segunda-feira, 26 de maio de 2014

OS RUSSOS DE LOS ANGELES "FUNDARAM" O PENTECOSTALISMO

Os editores da revista Leben descobrem a história dos imigrantes Molokans
Dra. Lillian Sokoloff
Comentário de Julio Severo: WND, ou WorldNetDaily, recentemente relatou sobre a fundação do pentecostalismo nos EUA e, com base num relatório de 1918, provavelmente escrito por um escritor não-pentecostal sem conhecimento dos dons sobrenaturais do Espírito Santo, apresenta o argumento de que imigrantes russos podem ter sido os fundadores do pentecostalismo nos EUA. Isso é interessante para mim, pois hoje o Brasil é o país mais pentecostal do mundo. O artigo do WND começa: “O Cristianismo americano tem influenciado, e é influenciado por, uma variedade esplendida de grupos inconformistas, enclaves separatistas e, em alguns casos, autoproclamados profetas e messias… Começamos… com uma reportagem fascinante que descobrimos recentemente, escrita em 1918, sobre um grupo conhecido como ‘Saltadores,’ ou ‘Molokans.’ Os ‘Saltadores’ eram uma ramificação dos Molokans. Impelidos pelo que dizia uma criança que profetizava, eles partiram de sua pátria, a Rússia, aos milhares e seguiram em direção à ‘Cidade dos Anjos,’ Los Angeles, Califórnia.” As mensagens proféticas de uma criança profeta os salvou da iminente 1ª Guerra Mundial e da Revolução Comunista um século atrás. Agora, leia o relatório de 1918:
O primeiro grupo de Molokans, que chegou a Los Angeles em 1905 [alguns datam isso como 1904, Ed.], se estabeleceu nas redondezas do Instituto Belém na Rua Vignes. Quando outros chegaram, alguns compraram casas nas Ruas Clarence e Utah. Então o número de colonos cresceu no bairro entre a Avenida Boyle no leste e o Rio Los Angeles no oeste, e entre a Rua Aliso no norte e a Rua Sétima no sul. Recentemente uma nova colônia surgiu ao longo do que é conhecido como Planalto de Salt Lake a vários quarteirões a leste da colônia maior. Nessa rua estão localizados muitos dos lares de certa forma melhores. Num recôncavo ao sul da Avenida Stephenson e a leste da Rua Mott, há um grupo de cerca de 60 casas ocupadas apenas por russos.
Para entender os russos em Los Angeles, é necessário considerar brevemente seu histórico. Durante o reinado de Alexis Michaelovitch, o segundo governante da família Romanoff – 1645-1676 – Nicon, naquela época patriarca da Igreja Católica Grega Russa, investigou e decidiu mudar a liturgia. Embora o governo da época aceitasse essas mudanças e formalmente adotasse seu tipo de culto como religião estatal, havia muitos dissidentes que não queriam se submeter às ordens do governo em assuntos religiosos. Os dissidentes eram continuamente perseguidos ou exilados e estavam muito insatisfeitos com as instituições burocráticas, com a hipocrisia dos padres e com as formas deles cultuarem. O número de pessoas que buscava outros tipos de religião que satisfaria seus profundos sentimentos religiosos não parava de crescer.
Molokans da Rússia
Proeminentes entre os grupos dissidentes religiosos que se desenvolveram estavam os Dukhobors, os Molokans e os Subotniks. Os Subotniks eram russos que haviam adotado a fé judaica. No entanto, esse resultado não foi por meio de influência exercida pelos judeus, pois os judeus não tinham nenhum tipo de trabalho missionário para converter pessoas ao judaísmo. Além disso, não havia nenhum judeu vivendo nessa parte da Rússia onde esses grupos dissidentes se desenvolveram. Os Subotniks adotaram o judaísmo depois de terem lido o Antigo Testamento.
A essência da religião Dukhobor é uma crença na divindade de Cristo [isso é contrário a fontes modernas, Ed.] e a irmandade do homem. Os Dukhobors não acreditam em nenhuma representação terrena de Deus; eles não têm líderes de igreja nem estátuas nem imagens. Eles não têm cerimônias eclesiásticas nem acreditam nos santos como fazem os católicos gregos. Eles se opõem à guerra e portanto ao serviço militar. Sua religião os proíbe de se entregarem ao uso de bebidas alcoólicas e ao fumo.
O nome “Molokan,” derivado da palavra “moloko,” que significa leite, foi pela primeira vez aplicado a eles em 1765 por um grupo religioso dissidente no governo de Tambov. O nome foi aplicado pelo fato de que os Molokans bebem leite todos os dias da semana, enquanto os católicos gregos se abstêm dele nas quartas e quintas-feiras, que são dias de jejum para eles.
Os Molokans não tinham nenhuma forma clara de religião por muitos anos. Durante os últimos anos do século XVII, dois homens muito cultos, Skovoroda e Tveritinoff, haviam sido influenciados pelos ensinos de Lutero, Calvino e outros reformadores europeus. Esses homens então pregaram a Reforma entre os dissidentes da Igreja Católica Grega Russa. Eles assim prepararam o caminho para outros reformadores. Por cerca de 100 anos, os Molokans não foram incomodados pelas autoridades governamentais.
