarão os conspiradores em terroristas odiados por todos, mas esta é a forma do “martírio templário” que ele busca.
Os objetivos dos ataques iniciais são os partidos políticos: o Partido Trabalhista Norueguês, em primeiro lugar, mas também aponta contra quatro partidos italianos (PDL, PD, IDV, UDC) que boicotariam de diferentes modos a guerra contra o Islã e a imigração. Na Itália, haveria 60 mil “traidores” a atingir, inclusive através de ataques a refinarias para danificar a estrutura energética italiana. Dezesseis refinarias italianas, de Trecate (Novara) a Milazzo, são listadas como objetivos estratégicos. Até ao Papa Bento XVI são dirigidas frases ameaçadoras. Ainda segundo o livro 2083, o número de simpatizantes potenciais italianos seria também de 60 mil: mas estes não se encontrariam nem na Liga nem na La Destra, que Breiviki examinou considerando suas críticas anti-imigrações muito tímidas e, portanto, no final, “contraproducentes”. Como sou um de seus Representantes, preocupa-me também a reprodução de um artigo que indica a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) como uma organização internacional filo-islâmica e perigosa.
A questão talvez mais importante é se Breivik está escrevendo um romance no estilo do sueco Stieg Larsson (1954-2004) ou descrevendo uma realidade quando diz que a sua ordem de justiceiros templários conta com membros em vários países europeus e está em contato com aqueles que o mundo chama de “criminosos de guerra” sérvios seguidores de Radovan Karadzic, que para ele, pelo contrário, são heróis que procuraram libertar os Balcãs do Islã. Outras particularidades autobiógrafas do livro que pareciam improváveis — a presença em sua família de diplomatas, a freqüência desde jovem em escolas de elite — foram confirmadas pela polícia norueguesa. A própria polícia deverá determinar se o nascimento da ordem neo-templária, os contatos com os criminosos de guerra sérvios e uma viagem para a Libéria para ser treinado por um deles, “um dos maiores heróis europeus”, antes de fundar a ordem com oito companheiros em Londres em 2002, são fragmentos da imaginação de Breivik ou episódios realmente ocorridos. O que é certo é que um terço de seu livro — um verdadeiro e próprio manual terrorista, acompanhado por um diário sobre a preparação do atentado — revela o conhecimento detalhado em matéria de armas, explosivos, da nova técnica terrorista chamada “open source warfare”, que pode ser colocada em prática até por grupos muito pequenos, e de vestimentas à prova de balas — inclusive meias, detalhe muitas vezes esquecido e ao qual Breivik dedica várias páginas — difíceis de obter, mesmo a Internet fazendo maravilhas, por alguém que nem mesmo fez o serviço militar.
Breivik escreve sempre em tom de paranóia. Mas — se quisermos, como se diz, encontrar um método em sua loucura – devemos procurar o fio condutor principal de um populismo anti-islâmico que até agora raramente tinha conhecido formas violentas, e um secundário em uma solidariedade quase mística entre identidade nórdica e hebraica-israelita, que tem as suas raízes em antigas teorias esotéricas e maçônicas das quais Breivik é um amante. A única coisa certa é que o cristianismo – “fundamentalista” ou não – tem pouco a ver, se não como um entre os muitos improváveis aliados que o terrorista imaginava recrutar para a sua batalha violenta contra a imigração islâmica.
Por Massimo Introvigne
Sociólogo da religião, representante da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra o racismo e as discriminações contra os cristãos.
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