Contudo, não muito tempo depois o governo russo começou de novo a oprimir os dissidentes de vários modos. Os elevados impostos aplicados às suas terras demonstraram ser uma opressão maior do que eles poderiam aguentar. Eles foram de novo compelidos a servir no exército. Alguns dos mais cultos entre eles tiveram predições de tempos desastrosos por causa de guerras inevitáveis em que a Rússia estava para se engajar. Eles pois começaram a considerar a possibilidade de emigrar da Rússia.
Sabe-se bem que dos imigrantes da Rússia até o final do século passado, o maior número era de judeus e uma percentagem menor eram poloneses, mas quase nenhum russo étnico. Nos últimos dois anos do século XIX, muitos Dukhobors deixaram a região do Cáucaso e foram para o oeste do Canadá, onde vários milhares vivem hoje. [Resta uma grande comunidade na região de Grand Junction, Ed.]
O início da Guerra Russo-Japonesa inaugurou uma nova era de perseguições para os dissidentes no sudeste da Rússia. Eles foram obrigados a ir para a guerra. Embora muitos tivessem condições de ocupar elevadas posições militares, eles foram impedidos de ocupá-las e foram colocados para fazer os trabalhos mais servis. Eles também sofreram todos os tipos de insultos por instigação de autoridades governamentais. Eles não tinham permissão de ir para lugar nenhum sem passaportes — e passaportes não lhes eram concedidos. Portanto, não é de surpreender que essas pessoas tenham ficado desgostosas com as condições que estavam experimentando e ansiavam deixar a Rússia.
De todos os russos em Los Angeles, cerca de 75 por cento de todos os homens trabalhadores estavam empregados em madeireiras até o início da guerra [1ª Guerra Mundial]. Então a maioria entrou na indústria de construção naval. Cerca de 10 por cento possuem e dirigem suas próprias equipes e trabalham de dia em produtos de transporte e outros produtos. Cerca de 2 por cento estão engajados como donos de pequenas mercearias e açougues, cujos clientes são seu próprio povo. O restante — cerca de 13 por cento — estão empregados em vários ramos, tais como metalurgia, mecânicas, aplainadores, enlatação de frutas. As últimas ocupações são seguidas pelos homens mais jovens da comunidade, os quais tiveram alguma escolarização, mas deixaram a escola logo que a lei lhes permitiu fazer isso.
É normal entre os russos as mulheres casadas trabalharem. As mulheres jovens são empregadas principalmente em lavanderias. As meninas que foram à escola e aprenderam a língua inglesa trabalham em fábricas de biscoitos na vizinhança. Um número pequeno de meninas trabalha numa fábrica de doces da Rua Utah. As mulheres mais velhas trabalham em enlatação de frutas ou fazem trabalho doméstico de dia. Embora muitas das meninas que frequentaram a escola durante vários anos poderiam fazer outros tipos de trabalho e talvez ganhar mais dinheiro, os pais, em suas preocupações, preferem que elas trabalhem perto de casa e entre seu próprio povo. Trabalho de escritório poderia fazer com que as meninas se tornassem “americanizadas” rapidamente, e os mais velhos têm objeções a isso.
A religião dos Molokans surgiu da religião dos Dukhobors. Ambos são grupos dissidentes que se opõem à guerra. Eles acreditam que não existe representantes terrenos de Deus. Os Molokans não têm ministros ou dignitários de espécie alguma. Eles não têm regras ou tradições quanto a quem serão seus conselheiros religiosos. Seus pastores não são ordenados, não recebem remuneração nem dependem da aprovação da comunidade. Sua autoridade prevalece apenas nas reuniões de oração, cerimônias de casamento e cultos funerais. Pode-se dizer que a religião Molokan tem pouca forma clara. Não tem sistema. Muitas de suas fases são muito cruas. É incoerente e discrepante. Como os judeus ortodoxos, os Molokans se abstêm de comer carne de porco e matam o boi de um modo específico.
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Igreja Molokan em Los Angeles
Atualmente, há sete igrejas na colônia russa. Essas igrejas são salas grandes em que se realizam cultos. Durante os feriados, alguns lares particulares também são usados para cultos religiosos. Os Prigunis conduzem suas orações de uma maneira especial. Todos oram alto por algum tempo, até que um deles sinta que o “espírito” entrou nele, quando de um modo quase como transe ele chega ao centro do lugar de adoração. A oração continua num elevado tom de voz de canções até que uma a uma, todas as pessoas sintam o “espírito” dentro deles.
Há ainda muitos grupos nos EUA e Canadá que são descendentes diretos dos dissidentes Molokans, Saltadores e Doukhabors. A influência deles bem pode ter sido enorme no que é hoje geralmente mencionado como pentecostalismo.
Os Molokans, principalmente os Saltadores, tinham um longo histórico de experiências com as modernas manifestações dos dons apostólicos, inclusive curas, línguas, etc. Quando eles se mudaram para Los Angeles, na Califórnia, a maioria se estabeleceu perto da madeireira que empregava muitos homens, uma madeireira situada bem perto da Rua Azusa. Um ano depois que os Saltadores chegaram, o “Reavivamento da Rua Azusa,” considerado por muitos como o lugar do nascimento do pentecostalismo americano, irrompeu no cenário das igrejas dos EUA. O “reavivamento” continuou com três cultos por dia durante aproximadamente três anos.
É fato confirmado que muitos Saltadores russos se tornaram parte do Reavivamento da Rua Azusa, mas o que permanece um mistério é se eles se tornaram adeptos desse movimento ou foram seus fundadores.
Traduzido por Julio Severo do artigo do WND: Did Russians in L.A. “found” Pentecostalism?
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